quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Soneto 5
As horas que em terno ofício emolduraram
Essa face gentil onde o olhar se demora
Hão-de ser a tiranas de si mesmas, as horas,
Como da fealdade que a perfeição supera.
Pois não repousa o Tempo, antes guia o Verão
Ao temível Inverno, para aí o lograr;
A seiva enregelada, as folhas sem fulgor,
Soterrada a beleza, e em vez, desolação.
Assim, não fora a essência do Verão conservada,
Líquida prisioneira entre vítreas paredes,
O fruto da beleza por ela era roubado
E nem memória havia de beleza que fosse.
Mas a flor, no Inverno, perde só a aparência,
Sobrevivendo, doce, o que lhe deu substância.
31 Sonetos, William Shakespeare, Relógio d'Água, 2015
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Aquela Ilha Esquecida
“Aquela Ilha
esquecida
Que eu habito
adormecida
Que, à noite, eu
vou habitar;
Aquela Ilha
encantada
Que não se
encontra de dia,
Pois fica na
madrugada;
A Ilha não
descoberta,
Onde a
criptoméria aberta
Espalha em volta
o luar;
A Ilha
desconhecida
Que pelos
caminhos do sonho
Se mostra a quem
a buscar.
Áquela Ilha
distante,
Não há ninguém
que se afoite…
Aquela Ilha
esquecida
Que só tem um
habitante:
Eu que lá vivo
de noite…”
(In) Antologia
Poética, Natália Correia, D.Quixote, 2013
quinta-feira, 28 de julho de 2016
D.Pedro IV- São Miguel, 10 de junho de 1832
“Minha querida Maria. Recebi a tua cartinha de
10 de maio escrita um pouco mal para a tua idade e adiantamento. Parece-me que
tu não tens cuidado muito de estudares, e enquanto Mamam não me mandar dizer
que tu te aplicas como no meu tempo eu não deixarei de te mostrar sempre que
tenha ocasião o meu desprazer: quando tu, minha filha, chegares a uma idade
mais avançada, tu não deixarás de conhecer que eu tinha razão de te desejar ver
instruída, o efeito de não ter recebido uma educação conveniente eu tenho
sentido, tudo que tenho feito tem sido porque Deus me tem favorecido, eu não quero
que tu me julgues para o futuro um pai descuidado de tua educação, antes quero
que me tenhas por severo.
O amor que te tenho, minha querida
filha, é que faz falar-te tão claro, eu espero que tu estudes d’ora em diante
como convém a quem tem que reger uma Nação que precisa de bons exemplos e de
uma rainha assaz instruída (…)”.
Carta de D. Pedro IV,
rei de Portugal e Imperador do Brasil, a D. Maria II
(In) D.Pedro IV, Paulo Rezzutti, Casa das
Letras, 2016.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
"Doce Carícia"
Amory Clay, 1928
O romance Doce Carícia assume-se como uma
cativante autobiografia ficcional da autoria de William Boyd acerca da
inesquecível Amory Clay.
A obra centra-se na figura de Amory Clay, cujo
trajeto fora marcado, entre diversos aspetos, por momentos fulcrais do século
XX: “Amory Clay recomeçara a fotografar e
era paga para isso-, mas era estranho estar na América enquanto se travava uma
guerra Europa”. Nascida na década que antecedeu a Primeira Guerra Mundial,
a protagonista da obra em questão recebeu um nome andrógino por parte do seu pai
que ficara desapontado pelo sexo do bebé, anunciando-o como masculino. No
entanto, Amory não adotou uma atitude de submissão, tendo-se assumido como
mulher e rejeitado os limites que lhe impunham. Apaixonada pela fotografia,
dedicou-se ao registo da sua própria versão dos acontecimentos, além de que
circulou entre Londres e Nova Iorque na qualidade de fotojornalista e de
jornalista de moda: “Depressa percebi que
não era uma fotógrafa de moda; examinava uma vez e outra as minhas fotografias
para a American Mode e não via senão poses rígidas, falsas e inibidas-
mediocridade, em suma. As poucas fotos informais que consegui fazer com as
modelos, enquanto elas mudavam de roupa, quando iam buscar um café ou quando
ficávamos à conversa o fim da sessão, pareciam-me mil vezes mais vivas”.
A
audácia apresenta-se como uma constante da personalidade de Amory, não temendo arriscar
tudo. O seu desejo desenfreado de adquirir novas experiências levou-a a
conhecer a decadência do período histórico que vivenciou. William Boyd, o autor
de Doce Carícia nasceu no Gana, mais
propriamente, em Acra, tendo desempenhado em Oxford o cargo de professor de inglês
e literatura. Atualmente é membro da Sociedade Real da Literatura Inglesa,
passando grande parte do seu tempo em duas regiões distintas: Londres e França.
Neste
romance, o leitor depara-se com uma personagem que se reveste de uma vibrante,
dinâmica e forte personalidade.
Doce Carícia ,
William Boyd, D.Quixote, 2016
quinta-feira, 21 de julho de 2016
"À Beira da Água"
“Havia
escorpiões na gruta o ano inteiro, mas sobretudo nos dias antes de as plantas
começarem a deixar passar as gotas de água. A velha tinha uma trouxa enorme com
trapos e servia-se dela para os expulsar das paredes e do teto, pisando-os
rapidamente com o calcanhar duro e nu. De vez em quando, um passarozinho ou pequeno animal selvagem aparecia à boca da gruta, mas ela nunca era suficientemente rápida para o matar e já tinha desistido de tentar”.
Paul Bowles, o escritor
nova-iorquino de Queens, começou por viajar em 1929, tendo como destino a Europa,
onde conviveu com Gertrude Stein,
Jean Cocteau e Ezra Pound, entre outros. Em 1931, o viajante escolheu
Tânger como destino para passar grande parte da sua vida, sendo a sua produção
literária influenciada pela dinâmica das múltiplas culturas que conhecera.
A sua vida fora marcada
pela dedicação à composição musical, assim como, à escrita de ficção, poesia,
ensaios e reportagens. Destaca-se, entre a sua vasta obra literária, O Céu que Nos Protege que ocupou o
primeiro lugar da lista dos livros mais vendidos do The New York Times, além de que foi alvo de uma adaptação
cinematográfica por parte de Bernardo Bertolucci. Atualmente, a obra À Beira da Água apresenta-se como o
primeiro de dois volumes que reúnem os contos de Paul Bowles. À Beira da Água contém 29 contos, como por
exemplo O Escorpião que incide na
história de uma velha de escassos recursos e de fraca memória que vivia sozinha
numa gruta de argila frequentemente habitada por escorpiões. Igualmente interessante é o conto
intitulado Paragem em Corazón, onde
um casal em lua de mel se apresenta como protagonista. A ação desenrola-se com
base na intensificação da ansiedade do marido face ao desaparecimento da esposa
e na consequente tentativa de a encontrar. Neste cenário o leitor depara-se com o frenético batimento cardíaco do marido que está intimamente ligado
ao título Paragem em Corazón. Paul
Bowles socorre-se do amor, do suspense
e da intriga, construindo este cativante conto.
À Beira da Água, Paul Bowles, Quetzal
Editores, 2016.
segunda-feira, 18 de julho de 2016
George Orwell - "Ensaios Escolhidos"
George
Orwell, oriundo da Índia Britânica, mais propriamente, de Motihari, assumiu-se
como jornalista, ensaísta político e um como um dos mais emblemáticos escritores
ingleses do século XX.
Ao
defender o autonomismo, George Orwell fora considerado simpatizante do
anarquismo, opondo-se, de forma intensa, ao totalitarismo. A sua produção
literária é marcada pela oposição mencionada, além de que reflete profundas
injustiças sociais. Estes seus ideais transparecem na célebre obra intitulada 1984 que se apresenta como um romance
distópico, cujo foco incide na realidade e no terror de cariz político nos mais
diversos países. George Orwell, em 1984,
critica os fatores que na sociedade moderna poderiam conduzir a uma vida de
privação e embrutecimento. É de referir que o escritor, ao escrever 1984, não imaginava que a sua obra
adquirisse um caráter profético, apesar de se ter assistido à concretização de
certos cenários patentes na mesma – “The
Big Brother is Watching you”.
Na
obra Ensaios escolhidos estão
reunidos 37 ensaios que acompanharam o trajeto de George Orwell desde a
Birmânia até à sua vida em Londres e Paris. Veja-se, por exemplo, em Bons Maus Livros, a reflexão do autor acerca
de obras que não tendo grandes pretensões literárias eternizaram-se: “Um tipo de livro que raramente vemos ser
produzido hoje em dia, mas que floresceu abundantemente no final do século XIX,
é aquele que a Chesterton chamou o “bom mau livro”, ou seja, o tipo de livro
que não tem pretensões literárias, mas que permanece legível numa altura em que
produções mais sérias já desapareceram de cena. Dentro desta categoria, livros
claramente notáveis são Raffles e as histórias de Sherlock Holmes, que
mantiveram a sua posição enquanto inúmeros “romances sociais”, “documentos humanos”
e “terríveis denúncias” disto ou daquilo caíram num merecido esquecimento. (…)
Contudo, todos os livros de que tenho estado a falar são “literatura de
evasão”. Formam gratos nichos na nossa memória, sossegados recantos onde o
espírito pode pastar ocasionalmente, mas dificilmente pretendem ter algo que
ver com a vida real”.
Ensaios Escolhidos,
George Orwell, Relógio D’Água, 2016.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Literatura, Identidade, uma pequena reflexão sobre "Minima Azorica" de Onésimo Teotónio Almeida
A
temática de Minima Azorica O meu mundo é deste reino, livro de
ensaios da autoria de Onésimo Teotónio Almeida, incide na afirmação de uma identidade
específica: a açoriana.
Na
obra supramencionada, Onésimo Almeida realça a quão problemática fora a
aceitação da reflexão em torno da tese da identidade, pelo que foram
necessários longos períodos de tempo para que se verificasse o estabelecimento
da mesma. A este propósito é fulcral fazer referência ao ensaio intitulado Minima Azorica, ou a fala de açorianos no
meio do mar patente no terceiro volume da obra BorderCrossings Leituras Transatlânticas, da autoria do ensaísta
Vamberto Freitas que afirma: “[…] Levou
muitos séculos para nomearmos o que nos aconteceu e nos moldou como povo- a
açorianidade […]”.
Não
obstante viver no continente americano, Onésimo Almeida revela-se incapaz de
esquecer a sua origem açoriana, razão pela qual alega: “[…] Jamais escondi que os Açores me foram e são, ainda e sempre, um
lugar íntimo. […] Os primeiros vinte e dois anos de vida imprimem um caráter a
qualquer um […]”. Uma das diversas ideias a destacar da sua obra assenta,
sem dúvida, no desinteresse do público continental face à cultura açoriana e,
consequentemente, na irracionalidade da insistência em obter tal interesse. É, precisamente, neste contexto que o Onésimo
Almeida afirma: “[…] Esforço vão, como
tantos outros no país. A partir de certa altura, achei mais sábio desistir. Não
vale a pena tentar captar o olhar e os ouvidos de quem vive há séculos obcecado
com a atenção dos estrangeiros […]”. Significa isto que de, acordo com o
autor, o importante é focarmo-nos na afirmação da nossa cultura em detrimento
da preocupação com a indiferença nacional. Esta indiferença perante a cultura
açoriana é reiterada por Vamberto Freitas: “[…]
Não tem sido nada fácil a nossa afirmação histórica e cultural como parte
fundamental e indesligável da restante nação”.
Segundo
Onésimo Almeida, a reforçar a existência da açorianidade surge a elevada
publicação literária açoriana, de qualidade, que tende a superar a nacional. É
neste âmbito que, de entre uma multiplicidade de autores, se alude a alguns açorianos,
tais como, Pedro da Silveira, Natália Correia, Vitorino Nemésio, Dias de Melo,
Daniel Sá, Fernando Aires, Antero de Quental, Emanuel Félix, José Enes,
Madalena Férin, Rogério Silva e José Martins Garcia, os quais em muito
contribuíram para a dinamização da história cultural literária. A açorianidade
transparece na forte influência que a geografia e os elementos físicos que a
compõem exercem sob a escrita dos autores mencionados. Quer isto dizer que, de
acordo com autor, o isolamento, as tempestades, os vulcões, as chuvas
prolongadas e os cataclismos açorianos produzem um ambiente específico que
molda a cultura e, por conseguinte, a escrita que, assim, apresenta traços
peculiares. São destes elementos climatéricos que decorre a predominância da
melancolia e da fatalidade na produção literária açoriana.
A
necessidade de afirmação da identidade açoriana é fruto do confronto com a realidade
cultural exterior, representada pelo continente português, do qual resulta a
consciencialização açoriana das diferenças existentes nessa mesma realidade e a
consequente necessidade de afirmação de uma identidade distinta. Deste modo,
faz todo o sentido o subtítulo da obra Minina
Azorica: O meu mundo é deste reino.
Sara Simão
Helena Frias
Ponta Delgada 14 de julho, 2016
terça-feira, 12 de julho de 2016
A enigmática personalidade italiana de Elena Ferrant
Elena
Ferrante assume-se como uma das figuras mais enigmáticas no campo literário da
atualidade.
Provavelmente,
Ferrante terá nascido em 1943, em Itália, num pobre e popular bairro de
Nápoles, tendo vivido na Grécia. O mistério que se lhe associa advém do
desconhecimento do seu género, constituindo o seu nome um possível pseudónimo. Publicou,
pela primeira vez, em 1991, o romance intitulado Um Estranho Amor. A reforçar o seu anonimato surge a inexistência
de um contacto direto com jornalistas nas entrevistas, escassas, escritas e intermediadas
pelos próprios editores, em que aceitou participar. Ferrante sempre evitou
comparecer à entrega de prémios ou à estreia de adaptações cinematográficas das
suas obras. A honestidade apresenta-se como uma constante da sua escrita, ideia
que é ilustrada pela seguinte frase proferida por Ferrante numa entrevista publicada
pela revista literária The Paris Review:“A
ficção literária parece-me feita de propósito para dizer a verdade”.
Editada
em Portugal pela Relógio D’Água, a tetralogia de Elena Ferrante compõe-se de Amiga Genial, de História do Novo Nome, História de Quem Vai e de Quem Fica e História da Menina Perdida. A sua carreira
adquiriu um enorme prestígio com a publicação das suas obras em diversos países
e, consequentemente, com a obtenção de excelentes críticas nos Estados Unidos
da América. James Wood em 2013 na revista The
New Yorker, elaborou um extenso artigo a elogiar a capacidade criativa
literária afirmando: ”Elena Ferrante” is one of Italy’s best-known least-known
contemporary writers. She is the author of several remarkable,
lucid, austerely honest novels […]”. De igual modo, o
jornal inglês The Guardian efetuou
rasgados elogios acerca de Ferrante. Não obstante serem reinventadas, as
histórias são inspiradas em acontecimentos reais, facto que se encontra patente
numa entrevista que Ferrante aceitou para o New
York Times: “As mulheres das minhas
histórias são ecos de mulheres reais que, por causa do seu sofrimento ou da sua
combatividade, influenciaram muito a minha imaginação: a minha mãe, uma amiga
de infância, mulheres conhecidas cujas histórias eu sabia”. A este propósito
surge em Amiga Genial, a personagem
Raffaela Cerullo, mais conhecida por Lila, que desempenha, entre diversos
papéis, o de amiga de infância de Elena e de mãe de Rino. A escrita de
Ferrante, geralmente, incide nas angústias de um passado das quais as figuras
femininas se revelam incapazes de se libertar. A narrativa do primeiro volume
da tetralogia foca a angústia de Lila, mais propriamente, o seu desejo de
desaparecer sem deixar rasto: “[…] Há
pelo menos trinta anos que me diz que quer desaparecer sem deixar rasto, e só
eu sei bem o que ela quer dizer. […] A sua intenção foi sempre outra: queria
volatilizar-se; queria que todas as células desaparecessem; que dela não fosse
possível encontrar nada […]”. O estado de alma de Lila acaba por ser
transposto para o seu filho Rino e amiga Elena aquando do seu desaparecimento
sem rasto: “Rino ligou-me esta manhã […]
Mas o motivo do telefonema era outro: não sabia da mãe. […] Mas acabara por
ficar preocupado. Perguntara a toda a gente, dera uma volta pelos hospitais,
até tinha ido à polícia. […] Disse-me coisas sem pés nem cabeça. Queria ir à
televisão, ao programa onde se fala das pessoas desaparecidas, fazer um apelo,
pedir perdão à mãe, suplicar-lhe que volte”.
A identidade de Elena Ferrante restringe-se à personagem literária, constituindo-se, por isso, na vida real como um enigma. Socorre-se da absoluta liberdade de criação artística, fruto do forte respeito pela sua vida privada, de modo a reinventar acontecimentos reais por via da escrita.
A identidade de Elena Ferrante restringe-se à personagem literária, constituindo-se, por isso, na vida real como um enigma. Socorre-se da absoluta liberdade de criação artística, fruto do forte respeito pela sua vida privada, de modo a reinventar acontecimentos reais por via da escrita.
Todos os Contos
"Aí está ele, o mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar. Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos inconvencíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões. Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra".
(In) Todos os Contos, Clarice Lispector, Relógio D'Água, 2016.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Obras de José Martins Garcia
Amanhã, na LeYa na Solmar
pelas 18.30h, apresentação pública da reedição de três grandes obras de José Martins Garcia. A
colecção, integrada na Biblioteca Açoriana da Companhia das Ilhas, é dirigida
pelos escritores Urbano Bettencourt e Carlos Alberto Machado.
(…)
Este autor tem caminhado sempre por caminhos próprios, sem atenção às últimas
modas ou preocupaçõezinhas existenciais. Não é yuppie nem está fora de horas –
vai, exactamente por isso, perdurar. Noutro livro seu, pressentimos que algo de
maior está para vir. Talvez a preocupação, a obsessão, com o Grande e
Definitivo romance diz só respeito aos críticos. Talvez. Mas poucos em
Portugal, nestes nossos dias, têm dado provas dessa possibilidade, como este
autor.
[Vamberto
Freitas, “Memória da Terra ou o Perpétuo Cativeiro”, in "O Imaginário dos
Escritores Açorianos", Lisboa, Edições Salamandra, 1992: 41]









