sábado, 23 de fevereiro de 2008

Necessário Ler



A Sala Magenta é o novo romance do escritor Mário de Carvalho.
Depois do seu último livro, Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina, surge agora o novo livro deste grande escritor português.
A partir do dia 28 de Fevereiro nas livrarias.
"Qual é o leitor para este livro?
Eu não ponho essa questão pois conto com os leitores e não com audiências. Quis que este livro fosse autêntico, não concebo o romance para ficar na gaveta, é para ser lido e comunicar com as pessoas que façam alguma coisa com ele, que reelaborem o seu livro comigo."
Mário de carvalho - Diário de Notícias

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Uma Maravilha


Construida numa igreja do século XIII - Maastricht/Holanda

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Verdadeiramente Importante

Evento literário ibero-americano de referência, tem vindo de ano para ano a atingir dimensões importantíssimas no nosso país.
Realizado na Póvoa de Varzim, acolhe este ano pela nona vez consecutiva, 62 participantes, vindos de Portugal, Espanha, Angola, Brasil, Argentina, Guatemala, Colômbia, Moçambique, Cuba, Peru e Guiné.
São quatro dias com 21 lançamentos, nove mesas redondas, sessões de poesia, música e muita conversa, tornando-se numa autêntica maratona, que conta com escritores como Mia Couto, José Eduardo Agualusa, Pepetela, Eduardo Mendonza, Francisco José Viegas, Onésimo Teotónio Almeida, Almeida Faria, Leonardo Padura, isto só para citar alguns participantes neste acontecimento ímpar em Portugal.
Parabéns à Câmara Municipal da Póvoa de Varzim entidade organizadora deste encontro.
A abertura das Correntes D’Escritas esteve a cargo do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa ,escolha perversa, numa altura em que a ausência de programas dedicados ao livro na nossa televião é total. Para mais os telejornais ignoraram por completo este acontecimento.
Ignorância pura. Quem lhes disse que os livros não têm audiências!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Ao meu Avô II

Ainda Lagoa de Santo André
“ – Que tem? – indaga, delicadamente, o sujeito.
– Caldeirada e bifes – foi a resposta de Daniel.
– E pescada? – pergunta, delicadamente a senhora.
– Só caldeirada e bifes.
E, assim por diante, a senhora a insistir, delicadamente, se não haveria esta ou aquela comida e Daniel, já de olho duro, a repetir a mesma breve ementa. Até que, perdida a paciência, volta-se para os clientes, num meio sorriso, exclama:
– Chiça! O que isto são de chatas, as mulheres! Vocês têm estado a ouvir? Eu a dizer que só tenho caldeirada e bifes e esta a azucrinar-me com pescadas, linguados e nem sei que mais!
De espanto, a senhora entreabriu a boca, suspensa. Alto e forte o sujeito moveu o tronco, como que a levantar-se.
Logo, calmo, dominador, recostando-se na cadeira, com voz lenta e segura, pediu delicadamente:
– Traga a caldeirada. Mas, ao menos, espero que seja boa.
A frase soou a Daniel como uma ofensa.
– Maria! – gritou ele. – Traz daí uma panela cheia!
– e para o sujeito: – Aposto que nunca comeu na sua vida uma caldeirada como as que eu preparo!
– É o senhor que as prepara? – interrogou o sujeito.
De olhos semicerrados, Daniel soltou uma gargalhada:
– E então? Que é que as mulheres além do que é próprio delas, sabem fazer bem feito? Nada!
Veio a panela. Daniel sondava, inquieto, o rosto do casal. Ao notar-lhe a expressão de agrado, voltou a gargalhar:
– Hem? Alguma vez comeram obra desta?
Foi buscar um prato, sentou-se. Dai a pouco conversavam como três velhos amigos íntimos. Daniel alegrando as frases curtas mas muito expressivas interjeições; a senhora e o senhor, sorridentes e discretos, repetindo a caldeirada.
Voltaram a aparecer todas as semanas. Cimentado o convívio em redor da caldeirada, Daniel, virado para os circunstantes, afirmava:
– Não há como uma boa comida para fazer uma boa amizade!
Os senhores sorriam, delicados. E nós, velhos comensais, concordávamos mudamente, quem come não fala, regando com branco, gelado, a bela caldeirada “Chez Daniel”.

Estes dois excertos foram retirados de um livro de contos de Manuel da Fonseca, em que a personagem Daniel, não é ficcionada, mas sim a mais pura da realidade. Este senhor era de facto o meu avô, e o seu restaurante Chez Daniel ainda hoje existe. Recomendo vivamente (mesmo sendo suspeita) , caldeirada, bom peixe, e bife claro.
Para quem não sabe Lagoa de Santo André fica no magnífico litoral alentejano. Façam uma boa viagem e tenham uma belissima refeição regada com um optimo vinho alentejano.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Mil Horas de Leitura

No final do mês nas livrarias

Por Aqui Por Ali

Livraria Lello - Porto

Por aqui por Ali

Shakespeare and Company, Paris

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Por Aqui Por Ali

Atlantis Books - Santorini, Grécia

Ao meu Avô I

Lagoa de Santo André, antes e depois

“Ano atrás, saindo à areia, Daniel, com longo sopro num búzio, avisava a praia que o almoço ou o jantar estavam prontos. Na falta da antiga e bela forma de notícia é a fome, agora, que marca a hora das refeições.
Cada família na mesa habitual, Daniel ou a mulher, a senhora Maria, nossa comadre, ou os filhos, cunhados, sobrinhos, conforme aconteça encontrarem-se ali, distribuem as panelas de peixe, os bifes, as garrafas de vinho. A meio da refeição, Daniel, munido de prato e talher, escolhe, por simpatia de momento, uma das mesas­-“ Com licença, que também preciso”- e come, de conversa com os clientes.
Pitoresco nas descrições, directo e franco na apreciação de indivíduos e de acontecimentos, é seu pendor falar de modo a que todos o oiçam. Desconhecedor de interjeições, tais como apre, cáspite, usa, público e raso de palavras de pura raiz vicentina.
Um exemplo: certo dia, almoçávamos, pára, em baixo, onde a estrada termina, já dentro da areia, um majestoso último modelo e sai, vestindo de acordo com a magnificência do carro, um casal de meia-idade. Pelo estrado sobem a “ Chez Daniel”, sentam-se na única mesa vaga, examinando, em volta, discretos mas um tanto desconfiados, pessoas e comidas.”
Manuel da Fonseca - À Lareira Nos Fundos Da Casa Onde o Retorta Tem o Café

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Foi no VII Aniversário da SolMar


Depois de apadrinhada por Lobo Antunes na sua inauguração (1991), a figura de José Cardoso Pires foi um dos pontos mais importantes para a SolMar ( não esquecendo todos os outros que por aqui passaram ), dando grande prestígio a este espaço literário.
Por razões muito pessoais e afectivas foi com uma felicidade inexplicável que recebemos a notícia de que a estreia das Edições Nelson de Matos será feita com a publicação de inédito de Cardoso Pires
Gratificado estará qualquer livreiro que se preze pela chegada deste título "Lavagante", escrito em 1968 antes da publicação do Delfim, e agora revisto por sua filha Ana Cardoso Pires.
Editora com nome próprio digna de um dos maiores escritores portugueses da segunda metade do século XX.
Esta será a melhor forma de assinalar dez anos de saudade.