Tomas Tranströmer
«A minha vida.» Quando penso estas
palavras, vejo diante de mim um rasto de luz. Observando melhor, a luz tem a
forma de um cometa, com a cabeça e uma cauda.
A extremidade mais luminosa, a
cabeça, é a infância e a idade de crescimento. O núcleo, a parte mais densa, é a primeira
infância, quando são determinados os traços principais da nossa vida. Tento
recordar-me, então chegar lá.
PRÉMIO NOBEL DE LITERATURA 2011
As Minhas Lembranças Observam-me, Tomas Tranströmer
Posfácio de Pedro Mexia
Sextante Editora, 2012.
este agora
eleva-se como fumo quente em ar frio
este sereno agora
o cão abandonou o seu latido
a lebre abandonou a boca humana
e toca sozinha
neste pobre e belo agora luta
contra a armada dos segundos
e se afoga num redemoinho
embora me vá sobreviver
Poema publicado na primavera de 1948,
no jornal dos estudantes do Liceu Sodra Latin, de Estocolmo, onde T.T. estudou.
Não há nem título nem qualquer pontuação neste poema.