A Monstra festival de animação de Lisboa, que começou dia 11 de Março, e termina a 21, está em festa pelo seu 10º aniversário. Apresenta em estreia nacional, Mary and Max, escrito e realizado por Adam Elliot e que conta com as vozes de Toni Collette, Philip Seymour Hoffman e Eric Bana. O filme integrou o Festival de Sundance em 2009, tendo recebido uma menção honrosa, inteiramente merecida tratando-se pois de uma monstruosa obra de arte.
sábado, 13 de março de 2010
Era Um Sábado e Tinha Umas Horas Livres
"Era um sábado e tinha umas horas livres. Resolveu passá-las fora de casa, com um livro, enquanto ainda fazia fresco; preferia ler longe das vistas da sua secretária, que lia só livros a que chamava sérios, entre eles os do doutor Saavedra.
Escolheu uma colecção de histórias de Jorge Luis Borges. Borges partilhava dos gostos que ele próprio herdara de seu pai- Conan Doyle, Stevenson, Chesterton. Ficções parecia-lhe uma agradável variante do último romance do doutor Saavedra, que não fora capaz de terminar. Estava cansado dos heróis sul-americanos."
O Cônsul Honorário, Grahm Greene
Era um sábado e tinha umas horas livres. Resolvi passá-las em casa, com um livro, enquanto lá fora a chuva e o vento não parar.
O Cônsul Honorário é um dos livros mais famosos de Graham Greene e aquele que o próprio autor considerava como o seu melhor romance, e simultaneamente, o que lhe mais custou a escrever.
A obra tem como cenário uma cidade da Argentina, mas o pano de fundo é ocupado pela ditadura do general Alfredo Stressner, durante 35 anos, Um grupo de guerrilheiros paraguaios decide raptar um embaixador americano para exigir como resgate a libertação de presos políticos. Mas quem acaba por ser raptado por engano é Charley Fortnum, um cônsul honorário britânico e bêbado diplomado, sem o mínimo valor de troca em termos políticos, O governo britânico não está interessado em salvar o seu cônsul, criando uma situação extremamente grave para Fortnum…
Tal como todos os livros de Greene, O Cônsul Honorário é um romance de acção, de espionagem e , acima de tudo, um drama moral. O seu enredo engenhoso e o seu humor subtil inspiraram, em 1983, um filme com Michael Caine no magnífico papel de cônsul.
Estou já perto do fim do livro, e as personagens temem pelo fim da vida, numa altura em que continua a chover lá fora.
Escolheu uma colecção de histórias de Jorge Luis Borges. Borges partilhava dos gostos que ele próprio herdara de seu pai- Conan Doyle, Stevenson, Chesterton. Ficções parecia-lhe uma agradável variante do último romance do doutor Saavedra, que não fora capaz de terminar. Estava cansado dos heróis sul-americanos."
O Cônsul Honorário, Grahm Greene
Era um sábado e tinha umas horas livres. Resolvi passá-las em casa, com um livro, enquanto lá fora a chuva e o vento não parar.
O Cônsul Honorário é um dos livros mais famosos de Graham Greene e aquele que o próprio autor considerava como o seu melhor romance, e simultaneamente, o que lhe mais custou a escrever.
A obra tem como cenário uma cidade da Argentina, mas o pano de fundo é ocupado pela ditadura do general Alfredo Stressner, durante 35 anos, Um grupo de guerrilheiros paraguaios decide raptar um embaixador americano para exigir como resgate a libertação de presos políticos. Mas quem acaba por ser raptado por engano é Charley Fortnum, um cônsul honorário britânico e bêbado diplomado, sem o mínimo valor de troca em termos políticos, O governo britânico não está interessado em salvar o seu cônsul, criando uma situação extremamente grave para Fortnum…
Tal como todos os livros de Greene, O Cônsul Honorário é um romance de acção, de espionagem e , acima de tudo, um drama moral. O seu enredo engenhoso e o seu humor subtil inspiraram, em 1983, um filme com Michael Caine no magnífico papel de cônsul.
Estou já perto do fim do livro, e as personagens temem pelo fim da vida, numa altura em que continua a chover lá fora.
sexta-feira, 12 de março de 2010
A Cultura - Mundo

A noção de cultura alterou-se profundamente. Nos nossos dias, moda, publicidade, turismo, arte, urbanismo… nada escapa ao domínio da cultura. Esta transformou-se numa cultura-mundo, a do tecnocapitalismo generalizado, das indústrias culturais, do consumismo à escala global, dos media e das redes digitais. Ao transcender agora todas as fronteiras, e tornando mais confusas as antigas dicotomias entre «civilização» das elites e a «barbárie» da populaça, ela manifesta uma vocação planetária e premeia todos os sectores de actividade.
Ao analisarem esta transformação, os autores avançam pistas para um possível curso de acção que enfrente o primado, em crescimento, do consumismo e a desorientação generalizada desta época.
E se os anos vindouros fossem, paradoxalmente, os da «vingança» da cultura»?
Gilles Lipovetsky é um reputado filósofo e sociólogo francês, autor de vasta obra sobre as transformações da sociedade contemporânea, destaque para A Era do Vazio, e o Império do Efémero.
Jean Serroy é professor universitário e autor de várias obras sobre literatura e cinema, com especial destaque para Entre Deux Siècles, obra monumental dedicada ``a produção cinematográfica mundial.
Ao analisarem esta transformação, os autores avançam pistas para um possível curso de acção que enfrente o primado, em crescimento, do consumismo e a desorientação generalizada desta época.
E se os anos vindouros fossem, paradoxalmente, os da «vingança» da cultura»?
Gilles Lipovetsky é um reputado filósofo e sociólogo francês, autor de vasta obra sobre as transformações da sociedade contemporânea, destaque para A Era do Vazio, e o Império do Efémero.
Jean Serroy é professor universitário e autor de várias obras sobre literatura e cinema, com especial destaque para Entre Deux Siècles, obra monumental dedicada ``a produção cinematográfica mundial.
Uma Políttica Cultural Diferente Para o Livro
Uma Política Cultural Diferente
"E o livro? Que papel pode ser o do Estado neste domínio? Seguramente e desde logo, utilizar as novas tecnologias para prolongar a vida do livro e aumentar a sua difusão. Em França, a digitalização empreendida pela Biblioteca Nacional vai no bom sentido, que é o de disponibilizar a todos do seu fundo e aos investigadores as obras mais especializadas e de mais difícil acesso, sem abandonar apenas à lógica do mercado a escolha dos livros a digitalizar. Todavia, isto não é suficiente. Sabendo-se que num país como a França o analfabetismo representa 9% da faixa etária compreendida entre os 18 e os 65 anos e que são mais do dobro os que têm grandes dificuldades em interpretar um texto simples, a prioridade evidente duma política que pretenda democratizar a cultura e lutar contra o que um relatório do movimento ATD-Quart Monde designa justamente como “a cultura truncada” deve ser a aprendizagem da leitura, problema que não afecta apenas os países subdesenvolvidos. A lógica de uma verdadeira democratização cultural é começar pelo princípio!
Depois disso, podem ter lugar outras formas de intervenção pública, cujo papel não é imiscuir-se no mercado do livro, mas contribuir para a diversificação e impedir que as publicações de interesse não comercial fiquem condenadas por não serem rentáveis. Neste caso, cabe ao mercado solicitar a ajuda do Estado em sectores particulares- domínios especializados do saber, traduções, reedições de grandes textos que a lógica do mercado por si só não justifica, livros difíceis-, não é o estado que se deve substituir ao mercado. Um organismo como o CNL (Centre national du livre) é a este respeito exemplar. A sua acção poderia ser alargada do domínio puramente cientifico ao sector económico: tal como fazem para as publicações, os seus comités de especialistas poderiam tratar dos dossiês de apoio, subsídios e empréstimos às pequenas livrarias, aos pequenos editores e aos centros de publicação e de difusão regionais.
A batalha do livro, na qual o preço fixo constitui um elemento indispensável de sobrevivência, consiste, no caso do Estado, em manter vivo o livro.
Insubstituível, o livro é em si mesmo uma porta de acesso à reflexão, ao saber, à beleza e ao imaginário."
A Cultura-Mundo, Resposta A Uma Sociedade Desorientada, Gilles Lipovetsky, Jean Serroy, Edições 70
"E o livro? Que papel pode ser o do Estado neste domínio? Seguramente e desde logo, utilizar as novas tecnologias para prolongar a vida do livro e aumentar a sua difusão. Em França, a digitalização empreendida pela Biblioteca Nacional vai no bom sentido, que é o de disponibilizar a todos do seu fundo e aos investigadores as obras mais especializadas e de mais difícil acesso, sem abandonar apenas à lógica do mercado a escolha dos livros a digitalizar. Todavia, isto não é suficiente. Sabendo-se que num país como a França o analfabetismo representa 9% da faixa etária compreendida entre os 18 e os 65 anos e que são mais do dobro os que têm grandes dificuldades em interpretar um texto simples, a prioridade evidente duma política que pretenda democratizar a cultura e lutar contra o que um relatório do movimento ATD-Quart Monde designa justamente como “a cultura truncada” deve ser a aprendizagem da leitura, problema que não afecta apenas os países subdesenvolvidos. A lógica de uma verdadeira democratização cultural é começar pelo princípio!
Depois disso, podem ter lugar outras formas de intervenção pública, cujo papel não é imiscuir-se no mercado do livro, mas contribuir para a diversificação e impedir que as publicações de interesse não comercial fiquem condenadas por não serem rentáveis. Neste caso, cabe ao mercado solicitar a ajuda do Estado em sectores particulares- domínios especializados do saber, traduções, reedições de grandes textos que a lógica do mercado por si só não justifica, livros difíceis-, não é o estado que se deve substituir ao mercado. Um organismo como o CNL (Centre national du livre) é a este respeito exemplar. A sua acção poderia ser alargada do domínio puramente cientifico ao sector económico: tal como fazem para as publicações, os seus comités de especialistas poderiam tratar dos dossiês de apoio, subsídios e empréstimos às pequenas livrarias, aos pequenos editores e aos centros de publicação e de difusão regionais.
A batalha do livro, na qual o preço fixo constitui um elemento indispensável de sobrevivência, consiste, no caso do Estado, em manter vivo o livro.
Insubstituível, o livro é em si mesmo uma porta de acesso à reflexão, ao saber, à beleza e ao imaginário."
A Cultura-Mundo, Resposta A Uma Sociedade Desorientada, Gilles Lipovetsky, Jean Serroy, Edições 70
quinta-feira, 11 de março de 2010
O Divino Bénard
Alfred Hichcock"A escrita de Bénard, costurada em digressões permanentes, parêntesis e alvéolos, mostra, além disso, como a palavra é inseparável da memória."
José Tolentino Mendonça
Se Eu Seria Personagem
Uma leitora minha, que faz o favor de ser minha amiga, como se dizia em português servil, perguntou-me esta semana, com algum enleio, se eu agora me ia voltar a voltar só para crónicas de cinema.
Descansei-a. Lembrei-lhe que, pelas novenas de Novembro, me tinha dado no goto escrever três amados filmes, que estão ai para se ver. O criminoso volta sempre ao local do crime, mas raramente o reconstitui como morada permanente. Ela que me voltasse a ler em Dezembro e ia encontrar-me em quartos escuros, mas não no escuro do cinema.
Mas quando abri a porta do quarto escuro-ou o quarto escuro abriu a porta quando me fechou a mim-quem me salvou ao caminho, de tal modo que lhe não pude escapar?
Sir Alfred Hitchcok. Ele mesmo, o cineasta. Juro que não premeditei. Juro que não quis enganar nem os leitores, nem a minha amiga. Mas há coisa alguma a fazer se certo dia… Certo dia, mais do que outros quaisquer, são os incertos dias que temos atravessado, distraídos a ranger os dentes ou a observar a lei de Lynch. « Tudo são perigos, mesmo o que semelha necessário consolo», escreveu Guimarães Rosa, depois de pedir à morte para não o enlouquecer mais. « Ah, ninguém sabe quão terrível é a loucura dos mortos. Mortos-isto é-os que ainda dormem.» … Quando não podemos trocar com ninguém e quando a chuva é o nosso único, absurdo, mas irremediável lugar, estamos perto de saber que não há nenhuma coincidência entre o olhar com que nos vemos e o olhar que o próprio espelho nos devolve.
Então pode voltar-se a esperar para o resto da vida. Porque não somos personagens e pode-se sempre voltar para o fim da ida, do fim da vida. Nosso começo, começo dela. Como nos espantaremos quando virmos tudo do outro lado.
João Bénard da Costa, Crónicas: Imagens Proféticas e Outras, Assirio & Alvim
quarta-feira, 10 de março de 2010
O Coração e a Garrafa
Vencedor em 2009 do Bafta for Children's Animation, Lost And Found baseado num livro de Oliver Jeffers

Era uma vez uma menina que vivia fascinada com o mundo à sua volta. Até que um dia algo aconteceu que a fez pegar no seu coração e guardá-lo num sítio seguro. Pelo menos durante algum tempo...Só que, a partir dai, nada parecia fazer sentido. Saberia ela quando e como recuperar o seu coração?
Com esta história comovente, Oliver Jeffers explora os temas difícies do amor e da perda, devolvendo-nos, de maneira notável, um sopro de alento e de vida.
O Coração e a Garrafa é o seu sexto livro, no qual faz de novo uso de técnica mista, agora com recurso à imagem fotográfica, editado pela Orfeu Mini.
Com esta história comovente, Oliver Jeffers explora os temas difícies do amor e da perda, devolvendo-nos, de maneira notável, um sopro de alento e de vida.
O Coração e a Garrafa é o seu sexto livro, no qual faz de novo uso de técnica mista, agora com recurso à imagem fotográfica, editado pela Orfeu Mini.
O Incrível Oliver Jeffers

O Irlandês Oliver Jeffers é um artista multidisciplinar, cujo trabalho se estende à escrita e ilustração de livros para crianças. Autor de O Incrível Rapaz Que Comia Livros, já publicado na colecção Orfeu Mini, tem recebido vários prémios, dos quais se destacam o Irish Book of the Year e medalha de ouro do Nestlé Children’s Book Award.
terça-feira, 9 de março de 2010
Excessiva Emotividade
Nascido há cem anos, no dia 9 de Março, Samuel Barber (1910-1981) é um compositor cuja obra representa um dos marcos mais relevantes na música americana, por via de um famoso Adágio para Cordas. A música de Barber é conhecida pelo seu lirismo, assumindo por vezes algumas características a que vulgarmente se chama música de Hollywood. Não deveria tratar-se, em princípio, de uma expressão pejorativa, se nos lembramos da grande música que tem sido feita para cinema. Mas a expressão também pode aludir a uma excessiva emotividade, que Oliver Stone, o realizador premiado com Platoon, tão bem soube utilizar.
Novo Romance de Ian McEwan

“ O que me interessa é o mundo”, diz. Interessa-lhe o mundo em todas as suas vertentes, mas sobretudo o seu lado mais negro, menos bonito, povoado por anti-heróis, com contradições e desentendimentos, sem necessidade de finais felizes. “ Somos cruéis mas simpáticos, somos supersticiosos mas racionais. Somos assim, e esse dilema humano é assunto de romances.”
- Num mundo tão tecnológico, dominado pelo Twitter, blogues e afins, o romance vai morrer? “ Este barulho todo vai criar a necessidade de termos um espaço privado e o romance é esse refúgio” diz.
In, Diário de Notícias 2009
Solar (Gradiva) é o novo romance de Ian McEwan , chega ás livrarias no final do mês.
O tema aborda alterações climáticas, servindo de pretexto para a exposição das fragilidades humanas e individuais.
- Num mundo tão tecnológico, dominado pelo Twitter, blogues e afins, o romance vai morrer? “ Este barulho todo vai criar a necessidade de termos um espaço privado e o romance é esse refúgio” diz.
In, Diário de Notícias 2009
Solar (Gradiva) é o novo romance de Ian McEwan , chega ás livrarias no final do mês.
O tema aborda alterações climáticas, servindo de pretexto para a exposição das fragilidades humanas e individuais.
