sábado, 2 de janeiro de 2010

Balanço

Num ano de crise económica, e depois de grandes mudanças no panorama editorial português com o aparecimento da Leya, notou-se em 2009 um abrandamento na actividade, com cortes nos planos de edição e quebras significativas nas vendas.
Resultado das dificuldades transversais no sector, a maior rede de livrarias do país está à venda, constituindo a grande incógnita de 2010, que destino terá a Bertrand?
Contudo foi um ano rico em livros com potencial para lutar pelos primeiros lugares do top, Miguel Sousa Tavares, José Rodrigues dos Santos, José Saramago, Ricardo Araújo Pereira, António Lobo Antunes, Margarida Rebelo Pinto e o grande fazedor de best- sellers Dan Brown. Rodrigues dos Santos foi o vencedor com “Fúria Divina” ao vender 150 mil exemplares, em poucas semanas. Os vampiros tomaram conta das leituras dos mais novos e das tabelas dos mais vendidos, a unanimidade da crítica e um forte lançamento, fizeram de 2666, romance póstumo de Roberto Bolaño, o melhor livro do ano. Num pais em que 18 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza, com elevadas taxas de desemprego, onde ainda existe um milhão de analfabetos, a leitura continua a não ser uma prioridade para os portugueses. Sobra a editoras e livreiros a resistência.

3 comentários:

geocrusoe disse...

Todavia 2009 foi o ano que mais livros comprei na última década, por acaso nenhum dos referidos no post, mas permito-me destacar um livro lido: "As Benevolentes" de Jonathan Litell e o lançamento em Portugal de um dos meus livros preferidos da década(li o original) "O assassino cego" de Margaret Atwood, o booker prize de 2000.

Sam disse...

A mim, espanta-me a divergência entre o número de livros publicados e os índices de (baixa) literacia que, todos os anos, rotulam Portugal.

Poder-se-á falar de "inflação literária"?

Quanto a balanço, 2666 também foi o livro que mais me marcou no ano passado. A MORTE DE BUNNY MUNRO revelou-me uma faceta que não conhecia do fantástico Nick Cave.

Abraço!

pb disse...

José Carlos... estou numa crise de leitura. As minhas leituras estão, de momento, a ser outras.