quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A Informação


Martin Amis

 
 

“A definição mediática de Martin Amis (n. 1949) foi automática no início da sua carreira: ele era o «bad boy da literatura inglesa», e continuou a sê-lo muito para lá do cronologicamente razoável. (Google-se a expressão «bad boy of english literature/english letters» e ainda se encontram dúzias de artigos, alguns publicados quando Amis já era cinquentenário.) Mas no princípio dos anos 90 algo aconteceu. O jornalismo britânico reagiu coletivamente como um anfitrião exasperado. O bad boy fictício cuja presença tolerara durante anos continuava ali, recusando levar a sua badboyness para outro sítio. Medidas de emergência foram tomadas e o bad boy foi reclassificado como bad man. Para validar a nova «personalidade», alguns factos foram apresentados: Amis abandonou a sua mulher; Amis despediu a sua agente; Amis zangou-se com um dos seus melhores amigos; Amis pediu fortunas pelos direitos de um novo romance; Amis queria dentes novos e um carro desportivo; Amis estava fora de controlo. A informação surgia em torrente, e as manchetes escreviam-se praticamente sozinhas. A Informação – o romance publicado em 1995, no meio desta tempestade tabloide – não se escreveu sozinho, mas o leitor na posse de toda a informação prévia pode sentir-se tentado a cometer várias falácias biográficas ao longo do caminho. Os temas, como sempre na ficção de Amis, são tão garridos como manchetes do Daily Mirror: sucesso e fracasso, os dramas mesquinhos da masculinidade, rivalidade, violência, humilhação. Mas se tudo isto é familiar, nunca antes parecera tão terrivelmente pessoal. A Informação não é autobiografia disfarçada, nem sequer um roman à clef, mas mais do que qualquer ficção de Amis, parece arrancada ao osso.”
Rogério Casanova, Revista Ler
 
«E depois há a informação, que é nada, e vem de noite.»
Martin Amis
 
A Informação, Martin Amis, Ed.Quetzal.

 



terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Lista Imperfeita


 Admitindo a limitação provocada pelos 50 títulos desta lista, é inadmissível que dela não faça parte os Lusíadas de Luis Vaz de Camões, e o Livro do Desassossego de Fernando Pessoa. Uma escolha de 100 obras, permitia um leque mais vasto, e porque não incluir Os Sonetos Completos de Antero de Quental, ou, até mesmo Mau Tempo no Canal de Vitorino Nemésio.
50 livros que toda a gente deve ler

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Debaixo do Sol



«Caríssima D,

Bem, estou aqui há um mês, no sítio mais lindo que possas imaginar. Uma vista de oliveiras e ciprestes, uma ilhota e o mar. Há dias em que o céu está tão límpido e azul e o sol tão quente que podia ser junho. De vez em quando sopra um vento da Sibéria e o mar por baixo da minha janela agita-se. O local em que me encontro é ideal para escrever,»

Debaixo do Sol, As cartas de Bruce Chatwin escolhidas e editadas por Elizabeth Chatwin e Nicholas Shakespeare, Ed.Quetzal

«Nunca mostrava a ninguém o seu trabalho até se sentir satisfeito com ele, mas lia-mo em voz alta. Tudo devia fazer sentido e fluir com facilidade. As cartas são os únicos textos que ele não refez. Na sua opinião, escrever era uma labuta. Um computador facilitava-a em demasia.
E agora que a comunicação se tornou tão fácil e rápida com os telemóveis e o correio eletrónico, já ninguém escreve cartas. Não há apontamentos dos meninos da escola para guardar como se fossem tesouros e porventura não há cartas de amor nem relatos de viagens. Alguém imprime as comunicações que recebe para as conservar?
Por isso, as cartas de Bruce, que ele escreveu desde muito novo até ao fim da vida, constituem um derradeiro exemplo de uma forma tradicional de comunicação que agora pode desaparecer.»

Elizabeth Chatwun , Prefácio, Debaixo do Sol.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Humphrey Bogart




Era a cara que tinha e foi-se embora
mas nunca foi tão visto como agora
O seu olhar é água pura água
devassa-nos dá nome mesmo à mágoa
Ganhámo-lo ao perdê-lo. Não se perde um olhar
não é verdade meu irmão humphrey bogart?

Ruy Belo

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Química das Lágrimas




«Julga-se que as máquinas não sentem. As almas não têm química e o tempo não tem fim. A nossa pele contém quatro milhões de receptores. É tudo o que sei. Amo-te. Aperto-te nos braços. Sentirei a tua falta para sempre.»
A Química das Lágrimas, Peter Carey, Gradiva


Londres 2010. Catherine Gehrig, conservadora no Museu Swinburne, sabe da morte inesperada do seu colega e amante de há treze anos.
Na sua condição de amante de um homem casado, tem de chorar essa perda em privado. O chefe do seu departamento, ciente do desgosto de Catherine, confia-lhe um projecto especial - reconstituir tanto a parte mecânica como a história de um autómato extraordinário e fantasmagórico.
Essa criatura é um quebra-cabeças mecânico, encomendado na Alemanha do século XIX por Henry Brandling, um inglês, como um «divertimento mágico» para o seu filho, vítima de tuberculose.
Associadas pelo misterioso autómato, as histórias de Catherine e Henry interligam-se no tempo para explorar os mistérios da vida e da morte, o milagre e a catástrofe da invenção humana, bem como a extraordinária química do amor e dos sentimentos.
Um autómato, um homem e uma mulher que nunca poderão encontrar-se, uma história de amor secreta e o destino do mundo em aquecimento adquirem vida e fulgor neste romance tocante e inesquecível de um dos maiores escritores do nosso tempo.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

100 Novels everyone should read by The Telegraph


Atonement



100 The Lord of the Rings by JRR Tolkien
99 To Kill a Mockingbird by Harper Lee
98 The Home and the World by Rabindranath Tagore
97 The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy by Douglas Adams
96 One Thousand and One Nights Anon
95 The Sorrows of Young Werther by Johann Wolfgang von Goethe
94 Midnight’s Children by Salman Rushdie
93 Tinker, Tailor, Soldier, Spy by John le Carré
92 Cold Comfort Farm by Stella Gibbons
91 The Tale of Genji by Lady Murasaki
90 Under the Net by Iris Murdoch
89 The Golden Notebook by Doris Lessing
88 Eugene Onegin by Alexander Pushkin
87 On the Road by Jack Kerouac
86 Old Goriot by Honoré de Balzac
85 The Red and the Black by Stendhal
84 The Three Musketeers by Alexandre Dumas
83 Germinal by Emile Zola
82 The Stranger by Albert Camus
81The Name of the Rose by Umberto Eco
80 Oscar and Lucinda by Peter Carey
79 Wide Sargasso Sea by Jean Rhys
78 Alice’s Adventures in Wonderland by Lewis Carroll
77 Catch-22 by Joseph Heller
76 The Trial by Franz Kafka
75 Cider with Rosie by Laurie Lee
74 Waiting for the Mahatma by RK Narayan
73 All Quiet on the Western Front by Erich Remarque
72 Dinner at the Homesick Restaurant by Anne Tyler
71 The Dream of the Red Chamber by Cao Xueqin
70 The Leopard by Giuseppe Tomasi di Lampedusa
69 If On a Winter’s Night a Traveller by Italo Calvino
68 Crash by JG Ballard  
67 A Bend in the River by VS Naipaul
66 Crime and Punishment by Fyodor Dostoyevsky
65 Dr Zhivago by Boris Pasternak
64 The Cairo Trilogy by Naguib Mahfouz
63 The Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde by Robert Louis Stevenson
62 Gulliver’s Travels by Jonathan Swift
61 My Name Is Red by Orhan Pamuk
60 One Hundred Years of Solitude by Gabriel García Márquez
59 London Fields by Martin Amis
58 The Savage Detectives by Roberto Bolaño
57 The Glass Bead Game by Herman Hesse
56 The Tin Drum by Günter Grass
55 Austerlitz by WG Sebald
54 Lolita by Vladimir Nabokov
53 The Handmaid’s Tale by Margaret Atwood
52 The Catcher in the Rye by JD Salinger
51 Underworld by Don DeLillo
50 Beloved by Toni Morrison
49 The Grapes of Wrath by John Steinbeck
48 Go Tell It On the Mountain by James Baldwin
47The Unbearable Lightness of Being by Milan Kundera
46 The Prime of Miss Jean Brodie by Muriel Spark  
45 The Voyeur by Alain Robbe-Grillet
44  Nausea by Jean-Paul Sartre
43 The Rabbit books by John Updike
42 The Adventures of Huckleberry Finn by Mark Twain
41 The Hound of the Baskervilles by Arthur Conan Doyle
40 The House of Mirth by Edith Wharton
39 Things Fall Apart by Chinua Achebe
38 The Great Gatsby by F Scott Fitzgerald
37 The Warden by Anthony Trollope
36 Les Misérables by Victor Hugo
35 Lucky Jim by Kingsley Amis
34 The Big Sleep by Raymond Chandler
33 Clarissa by Samuel Richardson
32 A Dance to the Music of Time by Anthony Powell
31 Suite Francaise by Irène Némirovsky
30 Atonement by Ian McEwan
29 Life: a User’s Manual by Georges Perec
28 Tom Jones by Henry Fielding
27 Frankenstein by Mary Shelley
26 Cranford by Elizabeth Gaskell
25 The Moonstone by Wilkie Collins
24 Ulysses by James Joyce
23 Madame Bovary by Gustave Flaubert  
22 A Passage to India by EM Forster
21 1984 by George Orwell
20 Tristram Shandy by Laurence Sterne
19 The War of the Worlds by HG Wells
18 Scoop by Evelyn Waugh
17 Tess of the D’Urbervilles by Thomas Hardy  
16 Brighton Rock by Graham Greene  
15 The Code of the Woosters by PG Wodehouse  
14 Wuthering Heights by Emily Bronte
13 David Copperfield by Charles Dickens  
12 Robinson Crusoe by Daniel Defoe
11 Pride and Prejudice by Jane Austen
10 Don Quixote by Miguel de Cervantes
9 Mrs Dalloway by Virginia Woolf
8 Disgrace by JM Coetzee
7 Jane Eyre by Charlotte Brontë
6 In Search of Lost Time by Marcel Proust
5 Heart of Darkness by Joseph Conrad  
4 The Portrait of a Lady by Henry James  
3 Anna Karenina by Leo Tolstoy  
2 Moby-Dick by Herman Melville
1 Middlemarch by George Eliot


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Um Século de Jorge Amado


1912-2012


"A solução dos problemas humanos terá que contar com a literatura, a musica, a pintura, enfim com as artes.
O homem necessita de beleza como necessita de pão e de liberdade. As artes existirão enquanto o homem existir sobre a face da terra. A literatura sera sempre uma arma do homem em sua caminhada pela terra, em sua busca de felicidade."
Jorge Amado




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Longlist Man Booker Prize 2012


Estes são os 12 romances escolhidos para Man Booker Prize 2012.
A shortlist será conhecida em Setembro.

The Yips - Nicola Barker
The Teleportation Accident - Ned Beauman
Philida - Andre Brink
The Garden of Evening Mists - Tan Twan Eng
Skios - Michael Frayn
The Unlikely Pilgrimage of Harold Fry - Rachel Joyce
Swimming Home - Deborah Levy
Bring Up The Bodies - Hilary Mantel
The Lighthouse - Alison Moore
Umbrella - Will Self
Narcopolis - Jeet Thayil
Communion Town - Sam Thompson




quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Praia-Mar




Um livro de imagens pode ser um objeto estranho. As palavras não estão à vista nas páginas, e os leitores, habituados à presença de um texto que os leve pela mão, poderão sentir-se perdidos (um pouco como, quando chegamos a uma praia e procuramos o melhor lugar para nos sentarmos). É natural que tal aconteça: um álbum de imagens é um livro aberto, mais subjetivo, dado a múltiplas interpretações e , por isso mesmo também, um instrumento interessante para estimular a oralidade, a capacidade de interpretação, a imaginação.

Praia-Mar, Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Leitura de Viagem



«Leitura de viagem – uma designação genérica repleta de conotações de inferioridade. Encontra-se largamente divulgada a opinião de que o que se lê em viagens tem de ser do mais leve e superficial, balelas que ajudam a «passar o tempo». Eu nunca entendi semelhante atitude. É que, à parte o facto de a chamada literatura de entretenimento ser sem dúvida a mais aborrecida do mundo, não consigo descortinar por que motivo uma pessoa, logo numa ocasião tão solene e séria como a que representa uma viagem, deverá descer abaixo dos seus hábitos intelectuais e passar a satisfazer-se com futilidades.»
Thomas Mann, 1934.

Thomas Mann realizou dez viagens aos Estados Unidos. Na primeira navegou a bordo do Volendam. No decurso dessa viagem o escritor dedicou-se à leitura de uma edição em quatro volumes de Dom Quixote e ocupou-se ainda com a escrita de um diário, a que chamou Viagem Marítima com Dom Quixote, onde, por um lado, expressa opiniões -certeiras, iluminadas, inteligentes -sobre a obra de Cervantes, e, por outro, descreve a vida a bordo e narra pequenos incidentes. Um magnífico ensaio que testemunha o envolvimento de um grande escritor com a obra-prima de outro grande nome da literatura.

Viagem Marítima com D. Quixote, Thomas Mann, Ed. D.Quixote.