sexta-feira, 14 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
O Museu da Inocência
Interview with Orhan Pamuk from Granta magazine on Vimeo.
O Museu da Inocência é uma história de amor, passada em Istambul, entre a Primavera de 1975 e os últimos anos do século XX, e conta a história da paixão obsessiva do herdeiro de uma família rica, Kemal, por uma prima afastada, Füsun, de um meio social menos favorecido. Mas Kemal está noivo da filha de uma das famílias da elite istambulense. Entretanto, Kemal começa a coleccionar objectos pessoais e outros que lhe fazem lembrar a sua amada. Esses objectos são simultaneamente um fetiche e uma crónica da sua felicidade e das mágoas, um mapa de sinais de todos os sítios onde estiveram juntos. Com o tempo, a compulsão do coleccionador acabará por dar origem a verdadeiro museu, que também permite explorar uma Istambul meio ocidental e meio tradicional, a sua emergente modernidade e a sua vastíssima história e cultura.
O Museu da Inocência de Orhan Pamuk, Ed. Presença.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Snobs
“Estou farto de Circulares da Corte. Abomino a inteligência haut-ton. Acredito que palavras e expressões como estar na moda, exclusivo, aristocrático e outras semelhantes são epítetos perversos e anticristãos que deveriam ser banidos de qualquer dicionário de confiança. Um sistema de tribunais que relega homens de génio para lugares secundários é, na minha opinião, um sistema snob. Uma sociedade que se pretende elegante e ignora as artes e as letras é, na minha opinião, uma sociedade snob. Vós, que desprezais o vosso vizinho, sois um snob; vós, que vos esqueceis dos vossos amigos só para irdes atrás dos que ocupam um lugar mais alto na sociedade, sois um snob; vós, que tendes vergonha da vossa pobreza e corais da profissão que exerceis, sois um snob, tal como o sois também vós, que vos gabais do vosso pedigree ou tanto orgulho tendes na vossa riqueza.Rir de pessoas como estas é tarefa de Mr. Punch. Que possa fazê-lo de forma honesta, sem batota, e dizer a verdade enquanto esboça um sorriso rasgado- sem nunca esquecer que o Riso é uma boa coisa, a Verdade é ainda melhor e o Amor a mais importante de todas.”
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Submundo

«O poder político a mesclar-se lubricamente com a arte e a literatura. Historiadores de calvas proeminentes na pândega com a gente bonita da sociedade e da moda. Havia diplomatas a dançar com estrelas de cinema e laureados com o prémio Nobel a contar histórias a grandes armadores em clima de grande intimidade, e o demimonde da Broadway e da indústria dos mexericos convivia alegremente com correspondentes estrangeiros.
Havia a percepção constrangida de um momento profundo e intenso em gestação. Uma perspectiva medonha, pensou Clyde, porque sugeria uma continuação dos anos da era Kennedy. Anos esses em que um certo movimento fluido se tornou possível. Em que o sexo, as drogas e os palavrões começaram a delir a natureza estratificada da cultura.»
Submundo é a crónica de vidas ordinárias inseridas no último meio século da história americana. No imenso palco do romance, elas cruzam-se com figuras que marcaram a época – J. Edgar Hoover, Frank Sinatra, entre outras. DeLillo faz surgir uma obra de arte deslumbrante do outro lado, obscuro e escondido, da humanidade contemporânea.Adorado pela crítica, nomeado para o National Book Award (1997), para o Pulitzer Prize (1998), segundo classificado no prémio que distingue o melhor romance americano dos últimos 25 anos e vencedor, em 2000, de uma medalha da American Academy os Arts and Letters pela mais eminente obra de ficção dos últimos anos. O seu autor, Don DeLillo, é recorrentemente apontado ao Nobel da Literatura e está na vitrina da melhor ficção norte-americana ao lado de autores como Salinger, Pynchon ou Cormac McCarthy.
Submundo é um livro magnífico de um mestre americano. Salman Rushdie
Clausura atlântica
sexta-feira, 7 de maio de 2010
De Bicicleta com David Byrne
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Desde o princípio dos anos 1980 que David Byrne usa a bicicleta como principal meio de transporte em Nova Iorque. Há vinte anos, descobriu as bicicletas desdobráveis e começou a levá-las para as tournées e outras viagens de recreio. A escolha de Byrne deveu-se mais à conveniência do que a qualquer motivação política. E à medida que via mais cidades a partir da sua bicicleta, foi ficando apanhado por este meio de transporte e pela sensação de liberdade que o mesmo proporciona. Convencido de que o ciclismo urbano favorece um conhecimento mais profundo da pulsação e do ritmo das populações e topografias, Byrne começou a escrever um diário com as suas observações.
De Berlin a Buenos Aires, de Istambul a São Francisco, de Sydney a Nova Iorque, Diário da Bicicleta regista não só o que Byrne vê e quem encontra, como também as suas reflexões sobre world music, urbanismo, moda, arquitectura, e muito mais, numa combinação pessoalíssima de humor, curiosidade e humildade.
Diário da Bicicleta de David Byrne, Ed.Quetzal.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Guilherme de Figueiredo lança "Campo Santo"
Lançamento do livro "Campo Santo" de Guilherme de Figueiredo from ARTilharia TV on Vimeo.
A colectânea de fotografias, debruça-se sobre as festividades do Senhor Santo Cristo dos Milagres, através de figuras e situações captadas pela objectiva do autor. O grafismo é de José Albergaria. Trata-se duma edição Publiçor. O evento decorreu na Livraria Solmar em Ponta Delgada
terça-feira, 4 de maio de 2010
Provas de Contacto
A Viúva Grávida
Estamos no Verão de 1970- um Verão longo e quente. Num castelo em Itália, meia dúzia de jovens flutuam sobre um mar de mudança, levados na corrente da revolução sexual. As raparigas comportam-se como rapazes e os rapazes continuam a comportar-se como rapazes. E Keith Nearing - um estudante de literatura com vinte anos, às voltas com o romance inglês- luta para que o feminismo e o novo poder das mulheres reverta a seu favor.
A revolução sexual pode ter sido uma revolução de veludo, mas não aconteceu sem derramamento de sangue…
A Viúva Grávida é uma comédia de costumes, um pesadelo. Um livro brilhante, assombroso e gloriosamente arriscado.
É Martin Amis no auge da sua audádicia.
sábado, 1 de maio de 2010
Adoecer
« O facto de se achar naquele recinto, onde também os Pré-Rafaelitas estavam representados com pinturas, devolvia aos seus modos a altivez que mantivera dominada em Sheffield. Ela sabia usar todo o poder que tinha o seu cabelo e, ao levar as mãos à nuca, para o desprender, sabia o que fazia. Apenas uma espécie de mulheres, para além das rameiras, exibia a cabeleira solta. Eram mulheres que existiam a duas dimensões e cuja improbabilidade sexual lhes permitia quase uma nudez. Mesmo as figuras das fotografias buscavam um estatuto de inocência igual à das pintadas sobre tela. Na Exposição, no meio de muitas outras que, com a sua novidade técnica, desorientavam o olhar do público, a visita de um jovem a um bordel onde o esperavam cortesãs despidas provocou atitudes de censura. Mas a rainha decidiu que não passava de uma obra de arte e retirou-lhe o peso do real. Ela, a quem se devia a inspiração para a moralidade de uma época, comprou-a por dez libras para o marido.
Lizzie, com o seu cabelo desarranjado como por acidente de viagem, e onde a pequena touca não passava de uma folha caída, cruzava uma influência com os quadros. Saía deles, ardendo, sem que a chama fosse mais do que luz e pigmento. O próprio nome dessa cor, Ticiano, provindo do pictórico, fugia ao catálogo comum. O termo «ruiva», que subentendia a crença em marcadores genéticos de aviso sobre pessoas pouco aconselháveis, foi-lhe aplicado com frequência. No entanto, o que quer que existisse de vermelho perdia-se na massa acobreada. A chuva que caía sobre os vidros daquele tecto em abóbada não podia apagar todo o brilho que emanava.»
sua voz intensidade erótica que prevenisse Lizzie contra o homem que estava a querer entrar na sua vida.»
Adoecer, de Hélia Correia, Relógio d'Água, 2010.
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«O “mito Lizzie” declina-se em algumas palavras: beleza romântica e doentia, inclinações mórbidas, atracção pelo decadente, destino trágico e transgressão dos códigos a que as mulheres estavam sujeitas (e, neste sentido, há nela um princípio de afirmação feminista longamente explorado no romance de Hélia Correia). Ela é uma presença misteriosa e espectral, vinda de uma zona de trevas que não é contemporânea do seu tempo. Daí a atracção que exerce sobre aquele grupo de tard venus (mas, ao mesmo tempo, vanguardistas), fascinados pelas fantasmagorias da história. No romance de Hélia Correia, a doença é mais do que um leitmotiv, é um acontecimento (daí, o infinitivo do título: “Adoecer”) que emerge como uma verdadeira personagem, o sujeito de uma narrativa. Na beleza e na doença (as duas coisas estão intimamente ligadas), Lizzie representa um ideal feminino (…). Ela é, em sim, uma personagem romanesca, eminentemente literária. E é esta dimensão que surge aqui explorada exaustivamente.»
(António Guerreio, Actual, 24 ABR)





