quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Comércio e a Cultura

 

" A actividade social chamada comércio, por mal vista que esteja hoje pelos teoristas das sociedades impossíveis, é contudo um dos dois característicos distintivos das sociedades chamadas civilizadas. O outro característico distintivo é o que se denomina cultura. Entre o comércio e a cultura houve sempre uma relação íntima, ainda não bem explicada, mas observada por muitos. É, com efeito, notável que as sociedades que mais proeminentemente se destacaram na criação de valores culturais são as que mais proeminentemente se destacaram no exercício assíduo do comércio."

Fernando Pessoa, "A Essência do Comércio".

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Leiam com Paixão.




Como ler sobre a paixão sem cair na lamechice, e afogar-se na enxurrada de adjectivos e substantivos em erosão. A literatura é como uma veia ou artéria, uma das ruas de sangue que alimentam o coração dos homens. Com Romeu e Julieta, os dois amantes condenados ao equívoco amoroso, Shakespeare, assentou definitivamente o tema, instituindo um modelo universal. O nosso Camilo, homem de paixões reais, escreveu com mão de mestre, Amor de Perdição, a paixão assolapada de Simão e Teresa e a tragédia das famílias rivais Botelho e Albuquerque. Eça com os seus Maias (Os), definiu a excelência da paixão funesta da literatura nacional. Tristão e Isolda, o amor adúltero do cavalheiro pela princesa, a velha lenda celta deste casal infeliz foram apropriadas por Wagner, a música inspirada na literatura, inesquecível. A Canção de Amor de Alfred J. Prufrock de T.S.Eliot, um dos poemas de pelos quais vale a pena chorar, no entanto a poesia é parcelar e não conta histórias, as pessoas tanto como amam as paixões, amam sobretudo as histórias de paixões. O amante rejeitado, romantismo puro é Jay Gatsby, em o O Grande Gatsby, a vida como uma série ininterrupta de gestos bem-sucedidos, amores, renúncias, enganos, Swann que ama Odette que o não percebe, prosa perfeita de Marcel Proust com Um Amor de Swann, paixão inexplicável a de Archer que ama a condessa Ellen Olenski que o não recebe, A Idade da Inocência, de Edith Wharton, desencontro constante. Madame Bovary de Flaubert e Ana Karenina de Tolstoi, dois monumentos à tontice das mulheres apaixonadas pelo homem errado, o canalha. Tão violento que nenhum homem o conseguiria escrever assim, O Monte dos Vendavais, de Emily Brontê, talvez o relato mais destruidor, se não leram pelo menos um livro de paixões, leiam este, e da sua irmã Charlotte, Jane Eyre faz com que a familia tenha produzido duas obras-primas. Nabokov conseguiu escrever Lolita, leiam por amor de quem quiseram, e ao de leve Milan Kundera com A Insustentável Leveza do Ser, com final feliz e personagens que chegam a velhas, leiam O Amor nos Tempos de Cólera. E se ainda tiveram folego leiam A Mancha Humana de Phlip Roth e de Ian Mcewan a Expiação.
Se me perguntarem o que fica de fora, fica muita e boa literatura.
 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

LerAçores Emanuel Jorge Botelho

 
Não sei viver sem Livros
não sei viver sem o Mar
 
 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os Miseráveis


«Enquanto existir, por força da lei e do costume, uma condenação social que, face à civilização, cria artificialmente infernos na terra e complica um destino que é divino com a fatalidade humana; enquanto os três problemas da época – a degradação do homem pela pobreza, a ruína da mulher pela fome e a diminuição da infância pela noite física e espiritual – não forem resolvidos; enquanto, em certas regiões, for possível a asfixia social; por outras palavras, e de um ponto de vista mais vasto, enquanto a ignorância e a miséria permanecerem na terra, livros como este não podem ser inúteis

Prefácio de Victor Hugo, Os Miseráveis.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os Melhores de 2012




O Varandim Seguido de Ocaso em Carvangel, Mário de Carvalho, Porto Editora.
 A Piada Infinita, David Foster Wallace, Quetzal.
Os Sítios Sem Resposta, Joel Neto, Porto Editora.

30Crónicas II, Emanuel Jorge Botelho, ilustrações de Urbano, Publiçor.
Todas as Palavras, Manuel António Pina, Assírio & Alvim.

África Frente e Verso, Urbano Bettencourt, Letras Lavadas.
Quarteto de Alexandria, Lawrence Durrell, Reed. D.Quixote.

BorderCrossing Leituras Transtlânticas, Vamberto Freitas, Letras Lavadas.
Utopias em Dói Menor, Onésimo Teotónio de Almeida, João Maurício Brás, Gradiva.

Trabalhos e Paixões de Fernando Assis Pacheco, Nuno Costa Santos, Tinta da China.
PátriaUtópica, António Barreto, Ana Benavente, Eurico Figueiredo, José Medeiros

Ferreira, Valentim, Ed. Bizâncio.

O Arranha – Céus Horizontal, Luis Rego, ilustrações Elisabete Ross, Ed. Autor.

Esta é uma escolha da inteira responsabilidade dos livreiros da SolMar Artes e Letras, fundamentada pela qualidade das obras e pela importância dos seus autores para com a nossa livraria.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Quarteto



“ O mar está novamente agitado hoje, com rajadas de vento que despertam os sentidos. Em pleno inverno, a primavera começa a fazer-se sentir. Toda a manhã o céu esteve de uma pureza de pérola; há grilos nos recantos sombrios; o vento despoja e fustiga os grandes plátanos…
Retirei-me para esta ilha com alguns livros e com a criança – a filha de Melissa. Não sei porquê, agora, ao escrever, penso nesta ilha como num «retiro». Os habitantes dizem por brincadeira que só um convalescente pensaria em vir procurar este lugar. Bem, para condescender, admitamos que sou um homem que procura curar-se…”

O Quarteto de Alexandria, Lawrence Durrell, D. Quixote, 2012.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012