segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Os Últimos Heróis
Uma homenagem aos últimos heróis portugueses que arriscam a vida na pesca do bacalhau. O fotógrafo Pepe Brix viajou até aos mares da Terra Nova no arrastão “Joana Princesa”. Durante três meses e meio partilhou a vida a bordo com a tripulação daquele que é um dos últimos bacalhoeiros portugueses.Este livro é o resultado dessa viagem. Dezenas de fotografias que revelam a dureza física e psicológica de um quotidiano vivido num espaço circunscrito e em condições climáticas extremas.
Parte das fotografias foram publicadas na edição de fevereiro de 2015, na revista National Geographic.
Os Últimos Heróis de Pepe Brix, Clube do Autor, 2015.
domingo, 24 de janeiro de 2016
Veneza versão de Antero de Quental
O texto Veneza foi
publicado em 1881 n' A
Europa Pittoresca, volume editado em Paris por Salomão Sáragga, amigo de
Antero de Quental desde o tempo das Conferências Democráticas. Ao contrário do
que afirmam alguns dos primeiros comentadores, não se trata de um texto
redigido integralmente por Antero. Na verdade é uma tradução de Venice,
de Thomas George Bonney, e de Voyage en Italie de
Hippolyte Taine, e simultaneamente uma recriação, pois Antero insere na sua
versão inúmeros trechos de sua versão inúmeros trechos de sua própria autoria.
O texto de Bonney, retirado do
primeiro de Picturesque
Europe -
recolha de crónicas de viagens publicada em Londres - pode considerar-se a base
e o ponto de partida da edição portuguesa trabalhada pelo poeta açoriano, que
apenas traduz algumas partes da versão inglesa. De maneira geral, Antero traduz
Bonney (ou John Ruski, por ele citado) no que diz respeito às descrições de
algumas obras de arte, itinerários, paisagens - como a dos canais, dos barcos e
das gôndolas, ou de determinados aspectos peculiares da cidade, como os pombos
- juntando amplas traduções de Taine e parágrafos de sua própria mão, quando
tenciona sublinhar a relação entre arte, ser humano, paisagem e história, ou
quando pretende enriquecer e enaltecer o estilo. Os excertos do livro do pensador
francês, pelo contrário, são fielmente traduzidos, imprimindo uma marca
poética, que antes não tinha: o resultado final é portanto um novo texto, um
híbrido, entre tradução e « transplantação»
Juntam-se na presente edição,
além da versão portuguesa realizada por Antero de Quental, também as
ilustrações originais, e o texto inglês original de thomas George Bonney.
Veneza versão de Antero de
Quental, Editora Pianola, 2015.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Primeiro Romance de Nuno Costa Santos
Os Açores com
todo o seu mistério e isolamento. A busca de uma identidade pessoal num dos
territórios mais perigosos e livres, onde não existe distinção entre realidade
e ficção. Um homem volta à sua terra para cumprir uma missão que lhe foi
atribuída por um avô que morreu: a de recolher histórias recentes dessa terra,
a ilha de São Miguel, nos Açores. Esta é a narrativa de um regresso aos lugares
onde cresceu e um duplo diálogo: com o antepassado que lhe deixou uma herança
inesperada e com o presente insular impuro, algures entre o sagrado e o
profano. Um livro de histórias que se cruzam.
As histórias do avô, internado na estância do Caramulo, durante os anos 40 do século passado, e as das personagens com as quais o protagonista se vai encontrando: um navegador francês em apuros, um traficante de droga ressentido, uma stripper ruiva com anúncio no jornal, um homem que voltou para vingar uma recusa antiga, um fã de Kafka que descobriu que o escritor tinha o sonho de viver nos Açores, um casal chinês que procura a integração num arquipélago estrangeiro, alguém que caminha de madrugada com um terço na mão.
Céu Nublado com Boas Abertas é também a busca de uma identidade pessoal num dos territórios mais perigosos e livres, onde não existe distinção entre realidade e ficção: a literatura.
Nas livrarias a partir de Fevereiro.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
João de Melo vence Prémio Literário Vergílio Ferreira 2016
João de Melo foi eleito vencedor da 20.ª edição do galardão ao final da manhã de hoje, durante uma reunião do júri do prémio, presidido por António Sáez Delgado e que, este ano, integra Elisa Esteves, Gustavo Rubim, Carlos Reis e a escritora Lídia Jorge.
Ler aqui
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
O Conto Literário de temática Açoriana
A antologia
"O conto Literário de Temática Açoriana" de Mónica Serpa Cabral,
agora editada pela Companhia das Ilhas, foi apresentada pelo Dr. Paulo Meneses no passado
dia 16 de Janeiro na livraria LeYa na Solmar.
A presente
coletânea de contos e respetivo estudo destinam-se principalmente a valorizar o
património cultural açoriano, em particular o conto açoriano, contribuindo para
conservar esse património e, ao mesmo tempo, divulgar a literatura dos Açores,
promovendo o interesse pela leitura de obras açorianas. O Conto Literário de
Temática Açoriana: Estudo e Antologia começa por apresentar um estudo
introdutório, com a explicitação de conceitos teóricos de convocação
indispensável, com um resumo das teorias do conto em geral e com uma breve
descrição do percurso estético-literário do conto português. Integra ainda esta
parte uma contextualização histórico-literária do conto açoriano, desde o
século XIX até aos nossos dias, com referência aos principais contistas e aos
momentos mais marcantes dessa evolução. Numa amostragem que teve de ser
necessariamente confinada para que o volume não excedesse as convenientes
proporções, são apresentados, na segunda parte do livro, em reprodução
integral, contos escolhidos de trinta autores que figuram entre os mais
representativos da literatura açoriana, entre o final do século XIX e primeiras
décadas do século XXI. Os contos são precedidos de notas biobibliográficas
sobre os autores representados, que incluem um olhar sobre o conto selecionado.
Mónica Serpa Cabral apresenta-nos uma seleção
de contos de sua inteira responsabilidade, contudo, embora possa não ser unânime a sua
escolha é de louvar o seu árduo trabalho.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
É Então Isto Um Livro
É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo ‘eu’ entre nós e nós?
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo ‘eu’ entre nós e nós?
Os Livros, Como se Desenha uma Casa de Manuel António Pina, Ed. Assírio Alvim.
Foto, Mary Ellen Bartley
Foto, Mary Ellen Bartley
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Cinema entre os anos de 1915 e 1940
No início da I Guerra Mundial, por volta de 1915, o
cinema norte-americano predominava mundialmente, uma vez que a produção
europeia foi praticamente parada pela Guerra. As produções aglomeravam-se em
Los Angeles, na Califórnia, onde o clima e as luzes eram melhores e as leis de
impostos menos restritivas. Assim, Hollywood torna-se sinónimo de filmes e nascem
vários estúdios independentes, tais como os Warner Brothers, a MGM e a Fox.
Consequentemente, aparece o fenómeno do estrelato e culto das estrelas de cinema.
Charlie Chaplin é considerado a primeira verdadeira estrela da indústria
cinematográfica, tendo conquistado o público com a sua personagem de “Tramp” ou “Charlot”, que encarnou pela primeira vez em Kid Auto Races at Venice (1914), e cujo sucesso fez com que o ator
em poucos meses já realizasse os seus próprios filmes, como The Tramp (1915). Nesta altura, a
duração dos filmes aumenta e, para financiá-los, são criadas “máquinas de
publicidade”, como a Star System para
criar estrelas de cinema perfeitas, e substitui-se os “nickelodeons” por grandes casas de espetáculo, os “Picture Palaces”, cada vez mais frequentadas
pelas classes médias. Em 1918, em Portugal, é criada a Invicta-Film, no Porto,
que foi a primeira tentativa de estabelecer em Portugal uma empresa produtora
de filmes, mas foi abafada pelas produções americanas e terminou a 1925. Os
anos 20 foram um período muito fértil para o cinema, principalmente em
Hollywood, com a expansão dos grandes estúdios, como a Paramount e a Universal.
Na Europa, foi na Alemanha que a cinematografia teve o seu renascimento no
pós-guerra, destacando-se o expressionismo alemão, do qual é exemplo Der Lezte Mann (1924) e Nosferatu (1921). Na Rússia, Lenine deu
apoios aos cineastas, mas os filmes russos vão ser censurados e a sua
divulgação restringida pela ocidentalidade, devido ao seu conteúdo ideológico
comunista, como Potemkine (1925). O
ano de 1924 foi, particularmente, importante para França, pois surgiram os
primeiros trabalhos de René Clair e Jean Renoir, dois célebres produtores
franceses. Esta década, que marcou a História como “The Roaring Twenties”, ficou para o cinema como “The Laughing Twenties”, isto porque o
género mais popular era a comédia, com Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold
Lloyd. A transição para os “talkies”,
ou seja, filmes com diálogo, aconteceu em meados de 1926/1927, com os Warner
Brothers e a Fox na vanguarda.
O aparecimento dos filmes falados foi visto como
um desenvolvimento desnecessário e efémero. Foi Jazz Singer (1927), dos Warner Brothers, que mudou as opiniões em
relação aos sonoros, quando o público ouviu Al Jolson cantar, cuja personagem
imortalizou a frase “You ain’t heard
nothing yet”. Com isto, os estúdios norte-americanos começaram-se a
atualizar com equipamentos de som, fazendo com que, em meados de 1929, quase
todo Hollywood estivesse convertido aos “talkies”, dando início à chamada Era de
Ouro de Hollywood. Apesar desta transição ter sido rápida, foi também difícil. Os primeiros sonoros eram muito estáticos e restringidos pelos novos
instrumentos de som, tendo as câmaras de estar dentro de uma cabina à prova de
som, impossibilitando a sua mobilidade, os atores eram obrigados a falar
diretamente para microfones que estavam estrategicamente escondidos no cenário
e o realizador já não podia dar instruções aos atores durante uma cena. Isto
fez com que os filmes fossem versões estáticas de peças teatrais com diálogos
longos, levando a que os críticos reclamassem o retorno do filme mudo. No
entanto, essas dificuldades foram rapidamente ultrapassadas, utilizando a
técnica de gravação das falas a priori
e, depois, sincronizá-las com os movimentos labiais dos atores, e solucionou-se
a imobilidade das câmaras, montando-se rodas na cabine de insonorização. É
assim que aparece que aparece o género do musical, com The Broadway Melody (1929) nos EUA, e Sous les toits de Paris (1930) em França. A introdução do som
provocou, simultaneamente, o nascimento e a morte de estrelas de cinema, que
viram as suas carreiras arruinadas, muitas vezes pelo simples facto das suas
vozes não corresponderem à imagem que o público já tinha delas. Os mais
afetados foram os comediantes dos mudos, com a exceção de Chaplin que, apesar
de ter recusado fazer filmes falados, continuou a ter sucesso. Em 1928, Walt
Disney apresentou o primeiro “talkie”
de animação, Steamboat Willie, e
contribuiu para a acreditação do som com as suas Silly Simphonies. Os anos 20 viram, ainda, ser criada, por Louis B.
Mayer da MGM, a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas, que ficou
célebre pela cerimónia anual dos Prémios da Academia, ou seja, os Oscars. O drama Wings (1927), alusivo à I Guerra, foi o primeiro a ganhar o Oscar de melhor filme, em 1929. Em
Inglaterra, o primeiro filme com diálogo foi Blackmail (1928) de Hitchcock, que teve de ser lançado também na
versão muda, porque os cinemas europeus ainda não tinham investido em equipamentos
de som. O decénio de 30 foi uma década de tumultos, com a Grande Depressão e o
surgimento de ideologias fascistas por toda a Europa. Isto levou à popularidade
de filmes de fantasia escapista, aventuras e terror, que faziam esquecer a
crise. A Universal criou, com sucesso, o género de “Universal Horror”, filmes de monstros, tais como Dracula (1931), com Bela Lugosi, e Frankenstein (1931), com Boris Karloff,
cujos sucessos levaram a sequelas ainda nesta década. Houve, também, uma grande
aposta em filmes com valores familiares e que exaltavam as virtudes
capitalistas, ao mesmo tempo que combatiam o comunismo. Ganham fama os filmes
sobre “gangsters”, como Little Caesar (1931), mas duram pouco
tempo devido a protestos públicos contra a violência, e os filmes de género “western”, dos quais se destaca Stagecoach (1935), que tornou John Wayne
no símbolo máximo do “Far West”. Mae
West tornou-se no sex symbol de Hollywood, aparecendo em filmes com diálogo
picante e explícito, levando à criação do “Hay’s
Code”, que foi uma tentativa de censura aos filmes de Hollywood, para
evitar escândalos.
O ano de 1939 foi um dos mais lucrativos para o cinema
americano, graças a êxitos como Wuthering
Heights, Gone with the Wind e The Wizard of Oz, sendo estes dois
últimos exemplos máximos dos avanços técnicos do uso da cor, com a “Technicolor”. No período que antecede a II Guerra Mundial,
as mais famosas criações eram as de Walt Disney, sendo o Rato Mickey
considerado o herói da Depressão. Disney foi aclamado pelo seu inovador uso da
cor e do som, começando a produzir filmes de animação, tal como Snow White and the Seven Dwarves (1937),
cujo sucesso catalisou o surgimento de Pinnochio
(1940), Fantasia (1940), Dumbo (1941) e Bambi (1942). Enquanto o cinema prosperava em Hollywood, os
totalitarismos alastravam-se pela Europa, reprimindo toda a liberdade artística
e intelectual, incluindo o cinema. Na Alemanha, quando Hitler chegou ao poder,
Goebbels, ministro da propaganda nazi, controlou a sétima arte para difundir propaganda
do regime, destacando-se o documentário Triumph
des Willens (1935), de Leni Riefenstahl. Em Portugal, nos anos 30, aparece
Manoel de Oliveira, com o seu primeiro filme Douro, Faina Fluvial (1931), que foi vaiado pelo público nas suas
primeiras exibições nacionais, mas muito elogiado em França, acabando por ser
considerado uma obra-prima. O cinema falado chega a Portugal em 1931, com A Severa e filmes como A Canção de Lisboa (1933), com Beatriz
Costa, e Aldeia da Roupa Branca
(1938). Em Inglaterra, foi difícil competir com a proeminência de
Hollywood, tendo sido feita uma lei que obrigava qualquer distribuidor a ter
sempre um determinado número de filmes britânicos, levando às chamadas “quota quickies”, filmes feitos à pressa
para preencher a quota. No entanto, The
Private Life of Henry VIII (1933) tornou-se no primeiro êxito mundial
britânico, induzindo a uma tentativa de um Hollywood Britânico, “Hollywood on the Thames”, que falhou,
pois todos os grandes artistas ingleses, como Hitchcock, partiam para
Hollywood, e porque, devido ao London Blitz, os bombardeamentos aéreos a
Londres na II Guerra, os cinemas foram fechados. Esses encerramentos duraram
pouco tempo e os cinemas abriram com muitos filmes que propagavam a resistência
inglesa na guerra, como Target fot
Tonight (1941) e Fires Were Started
(1943). Em princípios da II Guerra Mundial, os filmes vão ter um caráter mais
realista, sendo populares os documentários, que revelavam ao público os
horrores da guerra e, ao mesmo tempo, elevavam a causa Aliada, tais como Our Russian Front (1942) e Battle of San Pietro (1945).
Os cinemas
estavam submissos aos governos, que apoiavam filmes que mostrassem os esforços
do país na guerra e ajudassem com a perda de familiares. Em Inglaterra, surgem
filmes que ensinavam a reconhecer espiões alemães, como esconder informação de
inimigos e como ajudar soldados, sendo exemplo disto Confessions of a Nazi Spy (1939) de Hitchcock. O envolvimento dos
EUA proporcionou uma proliferação de filmes de propaganda patriótica e
antinazi, como The Story of G.I. Joe
(1945). O filme mais aclamado do período de guerra foi Casablanca (1942), dos Warner Brothers, juntamente com The Great Dictator (1940) de Chaplin,
que falou pela primeira vez em filme.
Trabalho realizado por Daniela Medeiros,
no âmbito da cadeira de História dos Media do curso CSC da Universidade dos Açores
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Mata - Jardim José Do Canto – Lagoa Das Furnas - São Miguel, Açores
«É perto das Furnas, e junto a um lago encantador, que está situada uma das melhores propriedades do Sr. José do Canto, que, apesar de não estar na Ilha, ainda assim empregou todos os meios para que esta nossa visita nos fosse tão agradável como instrutiva. É imensa esta propriedade, quase toda montanhosa. Dois dias nos foram necessários para podermos percorrer-lhes os pontos principais».
Goeze, E.
Em 1866, o botânico alemão Edmund Goeze visitou a Mata-Jardim José do Canto que por esta altura era o maior campo de habituação de espécies exóticas em S. Miguel, ocupando uma área de aproximadamente 600 ha. Após o desaparecimento do seu fundador a propriedade foi repartida pelos herdeiros, ficando a Mata-Jardim a cobrir uma área de 120 ha, sendo que 10 da mesma diz respeito à secção ajardinada.
A Mata-Jardim foi «desenhada e plantada nos meados do séc. XIX, segundo o plano dos paisagistas franceses Barillet-Deschamps e George Aumont. Deste traçado percebem-se (…) a Capela de Nossa Senhora das Vitórias, edificada entre 1877 e 1888, onde estão sepultados José do Canto e sua mulher Maria Guilhermina». (Albergaria, 2005:107-109).
Esta unidade paisagística, que começou a ser plantada em 1858, está aberta ao público desde 2014 e proporciona aos adeptos de jardins e de flora a visualização de uma coleção de camélias bem como de árvores indígenas oriundas de regiões temperadas e subtropicais, das quais destacamos a nogueira-do-Cáucaso (pterocarya fraxinifolia), a azinheira (quercus rotundifolia), palmeiras da China, Austrália e Nova Zelândia, rododendros dos Himalaias, eucaliptos, loureiros indígenas dos Açores, macieiras, camélias oriundas da Ásia, entre outros.
No Vale dos Fetos, criado em meados do séc. XX por Ernesto Hintze Ribeiro, os visitantes podem observar fetos provenientes da Austrália e Nova Zelândia (cyathea australis, cyathea cooperi, cyathea medularis), palmeiras (tais como rhopalostylis sapida, da Nova Zelândia ou a phoenix canariensis proveniente das Canárias).
A 2 km do Vale dos Fetos localiza-se a cascata do Salto do Rosal, com esculturas talhadas em rocha vulcânica.
Referências Bibliográficas:
ALBERGARIA, I.S. (2005) – Parques e Jardins dos Açores. Argumentum, Lisboa.
GOEZE, E. (1867) – A Ilha de S. Miguel e o Jardim Botânico de Coimbra. Imprensa da Universidade, Coimbra.
QUINTAL, Raimundo (2015), Mata-Jardim José do Canto, Lagoa das Furnas – S.Miguel, Açores. Revista Jardins, julho/ agosto 2015, pp. 28 – 30.
Texto de Hugo Câmara ( Aluno do 1º Ano do Curso de CSC (2014/2015) da Universidade dos Açores)
Biblioteca Joanina Orgulha-se de Proteger o Seu Bem Mais Precioso: O LIVRO
A Biblioteca Joanina, que maravilha qualquer turista que por lá passe, surpreende por ser ainda “uma biblioteca viva”, querendo isto dizer que as obras que embelezam as vastas estantes não são apenas ornamentos, mas podem ainda ser requisitadas, ou seja, longe de ser um museu, a Biblioteca Joanina é um espaço vivo.
Para que isto seja possível, a Biblioteca Joanina tem como principal preocupação o bom estado dos livros, desenvolvendo continuamente a sua manutenção e restauração. A restauração está a cargo de Elsa Girão, a única técnica de restaura da instituição, que tem como funções a conservação, higienização e hidratação dos livros, de forma a evitar a sua degradação. O restauro de um livro pode custar entre os 500€ aos 5000€, dependendo da situação. Os casos de reparação mais complicados não são feitos em Coimbra, mas sim enviados para a Lisboa, para serem recuperados na Biblioteca Nacional ou no Arquivo da Torre do Tombo. São enviados cerca de 10 a 15 livros por ano, apesar de haver a necessidade de enviar mais, faltam os meios monetários. Os apoios financeiros para os restauros são na sua maioria apoios mecenáticos e doações que chegam através do projeto SOS Livro Antigo. José Augusto Bernardes, diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, solicita mais auxílio para a conservação e restauro das obras, referindo que até livros novos precisam de reparações se forem muito requisitados, e essas situações ficam muitas vezes postas de parte por haver uma maior preocupação e ser dada prioridade aos livros mais antigos, uma vez que há que ter uma contenção de gastos.
Uma interessante particularidade da Biblioteca Joanina é sem dúvida a colónia de morcegos que lá habita e protege os livros dos insetos bibliófilos desde o início da biblioteca, sendo uma importante arma da preservação das obras que como contrapartida requer apenas que as mesas da biblioteca sejam todas as noites cobertas por peles, de forma a serem protegidas dos dejetos dos morcegos. Esta peculiar forma de conservação dos livros não deixa de impressionar quem por lá passa.
Outros riscos para os livros, para além dos insetos, são os incêndios, as inundações, a humidade, as mudanças de temperatura e o manuseio.
Outros riscos para os livros, para além dos insetos, são os incêndios, as inundações, a humidade, as mudanças de temperatura e o manuseio.
A Biblioteca Joanina, que recebeu este nome por ter sido mandada erguer por D. João V, é um anexo da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, declarada Património Mundial pela UNESCO em 2013, é a mais rica biblioteca universitária do mundo, com um total de 2 milhões de livros, incluindo cerca de 55 mil obras publicadas entre o século XII e 1801, estando a maioria em latim.
A casa dourada, como também é conhecida, tem o privilégio de ter na sua coleção raridades como a primeira edição de “Os Lusíadas” e a “Bíblia Hebraica de Abravanel”, da qual só existem 20 exemplares no mundo inteiro.
Texto de Daniela Medeiros ( Aluna do 1º Ano do Curso CSC (2014/2015) da Universidade dos Açores)
segunda-feira, 27 de julho de 2015
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS - 150 anos da publicação
Comemora-se
este ano 150 anos da publicação de “Alice no País das Maravilhas” de Lewis
Carroll. A obra foi escrita com o intuito de entreter uma menina chamada Alice
Liddell.
“Alice
no País das Maravilhas” publicado pela primeira vez em 1865 na Inglaterra é considerado
um livro intemporal no mundo inteiro, ambíguo na sua classificação pois está
entre o que é literatura para crianças e para adultos.
Ao
longo dos anos esta obra foi alvo de várias adaptações, traduções, versões e
ilustrações, e em Portugal não foi diferente, pois foram disponibilizadas várias
edições. É relevante mencionar que a obra foi adaptada para cinema para
musicais e para peças de teatro.
A
importância deste livro é de tal modo que existem indivíduos que reconhecem as
personagens sem o nunca ter lido.
Em
Portugal, a Editorial Presença associou-se às atividades em torno dos 150 anos
de publicação, reeditando numa bela edição ilustrada com o aliciante preço de
9,90€ .
Charles
Lutwidge Dodgson, mais conhecido como Lewis Carroll, nasceu em Inglaterra, em
1832, foi matemático, lógico, fotógrafo e romancista, sendo reconhecido como
tal após o seu sucesso com “Alice no País das Maravilhas” e faleceu em 1898.









