quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Minima Azorica, O Meu Mundo É Deste Reino - Onésimo Teotónio Almeida
Mais do que um lugar "de onde", os Açores foram-me sempre um lugar "onde". Costumo dizer que não emigrei, só alarguei fronteiras, tanto para oriente como para ocidente. Por isso as margens do Atlântico se me aproximaram e fizeram um rio. A ida para Lisboa e, poucos anos depois, para os EUA, fez-me dar conta de um generalizado desconhecimento do meu arquipélago, mesmo de realidades tão simples como a sua geografia. Vicissitudes diversas levaram-me a embrenhar-me no estudo da cultura açoriana e, de modo especial, da sua produção literária. Daí o ter criado um curso na Brown University sobre Literatura Açoriana que é, afinal, um mergulho na cultura dos Açores através da sua literatura – tema também de um simpósio por mim organizado em 1983, cujas actas coordenei em "Da Literatura Açoriana – Subsídios para um balanço" (1986). No mesmo ano publicara "A Questão da Literatura Açoriana – Uma revisitação" e coordenara ainda "The Sea Within – a selection of Azorean Poetry", traduzida por George Monteiro. Em 1989, publiquei "Açores, Açorianos Açorianidade – um espaço cultural" (reeditado em edição alargada em 2011). Também em 2010 saiu "Açores, Europa – uma antologia". No "Seio Desse Amargo Mar" (1991) põe em teatro a questão da identidade açoriana. O presente volume recolhe os principais escritos açorianos em português desde 1989.
Minima Azorica - O meu mundo é deste reino, Onésimo Teotónio Almeida, Companhia das Ilhas, 2014.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Poesia Reanimada de Daniel Gonçalves - Chancela Artes e Letras
Trata-se de uma antologia de Daniel Gonçalves, poemas dos últimos seis anos, numa edição muito íntima e cuidada, que tentou reanimar o essencial das suas palavras. A obra chama-se, precisamente, POESIA REANIMADA (teoria geral do amor).
Vai ter chancela da Livraria SolMar. O livro terá duas versões, uma regular e outra mais do que especial, com tudo quanto um livro merece: capa dura, forrada a tecido, fita, sobrecapa, papel gourmet, enfim, pequenos luxos. A edição especial será reduzida. Saia em Dezembro.
Um livro especial, para uma bonita prenda de Natal.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Convite/Lançamento - Da Europa de Shuman À Não Europa de Merkel de Eduardo Paz Ferreia
Da Europa de Schuman à Não Europa de Merkel”, de Eduardo Paz Ferreira.
"Eduardo Paz Ferreira, “europeu nascido nos Açores” e hoje professor de Direito, foi, então com 23 anos, chefe de gabinete de Medeiros Ferreira, ministro dos negócios... estrangeiros, e nessa qualidade participou nas negociações para a adesão de Portugal à União Europeia. Esse processo é descrito no seu livro recentemente publicado, “Da Europa de Schuman à Não Europa de Merkel” (Lisboa, Quetzal, pg. 85 e seg.). Mas não é só esse registo testemonial que configura a relevância do livro, que vale também pela reflexão aberta sobre a história e as dificuldades da União, a partir do debate económico, social, jurídico e, sobretudo, europeu."
Ler aqui http://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2014/10/05/da-europa-de-schuman-a-nao-europa-de-merkel-de-eduardo-paz-ferreira/
terça-feira, 7 de outubro de 2014
O melhor Romance que Ninguem Leu - Stoner
Romance publicado em 1965, caído no esquecimento. Tal como o seu autor, John Williams – também ele um obscuro professor americano, de uma obscura universidade. Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: "É o melhor romance que ninguém leu".Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da híper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos – se tivermos um livro a que nos agarrar.
Stoner, John Williams, Ed. D.Quixote, 2014.
Ler aqui
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
A Incrível Viagem do Faquir
Ajatashatru
Larash Patel, faquir de profissão, que vive de expedientes e truques de vão de
escada, acorda certa manhã decidido a comprar uma nova cama de pregos. Abre o
jornal e vê uma promoção aliciante: uma cama de pregos a €99,99 na loja Ikea
mais próxima, em Paris. Veste-se para a ocasião - fato de seda brilhante,
gravata e o seu melhor turbante - e parte da Índia com destino ao aeroporto
Charles de Gaulle. Uma vez chegado ao enorme edifício azul e maravilhado com a
sapiência expositiva da megastore sueca, decide passar aí a noite a explorar o
espaço. No entanto, um batalhão de funcionários da loja a trabalhar fora de
horas obriga-o a esconder-se dentro de um armário, prestes a ser despachado
para Inglaterra. Para o faquir, é o começo de uma aventura feita de encontros surreais,
perseguições, fugas e aventuras inimagináveis, que o levam numa viagem por toda
a Europa e Norte de África.
A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário IKEA é uma aventura rocambolesca e hilariante passada nos quatro cantos da Europa e na Líbia pós-Kadhafi, uma história de amor mais efervescente do que a Coca-Cola, mas também o reflexo de uma terrível realidade: o combate travado por todos os clandestinos, últimos aventureiros do nosso século.
A incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário IKEA é uma aventura rocambolesca e hilariante passada nos quatro cantos da Europa e na Líbia pós-Kadhafi, uma história de amor mais efervescente do que a Coca-Cola, mas também o reflexo de uma terrível realidade: o combate travado por todos os clandestinos, últimos aventureiros do nosso século.
Romain
Puértolas nasceu em Montpellier, em 1975. Quando era novo, queria ser
cabeleireiro-trompetista, mas o destino trocou-lhe as voltas. Oscilando entre a
França, a Espanha e a Inglaterra, foi sucessivamente DJ, compositor-intérprete,
professor de línguas, tradutor-intérprete, comissário de bordo, mágico, antes
de tentar a sua sorte como cortador de mulheres num circo austríaco.
Rapidamente despedido por ter mãos escorregadias, resolve dedicar-se à escrita compulsiva. Autor de 450 romances num ano, ou seja, 1,2328767123 romances por dia, consegue finalmente arrumar os seus próprios livros numa estante Ikea. Infelizmente, despojado de 442,65 dos seus romances por extraterrestres dotados de uma inteligência e um gosto bem acentuados, Romain Puértolas vê-se reduzido a uma estante estilo caixote de pêssegos periclitante e desesperadamente vazia.
Rapidamente despedido por ter mãos escorregadias, resolve dedicar-se à escrita compulsiva. Autor de 450 romances num ano, ou seja, 1,2328767123 romances por dia, consegue finalmente arrumar os seus próprios livros numa estante Ikea. Infelizmente, despojado de 442,65 dos seus romances por extraterrestres dotados de uma inteligência e um gosto bem acentuados, Romain Puértolas vê-se reduzido a uma estante estilo caixote de pêssegos periclitante e desesperadamente vazia.
A Incrível Viagem do Faquir que Ficou Fechado num armário Ikea, Romain Purértolas, Porto Editora, 2014.
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Porque Não Existe o Mundo
A Leitora à Janela, Vermeer
“Esta
pintura possui níveis diversos que interagem com a diferença entre a realidade
e a ficção ou, em geral, com as diferenças entre o ser e a sua aparência. A luz
cai sobre a pintura, proveniente de uma fonte invisível do lado de fora da janela
na metade esquerda da cena, o que atrai a nossa atenção. A cena está diante de
nós como num palco, com um cortinado verde puxado para trás, o sublinha a
estrutura cénica da pintura. A jovem recebeu uma mensagem escrita que está a
ler e é muito provavelmente de uma mensagem amorosa que se trata. As faces
estão ligeiramente coradas, o que podemos interpretar como manifestação de
vergonha. Além disso, o cortinado é da mesma cor do seu vestido, o que pode ser
interpretado, com alguma perspicácia psicanalítica, como uma expressão da
vontade que tem quem observa a pintura (que somos nós) de a despir com os olhos.
Até porque a observamos numa cena íntima. Um outro indício do tom sexual
subjacente à pintura está contido na tigela com a fruta, ligeiramente
entornada, de onde caiu um pêssego semicómico, encontrando-se a tigela sobre
uma cama de roupa revolta. É de notar, além disso, que a jovem não se volta
para a fonte de luz mas sim para acarta que tem na mão e que lê com ar ansioso,
aparecendo refletida no vidro da janela aberta. Isto pode ser uma referência
crítica ao tema pecado. A jovem rejeita a fonte de luz divina e dá importância aos
seus desejos mundanos.”
A
vida, o universo e tudo o resto – é possível que todos nos interroguemos muitas
vezes sobre o que significam. E qual é a nossa situação no meio disto tudo?
Seremos apenas um monte de partículas elementares num contentor gigantesco à
escala mundial? Ou constituirão os nossos pensamentos, os nossos desejos e as
nossas esperanças uma realidade própria e, nesse caso, que realidade
constituem? Como podemos compreender a nossa existência ou, mesmo, a
existência, em geral? E qual é o alcance do nosso conhecimento? Nesta obra
desenvolvo o princípio de uma nova filosofia que parte de um simples
pressuposto básico: o mundo não existe. Como o leitor verá, isto não significa
que nada exista. O nosso planeta existe, tal como existem os meus sonhos, a
evolução, os autoclismos, a queda de cabelo, a esperança, as partículas
elementares e até mesmo os unicórnios na Lua, só para citar algumas coisas. O
princípio de que o mundo não existe significa que tudo isso existe mas de
maneira diferente.» Gabriel não é apenas o professor de filosofia mais jovem da
Alemanha, mas também um pensador estimulante, que nos propõe respostas
originais para as grandes perguntas da humanidade.
Porque Não Existe o Mundo, Markus Gabriel, Temas e Debates, 2014.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Herzog
«Se
estou fora de mim, isso não me importa, pensou Moses Herzog.»
Publicado pela primeira vez há exatamente 50 anos e
considerado um dos maiores romances de Saul Bellow, Herzog conta a
história de Moses Herzog, intelectual de muitos conflitos e de sofrimentos
emocionais e filosóficos, mas também homem de grande charme.
A sua existência está a desintegrar-se em todos os domínios. Herzog falhou enquanto escritor, enquanto académico, enquanto pai, enquanto marido e amigo - perdeu a segunda mulher e o melhor amigo, que o traíram um com o outro e agora formam um novo casal.
Apesar de tudo, Herzog vê-se como um sobrevivente e aplica o seu inconformismo e a sua ira na escrita de cartas (que nunca chegará a enviar) para amigos, inimigos, rivais, colegas, pessoas famosas - vivas e mortas -, e em que revela a sua invulgar visão do mundo.
Uma agudíssima observação da vida pública e privada, no mais autobiográfico romance de Saul Bellow.
A sua existência está a desintegrar-se em todos os domínios. Herzog falhou enquanto escritor, enquanto académico, enquanto pai, enquanto marido e amigo - perdeu a segunda mulher e o melhor amigo, que o traíram um com o outro e agora formam um novo casal.
Apesar de tudo, Herzog vê-se como um sobrevivente e aplica o seu inconformismo e a sua ira na escrita de cartas (que nunca chegará a enviar) para amigos, inimigos, rivais, colegas, pessoas famosas - vivas e mortas -, e em que revela a sua invulgar visão do mundo.
Uma agudíssima observação da vida pública e privada, no mais autobiográfico romance de Saul Bellow.
Herzog, Saul Bellow, Quetzal, 2014.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Os Interessantes
Numa noite de verão de 1974, seis adolescentes planeiam uma
amizade para toda a vida. Jules, Cathy,
Jonah, Goodman, Ethan e Ash ensaiam a atitude cool que (esperam) os defina como
adultos. Fumam erva, bebem vodka, partilham os seus sonhos. E, juram, serão
sempre Os Interessantes. Ao longo da adolescência, o talento artístico destes
seis amigos foi sempre satisfeito e encorajado. Mas o tipo de criatividade que
é celebrada aos 15 anos nem sempre é suficiente para impulsionar a vida aos 30
– para não falar dos 50. Nem todos vão conseguir manter viva a chama que os
distingue na juventude. Décadas mais tarde, a amizade mantém-se embora tudo o
resto tenha mudado. Jules, que planeava ser atriz, resignou-se a ser terapeuta.
Cathy abandonou a dança. Jonah pôs de lado a guitarra para se dedicar à
engenharia mecânica. Goodman desapareceu. Apenas Ethan e Ash se mantiveram
fiéis aos seus planos de adolescência. Ethan criou uma série de televisão de
sucesso e Ash é uma encenadora aclamada. Não são apenas famosos e bem-sucedidos,
têm também dinheiro e influência suficientes para concretizar todos os seus
sonhos. Mas qual é o futuro de uma amizade tão profundamente desigual? O que
acontece quando uns atingem um extraordinário patamar de sucesso e riqueza, e
outros são obrigados a conformar-se com a normalidade?
Entrevista
Uma geração na esquina entre o talento e o dinheiro
No princípio houve a ideia da inveja. A inveja sossegada, silenciosa, de quem amamos. A inveja que é difícil de confessar e, antes disso, de admitir; por oposição à inveja que se grita. Uma inveja sem “qualquer poder autónomo”, “doentia e progressiva”. Colada a essa ideia, surgiu então a ideia de talento e do que se faz com ele. Não num momento, mas ao longo da vida. O que acontece ao talento, “essa coisa fugidia”, que se pode ou não apurar, activar, revelar ou, simplesmente, não ter? “O talento faz-nos suportar a vida”, acredita uma das personagens talentosas. A frase surge agora citada, dita entre aspas pela sua criadora, como se pelo facto de lhe ter atribuído uma autoria, mesmo que ficcional, deixasse de ter propriedade sobre ela. Ri. Haverá de falar dessas vidas fictícias mais à frente na conversa.
Ler Aqui
terça-feira, 9 de setembro de 2014
A Peregrinação do Rapaz sem Cor
“Tudo
se precipitou durante as férias de verão, entre o primeiro semestre e o
segundo. Foi a partir dai que, à imagem do que acontece nas vertentes
escarpadas de uma montanha, cada qual com o seu tipo de vegetação, a vida de Tsukuru
conheceu uma transformação radical”
Nos
seus dias de adolescente, Tsukuru Tazaki gostava de ir sentar-se nas estações a
ver passar os comboios. Agora, com 36 anos feitos, é engenheiro de profissão e
projeta estações, mas nunca perdeu o hábito de ver chegar e partir os comboios.
Lá está ele na estação central de Shinjuku, ao que dizem «a mais movimentada do
mundo», incapaz de despregar os olhos daquele mar selvagem e turbulento «que
nenhum profeta, por mais poderoso, seria capaz de dividir em dois». Leva uma
existência pacífica, que talvez peque por ser demasiado solitária, para não
dizer insípida, a condizer com a ausência de cor que caracteriza o seu nome. A
entrada em cena de Sara, com o vestido verde-hortelã e os seus olhos brilhantes
de curiosidade, vem mudar muita coisa na vida de Tsukuru. Acima de tudo, traz a
lume uma história trágica, que a memória teima em não esquecer. Os quatro
amigos de liceu, donos de personalidades diferentes e nomes coloridos, cortaram
relações com eles sem lhe dar qualquer explicação. Profundamente ferido nos
seus sentimentos, Tsukuru perdeu o gosto pela vida e esteve a um passo da
morte. A páginas tantas, lá conseguiu não perder a carruagem. Com "Os Anos
de Peregrinação" de Liszt nos ouvidos, regressa à cidade que o viu nascer
e atravessa meio mundo, viajando até à Finlândia, em busca da amizade perdida.
E de respostas para as perguntas que andam às voltas na sua cabeça e lhe
queimam a língua. Será que o rapaz sem cor vai ser capaz de seguir em frente?
Arranjará finalmente coragem para declarar de vez o seu amor por Sara? Uma
inesquecível viagem pelo universo fascinante deste escritor japonês que chega a
milhões de leitores espalhados pelo mundo inteiro. Um romance marcadamente
intimista sobre a amizade, o amor e a solidão dos que ainda não encontraram o
seu lugar no mundo
A
Peregrinação do Rapaz Sem Cor, Haruki Murakami, Casa Das Letras, 30 setembro, 2014.









