quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Lá Fora




"Lá fora", o guia para descobrir a natureza, editado pelo Planeta Tangerina:

 lá fora: nuvens e estrelas, árvores e flores, rochas e praias, aves, répteis ou mamíferos.
Se estivermos atentos, a natureza pode estar bem próxima, pronta a espantar-nos com a sua beleza e com todas as perguntas que nos leva a fazer.
O que esperamos então?
Saltemos do sofá e iniciemos a exploração!

 
Criado com a colaboração de uma equipa de especialistas portugueses, este livro pretende despertar a curiosidade sobre a fauna, a flora e outros aspetos do mundo natural que podem ser observados em Portugal. Inclui também propostas de atividades e muitas ilustrações, para ajudar toda a família a ganhar balanço, sair de casa e descobrir – ou simplesmente contemplar – todo o mundo incrível que existe "Lá fora".

 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Porquê ir?




Verdadeiro thriller político, com a medina de Fez em pano do fundo e os tempos explosivos do movimento nacionalista marroquino. Embora todos os romances de Paul Bowles espelhem o encontro e o conflito entre civilizações, neste, muito menos subjetivo, a aguda clivagem entre a cultura árabe e a do colonizador francês é profundamente explorada, com grande detalhe e intensidade. A forte tenção política e social que enquadra a intriga - protagonizada por um americano comunista, um rapazinho analfabeto e uma atraente mulher ocidental -, o ambiente de conspiração nacionalista e a infinidade de matizes, que restituem a milenar cidade de Fez à sua complexidade e vida, tornam A Casa da Aranha num marco na obra de Paul Bowles.
A Casa da Aranha, Paul Bowles, Quetzal, 2014.

«Porquê ir? A resposta é que num quando um homem já lá esteve e sofreu o batismo da solidão não consegue evitá-lo. Caso alguma vez tenha estado sob o feitiço do vasto, luminoso e silencioso território, nenhum outro lugar é suficientemente forte para ele, nenhumas outras cercanias conseguem propiciar a supremamente satisfatória sensação de existir no meio de algo que é absoluto. Ele voltará lá, sejam quais forem os custos em conforto e em dinheiro, porque o absoluto não tem preço.»

Entre a imensa e majestosa solidão do Saara e a tranquilidade doméstica da sua ilha tropical no Ceilão - propriedade extravagante e selvagem que manteve durante alguns anos na costa de Weligama -, Paul Bowles percorreu incessantemente os caminhos do globo terrestre. Uma curiosidade inesgotável por todas as paisagens humanas e a atração por dois tipos antitéticos de paisagem geográfica, o deserto e a floresta tropical, alimentaram um fluxo constante de viagens, em que Bowles alternou a deslocação com a permanência em todos esses lugares que quis conhecer e onde escolheu viver por períodos maiores ou menores. Paul Bowles é um dos grandes viajantes eruditos do século XX e o seu legado - musical e literário - sedimenta, em toda a sua originalidade, sofisticação e versatilidade, o património cultural universal.
Viagem, livro inédito e o primeiro de uma série que a Quetzal dedica a Paul Bowles, reúne relatos das suas aventurosas deambulações pela Europa, África, América Central e Ásia.
Viagens, Paul Bowles, Quetzal, 2013.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A Rainha da Neve




“Escolhi de facto abrir o romance mesmo antes de o povo americano (por uma pequena e duvidosa maioria, mas ainda assim) reeleger o homem que, durante o seu primeiro mandato, destruíra a economia e declarara guerra ao país errado, e depois pus o livro a acabar quatro anos mais tarde, quando o povo americano elegeu um afro-americano de óbvia inteligência e força moral na verdade, o oposto absoluto de G.W. Bush. Suspeito que as personagens teriam sentimentos contraditórios quando aos seis anos de Obama na presidência. Ele fez coisas inequivocamente boas. Contribuiu para avanços essenciais nos direitos dos homossexuais, das mulheres, das populações negras. Ele avançou (mesmo se com resultados ainda não muito sólidos) co um programa nacional de cuidados de saúde. Por outro lado, a prisão de Guantánamo continua a funcionar. Há dornes a aniquilar festas de casamento no Paquistão. A National Security Administration foi apanhada a espiar cidadãos americanos. Mas também é verdade que ele encontrou obstáculos absurdos por parte do Senado, muitas vezes sem outra razão que não seja a de desgastar, por pura maldade, a fé dos americanos em Obama. Ou seja, ser Presidente dos EUA acaba por ser um trabalho extremamente difícil. O que as personagens do meu livro compreenderiam, como eu compreendo.”

Michael Cunningham, entrevista a José Mário Silva, Atual, Expresso

O romance luminoso de Michael Cunningham começa com uma visão. Estamos em Novembro de 2004 e Barrett Meeks, tendo perdido um amor uma vez mais, atravessa o Central Park quando se sente impelido a olhar para o céu. Ali, avista uma luz pálida e translúcida que parece olhar para ele de uma forma inequivocamente divina. Barrett não acredita em visões – nem em Deus – mas não pode negar o que viu e sentiu.

Ao mesmo tempo, Tyler, o irmão mais velho de Barrett, músico em busca de inspiração, tenta – sem sucesso – escrever uma canção de casamento para Beth, a sua noiva gravemente doente. Tyler está determinado a escrever uma canção que não seja meramente uma balada sentimental, mas uma expressão duradoura de amor.

Cunningham segue os irmãos Meek nos seus diferentes percursos em busca da transcendência. Numa prosa subtil e lúcida, demonstra uma profunda empatia pelas personagens torturadas e uma compreensão singular daquilo que constitui o âmago da alma humana.

A Rainha da Neve, obra bela e comovente, cómica e trágica, vem de novo provar que Michael Cunningham é um dos grandes romancistas da sua geração

A Rainha da Neve, Michael Cunningham, Gradiva, 2014

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Chet Baker Pensa Na Sua Arte




É meia-noite, em fundo toca Bela Lugosi’s Dead, do grupo Nouvelle Vague, e nem sequer a música me impede de pensar nessa realidade «bárbara, brutal, muda, sem significado, das coisas» de que falava Ortega. Olho pela janela e vejo a vida inerte, e parece-me que esse tipo de realidade bárbara e muda é especialmente percebida hoje por quem - como já Musil pensava - acha que no mundo não existe já a simplicidade inerente à ordem narrativa, essa ordem simples que consiste em poder dizer às vezes: «Depois de aquilo ter acontecido aconteceu isto, e depois aconteceu outra coisa, etecetera».
Tranquiliza-nos a simples sequência, a ilusória sucessão de factos.

Chet Baker Pensa Na Sua Arte, Enrique Vila-Matas, Teodolito 2013.


As Armas Secretas - 2014 - centenário do nascimento de Julio Cortázar


"Entre as muitas formas de combater o nada, uma das melhores é tirar fotografias, actividade que devia ser ensinada, desde cedo, às crianças, pois exige disciplina, educação estética, bom olho e dedos firmes."

Os contos que compõem As armas secretas, considerados obras-primas no género, constituem importantes marcos na escrita de Julio Cortázar. Nestes, a realidade labiríntica e obsessiva em que vive o homem contemporâneo é descrita de forma fantástica e, por vezes, alucinante, num estilo único que explora as zonas de fronteira da própria literatura.

Volume que inclui, entre outros, os célebres contos As babas do diabo, adaptado ao cinema por Michelangelo Antonioni no filme Blow-up - história de um fotografo e O perseguidor, sobre os derradeiros dias do músico de jazz Charlie Parker


As Armas Secretas, Julio Cortázar, Cavalo de Ferro 2014

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O Homem Mais Procurado


O Homem Mais Procurado" adapta ao grande ecrã a aclamada obra de John le Carré que, por sua vez, se inspira na história verídica de Murat Kurnaz. Cidadão turco e residente legal na Alemanha, foi capturado pelas autoridades norte-americanas – com conhecimento do Governo germânico – e levado para a base militar de Kandahar, no Afeganistão, seguindo posteriormente para a prisão de Guantánamo (na base naval norte-americana em Cuba). Durante o processo, ficou provado que Kurnaz esteve preso durante cinco anos sob nenhuma acusação legal. A sua libertação, em Agosto de 2006, aconteceu depois de um escândalo internacional. Aqui

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

George Smiley, o vintage de Le Carré


 
 
Eu e o público sabemos
O que na escola toda a criança aprende:
Aqueles a quem se faz mal
Fazendo o mal retribuem
 W.H. ADEN
 
 
A toupeira foi eliminada, mas a devastação que deixou na sua esteira depauperou gravemente os serviços secretos britânicos. Investido da chefia do Circus, numa altura em que a organização se encontra altamente comprometida, George Smiley lança-se numa campanha que visa pôr a descoberto aquilo que o Centro de Moscovo mais deseja ocultar, obstinando-se em reunir provas de que Karla prepara uma grande operação no Extremo Oriente. Talvez por aí se pudesse iniciar a reconstrução do Circus. Mas, para isso, são necessários agentes livres de qualquer suspeita, indivíduos que a toupeira não tenha detetado ou conhecido. E Smiley acredita ter encontrado o homem certo: um aristocrata tão digno e frustrado como a própria Grã- Bretanha; um ilustre colegial cuja respeitabilidade poderá ser arruinada por uma contraoperação que se revela pouco ética, como todas as operações de espionagem, mas na qual reside a grande oportunidade de o Circus renascer das cinzas.

Brilhantemente urdido e moralmente complexo, O Ilustre Colegial não só constitui um fascinante retrato da espionagem pós-colonial como nos revela um mundo dilacerado pela guerra onde as fidelidades - e as vidas - são objeto de compra e venda.
 
 O Ilustre Colegial, John Le Carré, Dom. Quixote, 2014.
 
 


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Olhos Azuis Cabelos Preto



«É a história de um amor, o maior e mais terrível sobre que me foi dado escrever. Eu sei-o. Qualquer um pode ficar a sabê-lo por si.
Trata-se de um amor que não é nomeado nos romances e que também não é nomeado por aqueles que o vivem. De um sentimento que de certo modo não tem ainda o seu vocabulário, os seus hábitos e rituais. Trata-se de um amor perdido. Perdido como perdição.
Leiam o livro, leiam-no mesmo que de início o detestem. Já nada temos a perder, nem eu dos leitores, nem os leitores de mim. Leiam tudo. Leiam todas as distâncias que vos são indicadas, as dos corredores que rodeiam a história e a acalmam e nos concedem o tempo de os percorrer. Continuem a ler e de súbito terão atravessado a história, os seus risos, a sua agonia, os seus desertos.

Sinceramente vossa.

Duras»

Olhos Azuis Cabelos Pretos, Marguerite Duras, Relógio D'Água, 2014.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

George Orwell Diários



A 28.7.39
Assuntos Sociais
Pelos vistos, o governo está a considerar subir a pensão de velhice, sem dúvida a pensar nas eleições gerais.

George Orwell, Diários, D. Quixote, 2014.

Os diários de George Orwell (1931-1949) dão a conhecer a vida do escritor que marcou o pensamento político do século XX.
Escritos ao longo da sua carreira, os onze diários que sobreviveram - sabe-se que haverá outros dois da sua permanência em Espanha guardados nos arquivos da NKVD em Moscovo - registam as suas viagens de juventude entre os mineiros e os trabalhadores migrantes, a ascensão dos regimes totalitários, o horrível drama da Segunda Guerra Mundial, bem como os acontecimentos que inspiraram as suas obras-primas: O Triunfo dos Porcos / A Quinta dos Animais e 1984.
As entradas de carácter pessoal reportam um dia-a-dia muitas vezes precário, a trágica morte da sua primeira mulher, e o declínio de Orwell, vítima de tuberculose.

 



terça-feira, 10 de junho de 2014

A Morte Sem Mestre



«A Morte sem Mestre» é o mais recente livro de poesia de Herberto Helder. Escrito em 2013 e integralmente inédito, «Tudo quanto neste livro possa parecer acidental é de facto intencional» - «[...] peço por isso que um qualquer erro de ortografia ou sentido / seja um grão de sal aberto na boca do bom leitor impuro.», escreve-nos o autor.
Herberto Helder tem por hábito encadernar os seus livros com papel de embrulho castanho, escrevendo por fora com caneta de feltro vermelha o título e o nome do autor. A sobrecapa da presente edição evoca esse hábito, reproduzindo a sua caligrafia. É ainda incluído um CD, com cinco poemas lidos por Herberto.

A Morte sem Mestre de Herberto Helder, Porto Editora, 2014.