domingo, 19 de janeiro de 2014
O João de Melo, O Grande Manifesto
JOÃO DE MELO, O GRANDE MANIFESTO
"Um romance monumental – eis aquilo de que se trata. Do título à nota com que encerra, e mesmo se nem sempre é fácil encontrar-lhe a melodia. Ou precisamente por causa disso. Narrativa polifónica, feita de fragmentos e memórias descontínuas, a cada instante determinada a somar centros de consciência, “Gente Feliz Com Lágrimas” mantém as costuras à vista, e talvez seja essa a sua suprema virtude."
Joel Neto, em http://www.joelneto.com/373318.html.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Indispensável "Não Há Mapa Cor-de-Rosa"
Fotografia de Tiago Miranda
Não Há Mapa
Cor-de-Rosa
“Paulo Portas não inventou a “diplomacia económica”. O livro
de Medeiros Ferreira (que saiu há pouco tempo) demonstra límpida e seguramente
que, desde meados do século XVIII, Portugal sempre teve uma diplomacia de
“natureza material e financeira”. Por uma razão simples: porque “a taxa de
poupança interna foi sempre insuficiente” para “dar resposta” às necessidades
da sociedade portuguesa. No século XX, por exemplo, isso aconteceu “desde o
convénio com os credores externos de 1902” (e dos “suprimentos do Banco de
Inglaterra entre 1916 -1918”) à “disputa pelas reparações [...] na Conferência
de Paz de 1919”; e por aí fora até à estratégia com os beligerantes de 1939 a
1945. A “ideia” nunca deixou de ser “a captação de capital no exterior” para substituir
o que não existia cá.” Ler aqui http://www.publico.pt/portugal/noticia/nao-ha-mapa-corderosa-1619179
Vasco Pulido Valente (in) Público quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Alimento
“Preciso das
outras artes, como de pão. Alimento-me delas e tenho uma enorme gratidão em
relação aos criadores. Comove e inspira-me o modo como vejo as pessoas a fazer
cinema, a pintar ou a compor. É um testemunho, uma celebração da própria vida,
uma forma de resistir à morte.”
José Tolentino Mendonça (In) JL.
O Melhor de Poesia de 2013
Fotografia do espólio de Alberto Lacerda
até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:...
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa
Herberto Helder, in «Servidões», Assírio & Alvim, 2013.
domingo, 5 de janeiro de 2014
Eusébio ( 1942-2014 )
Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão...
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática...
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo – só palavra
Abstracção ponto no espaço teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo – era poema.
Manuel Alegre
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão...
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática...
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo – só palavra
Abstracção ponto no espaço teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo – era poema.
Manuel Alegre
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Alfabetos
Claudio Magris
«O mar é
interessante porque é essencialmente duas coisas. Há o mar
como grande prova, o mar de Conrad, de Stevenson, o mar da tempestade, o dos grandes
capitães de Conrad como símbolos da luta e da lealdade. Como grande amante da
literatura de aventuras isso significa muito. Mas para mim o mar é outra coisa.
É o mar da posição horizontal, não da luta para dominá-lo, mas ao contrário,
para se abandonar. É o mar da felicidade. É por isso que o mar está
indissoluvelmente ligado ao amor, a Eros. Para mim, era inconcebível o amor sem
o mar. O mar está também na história da minha vida das paisagens do amor, isto
é, desse grande abandono nos braços da vida. Sem luta. Nado muito mas isso não
tem nada a ver com o desporto, não, é realmente abandonar-se em grandes braços
amorosos.»
Claudio Magris, entrevista de Ana Sousa Dias, Revista LER, dezembro 2013, a
propósito da edição portuguesa do seu
livro “Alfabetos”, lançado pela Quetzal.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
A Leitura
Meus olhos resgatam o que está preso na página:
o branco do branco e o preto do preto.
(Bem Ammar)
( in) O Bebedor Nocturno, Herberto Hélder, Assírio & Alvim.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
José Medeiros Ferreira " Não Há Mapa Cor-De-Rosa
A questão europeia não está isenta de controvérsias e o longo processo que culminou naquilo que é hoje a União Europeia também não. E se, como diz o autor, «por circunstâncias políticas, das quais os historiadores nem sempre se conseguem livrar e que muitas vezes condicionam o seu campo de investigação, se filia a génese do processo da organização internacional da Europa nos escombros da II Guerra Mundial», a verdade é que o conceito embrionário do projecto remonta algumas décadas.
O processo de reorganização europeia no pós-guerra visou antes de mais recuperar o continente da hecatombe que sobre ele se abatera e por isso optou por ignorar alguns antecedentes – e agentes – politicamente incómodos do projecto de construção europeia. É essa história que agora se reconstitui, articulando-a com a integração europeia de Portugal: o processo de adesão, os anos que antecederam o alargamento a Leste – que viria a alterar drasticamente o equilíbrio da União – e, finalmente, as consequências nefastas da crise financeira e da zona euro, que têm vindo a cavar um fosso Norte-Sul.
No Há Mapa Cor-De-Rosa, José Medeiros Ferreira, ed.70, 2013.
sábado, 12 de outubro de 2013
Uma Família Açoriana
Trata-se de uma série de época que ao longo de 8 episódios nos irá retratar o percurso de uma família abastada de São Miguel na segunda metade do Sec. XIX.
Na beleza avassaladora das "ilhas Encantadas", nos Açores do Sec. XIX, nasce no seio de uma família modesta Vasco Falcão, que cedo se torna num próspero homem de negócios, sempre disposto a lutar contra os preconceitos e conservadorismos em busca de uma sociedade perfeita baseada na harmonia do Homem com a Natureza.
Um visionário genial, um lutador inflexível. Teve vitórias e derrotas, foi amado e odiado, foi pecador e santo, foi…humano. Por isso um dia percebeu que tinha conseguido tudo na vida….Tudo menos uma família!
Baseia-se no livro de Maria Filomena Mónica "Os Cantos" e num pré-guião de Maria Filomena Mónica e António Barreto, sendo o guião final da autoria de João Nunes.
Com Nicolau Breyner, Maria João Luís, Duarte Guimarães, Catarina Wallestein, Nuno Gil, Maria Leite e Manuel Wiborg.
Estreia dia 13 Outubro na RTP.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
13 Setembro - 90º Aniversário Nascimento de Natália Correia.
«Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.»
Natália Correia, Auto-retrato, in Antologia
Poética, (organização, selecção e prefácio de Fernando Pinto do Amaral) DQ 2013









