
Thomas Bernhard, austríaco, autor maior da segunda metade do século xx, e certamente um dos mais pólemicos, escreveu um livrinho agora editado em Portugal pela Quetzal chamado Os Meus Prémios. É um divertido relatório, sobre os muitos prémios e homenagens que aceitava apenas pelo dinheiro, “Ninguém censura a um mendigo que aceite dinheiro das pessoas, sem perguntar de onde lhes vem o dinheiro que lhe dão”. Cedo Bernhard passou a desprezar os meios literários, os salões, auditórios , câmaras municipais, para ele era tudo patético, muita pomposidade e ignorância, os ministros ressonam, as orquestras desafinavam, dados biográficos errados e elogios incompreensíveis, e quase toda a gente era idiota. O Grande Premio afinal devia chamar-se Pequeno. E antes ou depois do cheque um último suplício, as palavras de agradecimento, “ Eu não encontrei nenhum tema para um discurso. Pensei se devia talvez referir-me à situação mundial, que como sempre, era bastante má. Ou aos países em desenvolvimento? Ou à negligenciada assistência aos doentes? Ou ao mau estado das nossas escolas. Devia dizer qualquer coisa sobre o Estado em si ou sobre a arte em si ou sobre a cultura em geral? Será que devia talvez mesmo dizer qualquer coisa sobre mim próprio? Achei tudo repugnante e nojento”.
Seria o escritor portador de mau feitio ou dono da razão?
1 comentário:
tem razão, mas perde-a ao aceitar os prémios
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