sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Regresso a Casa

Maria José Cavaco

“A minha memória é tão fraca que já me aconteceu mais que uma vez pegar de novo, como se fossem recentes e desconhecidos para mim, em livros que lera cuidadosamente uns anos antes e que rabiscara com as minhas notas. Para acudir a estas falhas, ganhei o hábito, desde há algum tempo, de acrescentar no fim de cada livro a opinião que dele fiz em geral ( refiro-me àqueles de que quero servir-me apenas uma vez) a data em que terminei a minha leitura e a opinião que dele fiz em geral para poder recuperar ao menos a maneira e a ideia geral que concebi do autor durante a minha leitura. Quero transcrever aqui algumas dessas anotações.”
Montaigne

Ao longo de algumas décadas de convívio com os livros da sua biblioteca, Montaigne foi escrevendo os vários volumes dos Ensaios, que, como todos os grandes clássicos, nunca perderam a actualidade, enriquecendo-se, pelo contrário, com as novas leituras que faz cada nova geração.
A esse vasto manancial, fomos buscar esta reflexão sobre os livros que nos pareceu oportuno editar aqui no nosso regresso a casa.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Ilha do Tesouro

O Pacífico de Stevenson




Deliciei-me com a história de Keola, genro de Kalamake, o feiticeiro de Molokai, inserida no volume de contos dedicado a Robert Louis Stevenson(1850-1894) que faz parte da colecção A biblioteca de Babel, dirigida por Jorge Luís Borges e editada agora em português pela Editorial Presença. Sou fã de Stevenson desde que li A ilha do Tesouro ou Raptado ou ainda O Médico e o Monstro, obras que conheci ainda na adolescência. Grande narrador, Stevenson, transporta-nos ora suave ora bruscamente para outras realidades, neste caso as ilhas do Pacífico onde o autor viveu grande parte da sua curta vida. Com a capa da ediçâo original. A ler e a saborear.

sábado, 9 de janeiro de 2010

White Pause

Por uns dias apenas.
Vou ali e já venho.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Os Melhores de 2009


A dificuldade com as listas de os "Melhores do Ano" não está no que se escolhe, mas no que fica de fora. Esta é a nossa escolha, participe e deixe aqui a sua.

Ficção Estrangeira

2666, Roberto Bolaño, Quetzal
A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao, Junot Díaz, Porto Editora
A Rainha no Palácio das Correntes de Ar, Stieg Larsson, Oceanos

Ficção Portuguesa

Caim, José Saramago, Caminho
O Mar em Casablanca, Francisco José Viegas, Porto Editora

Poesia

Um Circo no Nevoeiro, Renata Correia Botelho, Averno
O Viajante sem Sono, José Tolentino Mendonça, Assírio & Alvim

Literatura Lusófona

Leite Derramado, Chico Buarque, Dom Quixote
Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa, Dom Quixote

História

História de Portugal, Rui Ramos, Esfera dos Livros
Os Dabney – Uma família Americana nos Açores, Tinta da China
O Século XX Esquecido, Tony Judt, Edições 70

Literatura de Viagem

Ilhas Desconhecidas, Raul Brandão, Artes e Letras
Veneza, Juan Morris, Tinta da China

Crónicas

30 Crónicas, Emanuel Jorge Botelho, Publiçor
A Casa dos Sentidos, Sérgio Fazenda Rodrigues, ArqCoop
As Novas Crónicas da Boca do Inferno, Ricardo A.P, Tinta da China

Arte

Espelho do Mundo- Uma Nova Hist. da Arte, Jullian Bell, Orfeu Negro
O Resto é Ruído, Alex Ross, Casa das Letras

Literatura Infantil

O Incrível Rapaz que Comia Livros
, Olivver Jeffers, Orfeu Negro
Alice no País das Maravilhas em Pop Up,Lewis Carroll, Gailivro

Acontecimentos
50 Anos de Astérix.
150 Anos da Origem das Espécies, Charles Darwin.
Bicentenário do nascimento de Edgar Allan Poe.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Balanço

Num ano de crise económica, e depois de grandes mudanças no panorama editorial português com o aparecimento da Leya, notou-se em 2009 um abrandamento na actividade, com cortes nos planos de edição e quebras significativas nas vendas.
Resultado das dificuldades transversais no sector, a maior rede de livrarias do país está à venda, constituindo a grande incógnita de 2010, que destino terá a Bertrand?
Contudo foi um ano rico em livros com potencial para lutar pelos primeiros lugares do top, Miguel Sousa Tavares, José Rodrigues dos Santos, José Saramago, Ricardo Araújo Pereira, António Lobo Antunes, Margarida Rebelo Pinto e o grande fazedor de best- sellers Dan Brown. Rodrigues dos Santos foi o vencedor com “Fúria Divina” ao vender 150 mil exemplares, em poucas semanas. Os vampiros tomaram conta das leituras dos mais novos e das tabelas dos mais vendidos, a unanimidade da crítica e um forte lançamento, fizeram de 2666, romance póstumo de Roberto Bolaño, o melhor livro do ano. Num pais em que 18 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza, com elevadas taxas de desemprego, onde ainda existe um milhão de analfabetos, a leitura continua a não ser uma prioridade para os portugueses. Sobra a editoras e livreiros a resistência.

Tarzan na bd



Sendo eu um indefectível da personagem criada em 1912 por Edgar Rice Burroughs, era impensável que ao ver isto nos escaparates da Livraria Solmar, não me tivesse brotado uma nascente de água fresca na boca. Felizmente alma caridosa evitou que tivesse que me desfazer de parte do meu pecúlio para adquiri-lo. Apesar de no final dos anos vinte, a novela de Burroughs "Tarzan of the apes" já tivesse sido adaptada para cinema várias vezes, esta foi a primeira que a banda desenhada se interessou por ela. Harold R. Foster então um desenhador de publicidade foi indigitado para fazer a condensação das aventuras do homem macaco. Os jornais até então só publicavam banda desenhada com características caricaturais de modo que com esta publicação se assiste ao nascimento da banda desenhada realista americana. Para ler nem que seja por curiosidade.

Fabuloso




Vale a pena adquirir este livrinho. Não só porque é uma delícia de grafismo e humor, como também nos poderá ensinar alguma coisa sobre o reino animal ainda que saído dos delírios do professor Revillod.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Bolha sem Ar


“Filas e mais filas de estantes muito altas, todas elas a abarrotar de livros, dezenas de milhares de livros, centenas de milhares de livros, um milhão de livros, e, por vezes, até tu, que adoras livros tanto quanto é possível adorá-los, ficas estupefacto, ansioso, mesmo nauseado, quando pensas nos biliões de palavras, nos triliões de palavras que esses livros contêm. Todos os dias, estás desligado do mundo durante uma série de horas, habitas um território que acabas por comparar a uma bolha sem ar, ainda que haja por certo ar, visto que tu respiras, mas é um ar morto, o mesmo ar de há vários séculos, e, nesse meio sufocante, tu sentes-te entorpecido, sonolento, e tens de lutar contra a vontade a vontade de te deitares no chão e de adormeceres.”
Paul Auster in Invisivel

Estou a fazer inventário, balanço, listar, enumerar, tudo isto e mais, dores de costas, pés inchados, dores nos braços, olhos trocados, é caso para dizer que esta vida de livreiro está a dar cabo de mim. Chega-te ano novo.