quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Alfabetos

                                                                     Claudio Magris

 
«O mar é interessante porque é essencialmente duas coisas. Há o mar como grande prova, o mar de Conrad, de Stevenson, o mar da tempestade, o dos grandes capitães de Conrad como símbolos da luta e da lealdade. Como grande amante da literatura de aventuras isso significa muito. Mas para mim o mar é outra coisa. É o mar da posição horizontal, não da luta para dominá-lo, mas ao contrário, para se abandonar. É o mar da felicidade. É por isso que o mar está indissoluvelmente ligado ao amor, a Eros. Para mim, era inconcebível o amor sem o mar. O mar está também na história da minha vida das paisagens do amor, isto é, desse grande abandono nos braços da vida. Sem luta. Nado muito mas isso não tem nada a ver com o desporto, não, é realmente abandonar-se em grandes braços amorosos.»

Claudio Magris, entrevista de  Ana Sousa Dias, Revista LER, dezembro 2013, a propósito da edição  portuguesa do seu livro  “Alfabetos”, lançado pela Quetzal.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A Leitura


Meus olhos resgatam o que está preso na página:
o branco do branco e o preto do preto.
 
                                                                                 (Bem Ammar)
 
 
( in) O Bebedor Nocturno, Herberto Hélder, Assírio & Alvim.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

José Medeiros Ferreira " Não Há Mapa Cor-De-Rosa



A questão europeia não está isenta de controvérsias e o longo processo que culminou naquilo que é hoje a União Europeia também não. E se, como diz o autor, «por circunstâncias políticas, das quais os historiadores nem sempre se conseguem livrar e que muitas vezes condicionam o seu campo de investigação, se filia a génese do processo da organização internacional da Europa nos escombros da II Guerra Mundial», a verdade é que o conceito embrionário do projecto remonta algumas décadas.
O processo de reorganização europeia no pós-guerra visou antes de mais recuperar o continente da hecatombe que sobre ele se abatera e por isso optou por ignorar alguns antecedentes – e agentes – politicamente incómodos do projecto de construção europeia. É essa história que agora se reconstitui, articulando-a com a integração europeia de Portugal: o processo de adesão, os anos que antecederam o alargamento a Leste – que viria a alterar drasticamente o equilíbrio da União – e, finalmente, as consequências nefastas da crise financeira e da zona euro, que têm vindo a cavar um fosso Norte-Sul.

No Há Mapa Cor-De-Rosa, José Medeiros Ferreira, ed.70, 2013.

sábado, 12 de outubro de 2013

Uma Família Açoriana



Trata-se de uma série de época que ao longo de 8 episódios nos irá retratar o percurso de uma família abastada de São Miguel na segunda metade do Sec. XIX.

Na beleza avassaladora das "ilhas Encantadas", nos Açores do Sec. XIX, nasce no seio de uma família modesta Vasco Falcão, que cedo se torna num próspero homem de negócios, sempre disposto a lutar contra os preconceitos e conservadorismos em busca de uma sociedade perfeita baseada na harmonia do Homem com a Natureza.

Um visionário genial, um lutador inflexível. Teve vitórias e derrotas, foi amado e odiado, foi pecador e santo, foi…humano. Por isso um dia percebeu que tinha conseguido tudo na vida….Tudo menos uma família!

Baseia-se no livro de Maria Filomena Mónica "Os Cantos" e num pré-guião de Maria Filomena Mónica e António Barreto, sendo o guião final da autoria de João Nunes.

Com Nicolau Breyner, Maria João Luís, Duarte Guimarães, Catarina Wallestein, Nuno Gil, Maria Leite e Manuel Wiborg.

Estreia dia 13 Outubro na RTP.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

13 Setembro - 90º Aniversário Nascimento de Natália Correia.




«Espáduas brancas palpitantes:
 
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.»
Natália Correia, Auto-retrato, in Antologia Poética, (organização, selecção e prefácio de Fernando Pinto do Amaral) DQ 2013
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A Arquitectura da Felicidade



Alain de Botton já escreveu sobre o amor, a viagem, o status e como a filosofia nos pode consolar. Agora chama a nossa atenção para um dos nossos mais intensos e esquecidos amores: o das nossas casas e respectivas decorações. De Botton pergunta:
- O que faz verdadeiramente uma casa ser bonita? - Porque existem tantas casas feias? - Porque discutimos tão amargamente sobre sofás e quadros – e podem as diferenças de gosto alguma vez ser satisfatoriamente resolvidas? - Poderá o minimalismo fazer-nos mais felizes que os enfeites?

"A Arquitectura da Felicidade", Alain de Botton, D. Quixote, 2013.

domingo, 30 de junho de 2013

Quando os Bobos Uivam




A Livraria SolMar e o Hotel do Colégio, convidam para a apresentação do novo livro de Onésimo Teotónio Almeida "Quando os Bobos Uivam" ,no próximo dia 25 de Julho, pelas 19 horas. A apresentação da obra estará a cargo de Vamberto Freitas.
Fogo, espionagem e outros mistérios q.b. são alguns dos ingredientes do novo livro do grande contador de estórias que é Onésimo T. Almeida. E também há presidentes e ex-presidentes da República, poetas, escritores e pensadores, tudo entretecido em conversas com textos clássicos e reflexões oportunas. “Quando os Bobos Uivam “compõe-se de quatro estórias mirabolantes de realismo magicamente real a demonstrar que a arte, muitas vezes, não vai além da imagem pálida que a vida é capaz de inventar.
"Quando os Bobos Uivam" de Onésimo Teotónio de Almeida, Ed, Clube do Autor, 2013.


 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Estranho Dever


"Desta vez fui ao lançamento de um livro, o de Mário Mesquita, “O estranho dever do cepticismo”. Porque sou sua amiga? Não, porque tenho admiração e respeito pela sua escrita e coerência de vida.
Muitos destes textos, li-os na altura e apercebi-me do trabalho que lhe davam. Cada linha tinha reflexão, cada assunto, profundidade. Aprende-se sempre qualquer coisa, sobretudo para alguém como eu, mais virada para a espuma da conjuntura. Muito do seu estranho dever de cepticismo era, afinal, como agora se vê, a lucidez de quem se distanciava para melhor compreender.
Avesso a mediatismos, não ficou pela reflexão, mas teve acção, como quando foi director do “Diário de Noticias” e, depois, do “Diário de Lisboa”, ou quando foi um dos fundadores do Partido Socialista, antes do 25 de Abril.
 A sua opinião certeira, o seu humor irónico e tolerante têm- -me sido muito benéficos. Quando ouvia as intervenções sobre o seu livro, e por causa do “Diário de Lisboa”, lembrei-me de que tive directores como Piteira Santos ou Cardoso Pires, colegas como Sttau Monteiro ou Assis Pacheco. Ele e estes puseram-me a fasquia tão alta que, até agora, só tenho tentado criar balanço.
Quem não leu os textos então, aprenderá alguma coisa que não vem no Google. Numa altura em que somos inundados de “livrinhos” e intelectuais fast- -food, vamos aguardar mais textos de Mário Mesquita.
 Nem ele sonha que estou a escrever sobre o seu livro. Tentei… porque senti esse estranho dever."
Fernanda Mestrinho,  Jornalista/advogada
publicado em 16 Mar 2013 – jornal “I”

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ler o "Estranho Dever do Cepticismo".





           "Vê-se através destas páginas de argumento largo, lento, irónico, e até de onde em onde mordaz,  que  Mário Mesquita foi capaz de radiografar a civilização em que vivemos, e o momento político que nos condiciona. Lendo ou relendo estas páginas, percebe-se que Mário Mesquita viu o fantasma vir a caminho, vislumbrou-lhe as roupas e pressentiu-lhe as passadas. Mas não sabia, não podia saber,  que à nossa debilidade hereditária  iria  juntar-se a mudança profunda que está  a alterar a relação entre os  países, e o modo como os outros nos encaram.  

Publicados agora,  estes comentários são um  livro branco sobre o nosso estado de alma. Lido como deve ser, ele  não só ajuda a redigir  a  nossa  memória  coletiva próxima  como  constitui  um desafio  para a criação de um novo documento cívico  de que estamos carenciados. Ou por outras palavras, O Estranho Dever do Ceticismo não contém uma visão metafísica nem teleológica da história. Não precisa.  O seu território de crença é bem outro.  A nós, leitores, basta-nos compreender que um estranho desejo  de que se erga  uma nova  fraternidade atravessa as suas páginas e esse é um estímulo poderoso para intelectualmente não nos sentirmos sós."


Lídia Jorge, prefácio do livro " Estranho Dever do Cepticismo", de Mário Mesquita