quarta-feira, 18 de julho de 2018

A Paria de Chesil


A Paria de Chesil, 1960, Florence e Edward, jovens recém-casados, em lua-de-mel, numa época de grandes alterações sociais e sexuais «Eram jovens, licenciados, ambos virgens naquela sua noite de núpcias, e viviam numa época em que uma conversa sobre dificuldades sexuais, que nunca é fácil, era simplesmente impossível.» 
Do grande escritor britânico Ian McEwan, um romance subtil, adaptado agora ao cinema. Tal como João Lopes diz «É uma dolorosa aventura de impossível romantismo.»

Leia o Livro veja o Filme


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Meridiano 28 de Joel Neto


Em 1939, o mundo entrou em guerra. Foi o conflito mais mortífero da História da Humanidade. Mas, na pequena ilha açoriana do Faial, ingleses e alemães conviveram em paz durante mais três anos. Eram os loucos dos cabos telegráficos.
No mar em frente emergiam os periscópios de Hitler. Dezenas de navios britânicos eram afundados todos os meses. Já em terra, as crianças inglesas continuavam a aprender na escola alemã, dividindo as carteiras com meninos adornados de suásticas. As famílias juntavam-se para bailes e piqueniques.
Os hidroaviões da Pan Am faziam desembarcar estrelas de cinema e de música, estadistas e campeões de boxe. Recolhiam-se autógrafos. Jogava-se tennis e croquet. Dançava-se ao som do jazz. Viviam-se as mais arrebatadoras histórias de amor.
QUEM FOI HANSI ABKE?
QUE SOMBRA LANÇA HOJE SOBRE O DESTINO DE JOSÉ FILEMOM MARQUES, O SOBRINHO CRIADO NO BRASIL?
Um romance que vai de Lisboa a Nova Iorque, de Friburgo a Praga, de Bristol a Porto Alegre e às ilhas açorianas, onde todos são descobertos e ninguém pode ser apanhado.
Um reencontro entre dois homens de tempos distintos e que talvez tenham mais em comum do que aquilo que gostariam de acreditar. Uma memória das mulheres que amaram e talvez não tenham sabido fazê-lo.

Meridiano 28, Joel neto, Ed. Cultura, 2018

Philip Roth 1933-2018


Não estar vivo, basicamente, não sentir a vida, não a cheirar. Mas a diferença entre hoje e o medo que tinha de morrer quando tinha 12 anos é que agora tenho uma espécie de resignação em relação à realidade. Já não me parece uma injustiça tão grande morrer. 

Philip Roth 



sexta-feira, 11 de maio de 2018

Corpo Triplicado de Maria Brandão



Corpo Triplicado é um conjunto de ficções curtas dedicadas a personagens singulares: um vendedor de bíblias, uma ninfomaníaca literata, um mirone de balcão de bar, uma executiva com tensão pré-menstrual, um individualista na andropausa, um sedutor míope, uma freira perdida em Amesterdão. Personagens solitárias, desconcertantes, delirantes, encerradas num mundo descrente na humanidade, que decorre da observação de um episódio, um padrão comportamental, um parágrafo literário, uma música, uma fotografia. Tédio, desamor, solidão, decadência, desejo, sexo, morte são alguns dos ingredientes servidos a seco, sem ingenuidade, numa linguagem dura, mas elegante, com um ritmo rápido e um humor mordaz.

Nas livrarias na última semana de Maio de 2018.

terça-feira, 8 de maio de 2018

A Febre das Alamas Sensíveis



Respiravam todas. Contavam respirar no dia seguinte. Não tinham nenhuma moléstia que as inquietasse. Uma rapariga, esbarrando nele, deixou cair a bolsinha de mão. Ernest apanhou-a num movimento rápido e devolveu-lha; sorriram um para o outro com o mesmo embaraço simpático. Era bonita. ‘Se esta sonhasse que eu sou, ou fui, tísico…’”
Isabel Rio Novo, A Febre das Almas Sensíveis
(...)«A originalidade de A Febre das Almas Sensíveis vem ainda de outras formas narrativas e da própria construção de personagens. A saber, uma jovem investigadora decide passar algum tempo nas ruínas do Caramulo em busca de documentos perdidos, desde cartões postais a cartas pelas quais reconstrói vidas inteiras no contexto do seu tempo e condição social. Por outras palavras, a metáfora aqui nunca deixa de existir, mas refere-se mais à sociedade do que ao doente ou doentes. Os nomes dos personagens são muitos, mas a narradora nunca deixa o leitor pendurado em incertezas ou insinuações. Quase hesito em utilizar esta designação formalista, só que a Febre das Almas Sensíveis se assemelha ao que então se chamava nos Estados Unidos “realismo romântico”, a realidade da esperança e a força de cada um ou uma de vencer perante o pior das situações pessoais ou mesmo familiares. Todos eles vivem, como creio ter escrito Jorge de Sena num poema quando contraiu também uma “doença prolongada”, a morte social antes da previsível morte física. Todos se desviam, todos pretendem certa preocupação ao longe, todos vivem no medo do seu meio ambiente e das notícias que partem de quem está gravemente doente. “Em casa, — escreve a narradora — acautelando o contágio, Natália separava a louça de Armando, destinando-lhe um prato e uma malga para uso próprio, sacudia-lhe as roupas e deixava-as apanhar o ar na varanda durante a noite”. O período mais focado no romance é precisamente a época salazarista.» 
Vamberto Freitas. 
Ler aqui 

Um Artista do Mundo Flutuante



1948. O Japão reconstrói as suas cidades após a hecatombe da II Guerra Mundial e procura olhar o futuro com a confiança possível. Retirado, o mestre pintor Masuji Ono passa os dias a cuidar do jardim na companhia das duas filhas adultas e do pequeno neto, e os serões a beber e a conversar com velhos amigos no barzinho sossegado do costume. Porém, o constante assédio do passado e as memórias de uma vida e carreira profundamente marcadas pela ascensão do militarismo japonês conjuram sombras que ameaçam seriamente a tranquilidade da sua reforma.

Uma delicada tragicomédia familiar, que é também um retrato subtil e comovente do Japão do pós-guerra.

domingo, 22 de abril de 2018

Dia Mundial do Livro



O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Pretende anualmente promover o prazer da leitura e o respeito pelos livros e pelos seus autores.​
Esta data foi escolhida com base na tradição catalã segundo a qual, neste dia, os homens oferecem às suas «damas» uma rosa vermelha de S. Jorge e recebem em troca um livro, testemunho das aventuras do cavaleiro. Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare, Cervantes e Garcilaso de la Vega, falecidos em abril de 1616.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Antonio Tabucchi - Autobiografias Alheias



O mundo é mesmo estranho, sabem? Há cerca de vinte anos fiz uma viagem aos Açores, arquipélago que me pareceu mais imaginário do que real. Aliás, tão «deslocado» em relação a tudo que quando regressei também me pareceu que a minha viagem tinha sido imaginária... Para que tudo aquilo que tinha visto e vivido não se desvanecesse no ar como uma miragem, pensei em contá-lo. Dai nasceu um pequeno livro que se chamava (ainda se chama) "Mulher de Porto Pim", e fiquei muito orgulhoso porque finalmente a minha viagem adquiria um sentido de realidade, começava a existir verdadeiramente.

Antonio Tabucchi, "Autobiografias Alheias", Dom Quixote, 2018

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O Nervo Ótico



talvez olhar para um Rothko tenha algo de experiência espiritual, mas de um tipo que não admite palavras. (...) Sinto as minhas pupilas a dilatarem-se. Abro e fecho os olhos. Quando os abro, o vermelho chupa-me; quando os fecho, flutua sobre o preto das minhas pálpebras. Aproximo-me, procuro ficar parada a quarenta e seis centímetros de distância, como aconselhava Rothko. E penso: como pôde este homem criar as pinturas euforicamente abstratas do seu melhor período artístico no seu pior momento de derrocadas interiores? E isso leva-me a T.S.Eliot: « Quanto mais perfeito é o artista, mais completamente separados estarão dele o homem que sofre e o espírito que cria.

" O Nervo Ótico", María Gainza, D. Quixote, 2018.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Correspondência ao Mar - Vitorino Nemésio

Alfredo Cunha


Quando penso no mar
A linha do horizonte é um fio de asas
E o corpo das águas é luar,

De puro esforço, as velas são memória
E o porto e as casas
Uma ruga de areia transitória.

Sinto a terra na força dos meus pulsos:
O mais é mar, que o remo indica,
E o bombeado do céu cheio de astros avulsos.

Eu, ali, uma coisa imaginada

Que o Eterno pica,
Vou na onda, de tempo carregada,

E desenrolo...
Sou movimento e terra delineada,
Impulso e sal de pólo a pólo.

Quando penso no mar, o mar regressa
A certa forma que só teve em mim ‑
Que onde acaba, o coração começa.

Começa pelo aro das estrelas
A compasso retido em mente pura
E avivado nos vidros das janelas.

Começa pelo peito das baías
A rosar-se e crescer na madrugada
Que lhe passa ao de leve as orlas frias.

E, de assim começar, é abstrato e imenso:
Frio como a evidência ponderada.
Quente como uma lágrima num lenço.

Coração começado pelos peixes,
És o golfo de todo o esquecimento
Na minha lembrança que me deixes,

E a rosa dos Ventos baralhada:
Meu coração, lágrima inchada,
Mais de metade pensamento.

Vitorino Nemésio ,O Bicho Harmonioso.

terça-feira, 20 de março de 2018

Natália Correia





Em 1950 Natália Correia visitou os Estados Unidos. Terra de fascínio e oportunidade para muitos emigrantes, o colosso americano é retratado neste livro, nos seus sucessos e contradições, com a penetrante lucidez da autora, já então capaz de intercalar diferentes registos de escrita com uma mestria prodigiosa.
Entre a Raiz e a Utopia e Descobri que Era Europeia, introdução e notas de Ângela Almeida, são as novas reedições da editora Ponto de Fuga. 

quarta-feira, 7 de março de 2018

Yeats


Tivesse eu o manto bordado do céu,
com fios de luz dourada e prateada,
o manto azul e sombrio e escuro
da noite e da luz e da meia-luz, 
estenderia esse manto a teus pés:
mas pobre como sou, posso apenas sonhar;
estendi os meus sonhos a teus pés;
pisa com cuidado, são os meus sonhos que estás a pisar.

William Butler Yeats

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Um Símbolo de Resistência


Num período de profundas mutações nos hábitos de consumo de bens culturais e de lazer, as livrarias (tradicionais e independentes) lutam de forma desigual pela afirmação da sua cota de mercado, o qual não tem em linha de conta a diferenciação da prateleira mas o valor do desconto.

Isto numa semana em que ficamos a saber que encerrou mais uma livraria histórica em Lisboa, a Aillaud & Lellos, no Chiado.

Esta circunstância teve inúmeras repercussões e levou, inclusive, a uma chamada de atenção da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) para a necessidade de implementação de medidas de apoio (urgente) às livrarias ameaçadas de extinção, recomendando a análise dos mecanismos de apoio vigentes em França, exemplo maior nas políticas de difusão do livro.

Nos Açores, o número de livrarias é reduzido e há ilhas que não as têm. Por regra, o acesso ao livro é possível através das bibliotecas públicas (governamentais, municipais ou escolares), de outros espaços comerciais cuja vocação primordial não é o livro e, num número cada vez mais significativo, pela aquisição online.

Felizmente, ainda, existem espaços que mantêm a sua actividade de forma resiliente. Um dos melhores exemplos, entre nós, é a Livraria Solmar que, complementarmente, ao usual lançamento de livros com autores regionais e nacionais, mantém a organização de feiras temáticas e de iniciativas como a dos ‘Livros do Ano’, cujo principal objetivo é dar a conhecer os livros que constituíram a preferência dos leitores (convidados).

E aqui faço uma declaração de interesses, na medida em que fui um dos convidados da edição deste ano.

Tenho uma relação de amizade para com os seus proprietários, sou um frequentador diário da livraria, um espaço de encontros, de tertúlia improvisada, de conversas distendidas, num tempo dado a pressa(s).

A livraria é, igualmente, um campo de ansiedade e contenção, na medida em que ao olhar para as propostas alinhadas na prateleira, no gosto em desfolhar as páginas à minha frente e sentir o cheiro do papel, sei que não vou conseguir ler tudo o que (já) tenho (até final da minha vida).

Compro mais do que leio, é quase compulsivo, gosto de livros e, em Portugal, as edições estão melhores: nas traduções, na impressão, no design e no papel.
A humidade das ilhas deixa (na maioria dos casos) tudo a perder.

Devia ler mais mas, se pensar bem nisso, nunca li tanto como agora. O dia é preenchido a ler, de forma fragmentada (e acelerada).

Este é um fenómeno transversal a (quase) tudo o que fazemos, pessoal e profissionalmente.

O nosso consumo é realizado na diagonal, em formato descartável e de bolso. Vivemos um período de enormes transformações tecnológicas (que ainda só agora começaram) e que ditam (inconscientemente) a forma como nos correlacionámos, por exemplo, com o cinema, a música e o livro.

Passamos do disco, para a faixa e para a playlist do Spotify.

O cinema (em Ponta Delgada é um duplo desafio) passou para a BOX (oficial e pirateada) e as estrelas cinematográficas estão, preferencialmente, na série televisiva.

O ponto de encontro dos amigos passou a ser um grupo no Facebook.

E o livro dá muitas vezes lugar ao artigo na revista, ao jornal ou ao post.

Afirmar o (pretenso) cosmopolitismo de Ponta Delgada passa por olhar a singularidade de espaços como este, pela promoção (consequente) de políticas de apoio à difusão do livro (e da leitura) e pelo enquadramento de uma linha de apoios públicos a esta actividade (que é cada vez menos um negócio e devia ser entendida como um serviço público).

A livraria (Solmar e muitas outras suas congéneres) é, hoje, um símbolo de resistência à voragem do tempo (e do mercado). 

* Publicado na edição de 22/01/18 do Açoriano Oriental

sábado, 20 de janeiro de 2018

Livros do Ano 2017 - Pelo Mundo dos livros e da Escrita

Fotografia de Tito Fontes
Fotografia de Carlos Olyveira



Tendo como principal objectivo dar a conhecer os livros que constituíram no ano transacto a preferência dos cinco leitores convidados, aqui fica em síntese a lista das escolhas. 
Agradecemos com carinho aos nossos convidados e a todos os presentes.

Ana Monteiro: Silêncio na Era do Ruído de Erling Kagge, Quetzal.
História Íntima da Humanidade, de Theodore Zeldin, Texto Editores.
Volume 2 da Revista Grotta, direção de Nuno Costa Santos, ed. Letras Lavadas.
Alexandre Pascoal: Homens Bons de Arturo Pérez-Reverte, Edições Asa.
A Maldição dos Trinta Denários, de J. Van Hamme, C. de Siegeleer e René Sterne, Ed. Asa.
Catálogo da Exposição Interior/ Exterior, do Museu Carlos Machado.
No âmbito das leituras dramatizadas realizadas no Teatro Micaelense, Alexandre Pascoal destacou ainda dois livros de teatro, Al Pantalone de Mário Botequilha e Peça romântica para um teatro fechado de Tiago Rodrigues, ambas edições da Companhia das Ilhas.

Emanuel Jorge Botelho: As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos três últimos séculos, Antero de Quental, Ed. Artes e Letras. 
Últimos Poemas, José Miguel Silva, ed. Averno
O Caçador Esquimó, Miguel Martins, Ed. Fahrenheit 451.
Baixo Contínuo, Rui Nunes, Relógio D’ Água.
Existência, Gastão Cruz, Assírio & Alvim.
Segundo Emanuel Jorge Botelho um livro de todos os anos é A faca Não Corta o Fogo de Herberto Helder, ed. Assírio Alvim. (2008)

Elsa Soares: A Mais Absurda das Religiões, Nuno Costa Santos, ed. Escritório
ABN da Pessoa com Universo ao fundo, Leonor Sampaio da Silva, Companhia das Ilhas.
A Estranha Ordem das Coisas, António Damásio, Temas e Debates

Pedro Gomes: O Anjo Pornográfico - A Vida de Nelson Rodrigues de Ruy Castro, Tinta da China.
O Pequeno Caminho das Grandes Perguntas, José Tolentino Mendonça, Quetzal
Os Ossos Dentro da Cinza, Emanuel Jorge Botelho, ed. Averno.

Os dois destaques da livraria foram para Os Loucos da Rua Mazur de João Pinto Coelho (Prémio LeYa 2017 ), que estará em Ponta Delgada, no dia 24 de Fevereiro, na livraria para a apresentação do seu premiado romance. 
Volume 2 da Revista Grotta, com apresentação marcada para o dia 15 de Fevereiro, também na livraria.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Livros do Ano 2017


Imagem em Cianotipia por Vitor Marques

Ana Monteiro, Alexandre Pascoal, Elsa M. Soares Emanuel Jorge Botelho e Pedro Gomes são os convidados da Livraria SolMar, para darem a conhecer as suas escolhas/preferências das leituras do ano 2017.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Fahrenheit 451



Pegue nessa aldeia quase toda e divida as páginas por pessoa. E um dia, quando a guerra acabar, os livros poderão voltar a ser escritos. As pessoas serão convocadas uma a uma para recitarem o que sabem, que será impresso, e depois chegará outra Era das Trevas na qual, talvez, tenhamos de repetir toda a operação. Mas é está maravilha do Homem: nunca fica desencorajado ou aborrecido a ponto de desistir do que tem mesmo de ser feito, pois sabe muito bem que é importante e vale a pena.


Ray Bradbury, Fahrenheit 451