segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Convite


Lançamento do livro "De Mafra ao Maiombe" de Carlos Arruda, com ilustração de Carlos Carreiro, no próximo dia 14 de Novembro, quarta-feira, pelas 18h30, na livraria SolMar.
A obra será apresentada por Fernanda Mendes.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Contrabando Original



«A presença dos soldados do Continente nas ilhas dos Açores, tornou-se, durante longo tempo, um tema inspirador da criatividade popular. Quando mais tarde, à força de ouvir discussões e piadas politicas, cheguei a entender que a «situação» (descrita nas últimas páginas do livrinho de História como a restauração da ordem e da prosperidade) não agradava a todos, nem por isso me veio à cabeça a possibilidade de alguém pôr em causa as virtudes do nosso povo. Essas virtudes conservavam-se, independentemente do regime. O povo do tempo dos reis, o povo de tempo da tempestuosa república, o povo de Fátima e Salazar – o povo conservava, no âmago, a honradez e o poder criador.
Eu naturalmente por ignorância, ainda não tinha reparado na criatividade popular. Tratava-se, afinal, das festas sacras ou profanas, ou da mistura de ambas, ou de fábulas recitadas de geração em geração, com maior ou menor fidelidade a um modelo esfumado no antigamente. (Mais tarde, todas essas manifestações – cópia, decalques, adaptações, distorções – viriam a merecer o nome de cultura, cultura popular enquanto houve elites, cultura  tout court quando em teoria se acabaram as elites...) Éramos portanto pessoas cultas e criadoras, desde o José do Copo, lidimo representante do In Vino veritas, até aos bailadores da chamarrita; desde a loja do alfaiate até aos rimadores de cantigas ao desafio. O povo criava. Além de lêndeas e piolhos, as cabeças criavam cultura.»

Contrabando Original, José Martins Garcia, Editora Vega.

 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Se Fosse Fácil Era Para Os Outros




"Vi com estes olhos, em Sarajevo e em Nova Iorque, a rapidíssima velocidade a que qualquer sociedade pode cair de um momento para outro. Neste romance interessava-me discutir ideias do que é o pior povo do mundo? Se o pior povo somos nós? E qual é esse caminho? Se, como dizia Primo Levi, “deixamos de ser homens quando esperamos que o homem que está ao nosso lado morra para lhe comermos o pão”. Acho que é uma das perguntas mais fundamentais que é preciso fazer, para perceber a rápida desagregação a que qualquer sociedade está sujeita. Basta haver uns crápulas que se aproveitem da ignorância das pessoas para lucrar financeiramente, religiosamente ou politicamente... E tudo cai e de repente estamos outra vez na barbárie."

Rui Cardoso Martins, (In)  Jornal i
 
Hoje as moscas estão moles, parecem parvas, há ali uma senhora a queixar-se. Vou só pôr água nas flores.
Tocam no braço nu, as asas como bigodes de gato, e aterram no cabelo, nas pálpebras, na penugem atrás do pescoço, mas em que pensam vocês moscas, dá-me carinhos, faço-te cócegas, vamos pôr as novidades em dia?


Se Fosse Fácil Era para Os Outros, Rui Cardoso Martins, Dom. Quixote, 2012.
 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

domingo, 21 de outubro de 2012

Em Outubro



« O mar sob a lua, um rasgão de prata nocturno coalhado de astros. Quando o olho do meu terraço na rua do Forte, o mar, não passa de uma superfície azul-chumbo, ou azul-etéreo, ou simplesmente não está ali. O mar é uma miragem azul que eu construo diariamente dentro de mim. O mar só existe quando o olho, de resto, só nos sonhos encontro o azul que dele se soltou.»

Al Berto.

Al Berto, Diários, Assírio & Alvim.
Lançamento previsto a 25 de Outubro, 2012.


Mazagran

 
 
«(…) um gesto que, pelo simbolismo, estabeleça entre o livro e o leitor um primeiro laço de simpatia. Esse gesto é aqui o título. Mazagran, palavra que outrossim não se encontra no texto, designa uma bebida favorita no Maghreb: um copo grande cheio até mais de um terço com café forte, um volume igual de água gasosa, muito açúcar, uma rodela de limão. Quando o Profeta abranda a sua vigilância junta-se-lhe um cálice de conhaque. Bebe-se quente no Inverno e quase gelada nos dias de calor. A pequenos goles. Com aquela disposição benigna do espírito que umas vezes nos leva à rua para cavaquear com os amigos, e outras nos prende em casa a ler um livro.»
 Mazagran, J. Rentes de Carvalho, Quetzal, 2012.


 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Manuel António Pina 1943 - 2012



O Prémio Camões de 2011 faleceu esta tarde. Tinha 69 anos.
 

 
 
Os Gatos

 
Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem

 
Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa

 
Somos intrusos, bárbaros amigáveis
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos

 

 

Manuel António Pina, Como Se Desenha Uma Casa, Assírio & Alvim.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

À Espera de Moby Dick





«Um desgosto avassalador leva um lisboeta a refugiar-se numa enseada perdida dos Açores para cumprir um velho sonho: avistar baleias. Enquanto espera pela chegada dos gigantes marinhos, ocupa os dias naquele lugar dominado pelo ruído do oceano a tentar reencontrar-se e a escrever cartas para o seu melhor amigo, contando-lhe o fio dos seus dias no exílio, mas também para destinatários tão improváveis como o Instituto Nacional de Estatística, o boxeur português com mais derrotas acumuladas ou um guru de auto-ajuda de sucesso planetário. À medida que o tempo passa, consegue vencer a solidão absoluta que impôs a si próprio e estabelece contacto com os seus poucos vizinhos, como um alemão bem-humorado, que todos os dias sai sozinho para o mar, e um casal de reformados oriundo do continente, que recebe cartas do filho dos mais variados lugares do mundo. Depressa descobre que, naquela enseada, todos têm qualquer coisa a esconder e nada é exactamente o que parece.»
 
À Espera de Moby Dick, Nuno Amado, Oficina do Livro.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Para Dias de Fel leia Mel.




“O fim de Outubro trouxe de volta o rito anual de atrasar os relógios, adensando a escuridão que caía sobre as nossas tardes e deprimido ainda mais a nação.”

 
Grã-Bretanha, 1972. Serena Frome, a bela filha de um bispo anglicano, é aliciada para os Serviços Secretos no seu ano final em Cambridge. A guerra fria cultural prossegue e o país é assolado por convulsões sociais e actos de terrorismo.
Serena é então enviada numa «missão secreta» que a faz imergir no mundo literário de Tom Haley, um jovem escritor promissor.
Ela começa por gostar das suas histórias, mas rapidamente passa a gostar do próprio homem que as escreve.
Conseguirá Serena manter a ficção da sua vida oculta?
Para isso, ela vai ter de ignorar a primeira regra do espião: Não confies em ninguém.
A mestria de Ian McEwan deslumbra-nos nesta história empolgante, soberbamente construída, sobre traição e intriga, amor e o «eu»inventado. Um autor que não cessa de surpreender pela elegância e destreza com que se movimenta em diferentes registos literários.

 
Mel de Ian McEwan, Gradiva, 2012.


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Anjo Esmeralda




"De um dos maiores escritores do nosso tempo, a sua primeira coletânea de contos, escritos entre os anos 1979 e 2011, histórias de três décadas da vida norte-americana.
Situadas na Grécia, nas Caraíbas, em Manhattan, numa prisão para criminosos de colarinho branco ou no espaço sideral, estas nove histórias são uma inolvidável introdução à voz icónica de Don DeLillo, desde os ricos e marcados ritmos jazzísticos dos seus primeiros escritos até à linguagem frugal, depurada e monástica das suas histórias mais recentes.
Freiras, astronautas, atletas, terroristas e viajantes, as personagens d'O anjo Esmeralda entram de moto próprio no mundo e definem-no. A voz de DeLillo é imediatamente reconhecível, tão original como as tintas espalhadas de Jackson Pollock ou os retângulos luminosos de Mark Rothko.
Estas nove histórias descrevem a extraordinária viagem de um grande escritor cuja premonição dos acontecimentos do mundo marcou a nossa paisagem literária."

Anjo Esmeralda, Don DeLillo, editora Sextante, 2012.