Ralph Fiennes, O Paciente Inglês
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Bonsai
“A relação material com os livros foi
algo que percebi como muito importante enquanto escrevia. Muita gente me dizia:
“isto é sobre livros”, “ não é suficientemente fílmico”.
Mas um dia pensei: para esta gente os
livros são coisas, sentem-se seguros com um livro na mão da mesma maneira que
um cowboy se sente mais seguro com um revólver à cintura. Mesmo que depois
nunca cheguem a ler aqueles livros. A partir daí muitas coisas se me tornaram claras.
Queria que os livros fossem um objecto quotidiano, algo que até pode servir
para fornecer o papel para embrulhar um charro, ou para caminhar com as costas
direitas.”
Bonsai, um livro de Alejandro Zambra,
deu um filme sobre livros, de Cristián Jiménez.
(In) Ípsilonsegunda-feira, 3 de setembro de 2012
Os Contos de São Petersburgo
A sua obra fez de Gogol o maior escritor russo da primeira metade do século XIX, o introdutor do realismo na literatura russa, o precursor genial de todos os grandes escritores que se lhe seguiram. Tal como veio a dizer Dostoiévsky, toda a literatura russa viria a colher em Gogol os maiores ensinamentos. Com profundidade filosófica, crítica ética e social, a sua obra tornou-se intemporal e conquistou para Gogol um lugar de destaque entre os melhores escritores de todos os tempos.
“A arte de Gogol, tal como nos e revelada em O
Capote, sugere que as linhas paralelas podem não só
encontrar-se, mas também retorcer-se e enredar-se da forma mais
extravagante, a semelhança de dois pilares que se reflectem na agua e se entregam
as mais loucas contorções, quando os remoinhos das ondas se prestam a
isso. O génio de Gogol esta precisamente nesses remoinhos – dois e
dois são cinco, ou ate a raiz quadrada de cinco: e esse o género de
acontecimento que se produz muito naturalmente no seu universo, onde nem
as matemáticas racionais nem, sobretudo, nenhum desses acordos pseudofisicos
que assinamos connosco
mesmos podem ser.”
Vladimir Nabokov
Contos de São Petersburgo, Nikolai Gógol, Assírio Alvim.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Diário de Paul Auster
“Pensas que nunca te
vai acontecer, que não te pode acontecer, que és a única pessoa no mundo a quem
essas coisas nunca irão acontecer, e depois, uma a uma, todas elas começam a acontecer-te,
como acontecem a toda a gente. Fala agora, antes que seja tarde, e depois
espera poder continuar a falar até que não haja mais nada para dizer. Afinal de
contas, o tempo está-se a esgotar. Talvez não seja pior pores de lado por agora
as tuas histórias e tentares passar em revista o que foi para ti viver dentro
deste corpo desde o primeiro dia de que tens memória de estar vivo até ao dia
de hoje. Um catálogo de dados sensoriais. Aquilo a que se poderia chamar uma fenomenologia
da respiração. É um facto
incontestável que já não és jovem. Dentro de um mês vais fazer sessenta e
quatro anos e, sem seres excessivamente velho, sem teres aquilo que qualquer
pessoa designaria por uma idade avançada, não podes deixar de pensar em todos
aqueles que não conseguiram ir tão longe como tu. Aí está um exemplo das várias
coisas que nunca poderiam acontecer, mas aconteceram mesmo.”
Paul Auster, incansável criador de ficções e de personagens inesquecíveis, vira
agora o olhar para si próprio e para o sentido da sua vida. As descobertas da
infância e as experiências da adolescência, o compromisso com a escrita – que
marcou a sua entrada para a idade adulta –, as viagens, o casamento, a
paternidade, a morte dos pais… Uma vida que transborda das páginas deste Diário
de Inverno, um definitivo autorretrato construído com a paixão e a
transbordante criatividade literária que são as marcas distintivas da
identidade deste escritor amado pelos leitores e admirado pela crítica.
Diário de Inverno, Paul Auster, Ed. Asa.
Novelas Eróticas
Tomei à esquerda pela margem do mais próximo canal,
e mesmo
em frente às ruínas da Ópera recentemente destruída
por umincêndio, quando a minha heroína ladeava direito a uma ponte,
encontrámo-nos; cruzaram-se os nossos olhares e ela, após hesitação
muito breve, retrocedeu para tomar o meu caminho, passando-
-me logo adiante. Estuguei o passo, alcançando-a sem demora, e
dirigi-lhe não sei já que banal galanteio. Recebi pela expressão indignada
dos seus olhos coriscantes a resposta esperada, mas sem
me intimidar perguntei-lhe se falava francês e ela, evitando o meu
olhar, mas tornando-se da cor de lacre, respondeu:
Novelas Eróticas, M. Teixeira-Gomes, Relógio D’Água.
«M. Teixeira-Gomes, tal como na sua obra se nos apresenta ou
tal como em certas personagens se projecta, está longe de ser um gozador
desenfreado, à maneira de Casanova, ou um perseguidor do infinito no finito dos
corpos, à maneira de Don Juan. Homo eroticus, sim; mas buscando, acima de tudo,
a harmonia entre o sentimento e a sensação, o equilíbrio da emoção e da
volúpia.
(…) Por curiosa inclinação do seu espírito, se não também do
seu corpo, Teixeira-Gomes revela, de facto, impressionantes afinidades com o
pensamento grego dos séculos IV e III antes de Cristo.»
David Mourão-Ferreira, em Aspectos da Obra de M.
Teixeira-Gomes
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
O Anjo
José Cardoso Pires, 1964
O anjo sobrevoou
a cidade às 12.00-12.27 (hora solar). Era louro e de asas vermelhas e tinha um
belo rosto triangular em nada semelhante aos dos querubins de igreja. Planou em
lentas e tranquilas curvas por cima dos arranha-céus e das praias que
contornavam a cidade, percorrendo-os com a sua sombra.
Foi escrito:
a aparição teve lugar ao sétimo dia de um mês sobre todos radioso e na linha
zénite, sol a prumo. Exacta e inolvidável, exactíssima, pôs em alvoroço as
multidões de banhistas que formigavam no areal (aquela era a estação do sol e
da festa do corpo) e suspendeu o trânsito nas avenidas da beira-mar, vogando,
vogando sempre.
Alexandra Alpha, José Cardoso Pires.
EPC
“O modo de
amar, as modalidades do desejo, as formas de viajar, os momentos de prazer,
modelar pelos versos dos poetas, as suas histórias pessoais, as imagens do
cinema, os traços e as cores da pintura, as árias de ópera ou as canções de
Brel”
Tudo o Que
não Escrevi, Eduardo Prado Coelho
Um colóquio
dedicado a Eduardo Prado Coelho vai realizar-se nos dias 15 e 16 de Novembro,
na Fundação Gulbenkian, em Lisboa. Reflectir sobre a herança do ensaísta que
definiu uma política cultural para o país.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Os Cantores De Leitura
Maria Gabriela Llansol
- Amor meu, a invenção constante é
uma ave plena.
Mas eu não sei para que ave me
dirijo."
"seu contexto:
aprender a leitura tem um método, mas não
obedece a um método. Depende da
infinita variedade dos livros, ou seja, da corrente que flui, e nos mergulha
nela – seja qual for o seu suporte. O écran,
o ar, a cena, tudo me lembra a página. Quando a lembrança dessa página se
esbater, uma matéria complexa, sem síntese, virá perturbar-me os olhos.
Recorrerei à voz para acalmar esse silêncio, que transparece – mudo. Recorrerei
ao canto que seleccionará, para a emissão de voz, tão duros materiais.
Os Cantores De Leitura, Maria Gabriela
Llansol, Assírio Alvim.








