quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Inédito de José Saramago


Para celebrar os 20 anos da atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago, a Porto Editora vai publicar o “Último Caderno de Lanzarote”, um diário inédito do autor, descoberto casualmente por Pilar del Rio, correspondente a 1998, ano em que o escritor foi galardoado.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Se a Tua Rua Falasse



Um dos grandes nomes da literatura norte-americana do século XX, James Arthur Baldwin (1924-1987), é publicado pela primeira vez em Portugal. “Se A Tua Rua Falasse” é uma das grandes obras a reter da rentrée, com chancela Alfaguara. 
Profundamente comovente, este romance é uma bela canção de blues, de toada doce-amarga, cheia de esperança. Baldwin foi uma das vozes mais influentes do ativismo pelos direitos civis. 

Em 1979, Baldwin iniciou "Remember This House", um trabalhobiográfico sobre Medgar Evers (1925-1963), Malcolm X (1925-1965) e Martin Luther King Jr. (1929-1968), os três maiores líderes negros da década de 1960 nos EUA, todos eles assassinados. A obra analisava a história do racismo, assim como o tratamento dado às minorias em território norte-americano. O manuscrito inacabado foi confiado ao realizador haitiano Raoul Peck que, combinando textos e imagens de arquivo em que o autor expôs os seus pensamentos em "Iam Not Your Negro" realizado pelo hatiano Raoul Peck, sobre o tema.
Narrado pelo actor Samuel L. Jackson, é uma reflexão sobre as lutas históricas pela igualdade de direitos e a forma como o tema se mantém actual e pertinente no contexto do século XXI.


Obra Completa Vitorino Nemésio



A Rentrée Literária chega com Obra Completa de Vitorino Nemésio, uma edição da Companhia das Ilhas, em parceria com a Imprensa Nacional. 
"Poesia I (1916-1940)", bem como, "Amor de Nunca Mais" (teatro), os contos "Paço do Milhafre" e "O Mistério do Paço do Milhafre" serão os primeiros volumes sair já este mês de Setembro. Podemos contar com "Sob os Signos de Agora / Conhecimento de Poesia/Elogio Histórico de Júlio Dantas", para novembro 
Este projeto editorial é da responsabilidade do Professor Luiz Fagundes Duarte.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Vistas do Mar de Gilberto Bernardo




Norte Sul Azul

Há um olhar que liga o Norte ao Sul (ou vice-versa) e os reúne nesse território (quase) neutro em que um e outro afirmam as suas particularidades, no mesmo momento em que elas se diluem para afirmarem uma coisa outra, que já não é a simples soma de elementos e dados. Esse olhar é o de Gilberto Bernardo, que uma vez mais convoca um segundo olhar, o nosso, para o território da (sua) pintura. 
Este é o tempo do mar. Na sua dimensão natural, na sua dimensão humana também. Às vezes, o azul exasperado é o arrepio de um Inverno que traz consigo rumores e inquietações; outras vezes, ele abre-se aos dias luminosos, mesmo com a cinza açoriana ameaçando a limpidez da paisagem. 
Este é também o tempo dos homens. É possível senti-los na quietação dos barcos alinhados junto às casas como se fossem os frutos de um quintal de terra e mar. Invisíveis, talvez à sombra dos templos ou das casas, os homens vigiam o andamento dos dias ou, algures, entre as redes, medem a extensão das malhas e das pescarias frustradas. 
Do Norte para o Sul, entre cores e mares, viaja o olhar de Gilberto Bernardo. E, com o dele, também o nosso.

Urbano Bettencourt (Julho de 2018)

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

No Verão Todos Somos Xerazade

John Singer Sargent

No Verão Todos Somos Xerazade. Damos por nós em conversas que se espreguiçam, sem cronómetro nem pressas de ver o fim, deslumbradas pela aparente falta de propósito, por não terem requerido, como é habitual nas outras estações, um fito, um lugar e um tempo exactos. Conversas que são, na sua ligeireza, uma espécie de navegação sem rumo, mas onde mais depressa, e não raro de um modo surpreendente para nós próprios, nos reencontramos.


José Tolentino Mendonça, O Pequeno Caminho Das Grandes Perguntas, Quetzal, 2017


quarta-feira, 18 de julho de 2018

A Paria de Chesil


A Paria de Chesil, 1960, Florence e Edward, jovens recém-casados, em lua-de-mel, numa época de grandes alterações sociais e sexuais «Eram jovens, licenciados, ambos virgens naquela sua noite de núpcias, e viviam numa época em que uma conversa sobre dificuldades sexuais, que nunca é fácil, era simplesmente impossível.» 
Do grande escritor britânico Ian McEwan, um romance subtil, adaptado agora ao cinema. Tal como João Lopes diz «É uma dolorosa aventura de impossível romantismo.»

Leia o Livro veja o Filme


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Meridiano 28 de Joel Neto


Em 1939, o mundo entrou em guerra. Foi o conflito mais mortífero da História da Humanidade. Mas, na pequena ilha açoriana do Faial, ingleses e alemães conviveram em paz durante mais três anos. Eram os loucos dos cabos telegráficos.
No mar em frente emergiam os periscópios de Hitler. Dezenas de navios britânicos eram afundados todos os meses. Já em terra, as crianças inglesas continuavam a aprender na escola alemã, dividindo as carteiras com meninos adornados de suásticas. As famílias juntavam-se para bailes e piqueniques.
Os hidroaviões da Pan Am faziam desembarcar estrelas de cinema e de música, estadistas e campeões de boxe. Recolhiam-se autógrafos. Jogava-se tennis e croquet. Dançava-se ao som do jazz. Viviam-se as mais arrebatadoras histórias de amor.
QUEM FOI HANSI ABKE?
QUE SOMBRA LANÇA HOJE SOBRE O DESTINO DE JOSÉ FILEMOM MARQUES, O SOBRINHO CRIADO NO BRASIL?
Um romance que vai de Lisboa a Nova Iorque, de Friburgo a Praga, de Bristol a Porto Alegre e às ilhas açorianas, onde todos são descobertos e ninguém pode ser apanhado.
Um reencontro entre dois homens de tempos distintos e que talvez tenham mais em comum do que aquilo que gostariam de acreditar. Uma memória das mulheres que amaram e talvez não tenham sabido fazê-lo.

Meridiano 28, Joel neto, Ed. Cultura, 2018

Philip Roth 1933-2018


Não estar vivo, basicamente, não sentir a vida, não a cheirar. Mas a diferença entre hoje e o medo que tinha de morrer quando tinha 12 anos é que agora tenho uma espécie de resignação em relação à realidade. Já não me parece uma injustiça tão grande morrer. 

Philip Roth 



sexta-feira, 11 de maio de 2018

Corpo Triplicado de Maria Brandão



Corpo Triplicado é um conjunto de ficções curtas dedicadas a personagens singulares: um vendedor de bíblias, uma ninfomaníaca literata, um mirone de balcão de bar, uma executiva com tensão pré-menstrual, um individualista na andropausa, um sedutor míope, uma freira perdida em Amesterdão. Personagens solitárias, desconcertantes, delirantes, encerradas num mundo descrente na humanidade, que decorre da observação de um episódio, um padrão comportamental, um parágrafo literário, uma música, uma fotografia. Tédio, desamor, solidão, decadência, desejo, sexo, morte são alguns dos ingredientes servidos a seco, sem ingenuidade, numa linguagem dura, mas elegante, com um ritmo rápido e um humor mordaz.

Nas livrarias na última semana de Maio de 2018.

terça-feira, 8 de maio de 2018

A Febre das Alamas Sensíveis



Respiravam todas. Contavam respirar no dia seguinte. Não tinham nenhuma moléstia que as inquietasse. Uma rapariga, esbarrando nele, deixou cair a bolsinha de mão. Ernest apanhou-a num movimento rápido e devolveu-lha; sorriram um para o outro com o mesmo embaraço simpático. Era bonita. ‘Se esta sonhasse que eu sou, ou fui, tísico…’”
Isabel Rio Novo, A Febre das Almas Sensíveis
(...)«A originalidade de A Febre das Almas Sensíveis vem ainda de outras formas narrativas e da própria construção de personagens. A saber, uma jovem investigadora decide passar algum tempo nas ruínas do Caramulo em busca de documentos perdidos, desde cartões postais a cartas pelas quais reconstrói vidas inteiras no contexto do seu tempo e condição social. Por outras palavras, a metáfora aqui nunca deixa de existir, mas refere-se mais à sociedade do que ao doente ou doentes. Os nomes dos personagens são muitos, mas a narradora nunca deixa o leitor pendurado em incertezas ou insinuações. Quase hesito em utilizar esta designação formalista, só que a Febre das Almas Sensíveis se assemelha ao que então se chamava nos Estados Unidos “realismo romântico”, a realidade da esperança e a força de cada um ou uma de vencer perante o pior das situações pessoais ou mesmo familiares. Todos eles vivem, como creio ter escrito Jorge de Sena num poema quando contraiu também uma “doença prolongada”, a morte social antes da previsível morte física. Todos se desviam, todos pretendem certa preocupação ao longe, todos vivem no medo do seu meio ambiente e das notícias que partem de quem está gravemente doente. “Em casa, — escreve a narradora — acautelando o contágio, Natália separava a louça de Armando, destinando-lhe um prato e uma malga para uso próprio, sacudia-lhe as roupas e deixava-as apanhar o ar na varanda durante a noite”. O período mais focado no romance é precisamente a época salazarista.» 
Vamberto Freitas. 
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