«Há muitos e muitos milhares de anos, a poesia aproximou-se do homem e tão próximos ficaram, que ela se instalou no seu coração. E começaram a ver o mundo conjuntamente estabelecendo uma inseparável relação que perdurará para sempre. Não demorou muito a que a poesia se emancipasse, autonomizando-se. Como uma rosa de cujas pétalas centrípetas emana a beleza e o mais intenso perfume, sem nunca prescindir da defesa vigilante dos seus espinhos, assim cresceu livre a poesia carregada de silencioso mistério e sedução.»
Manuel Hermínio Monteiro, in Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro, 2001, p. IX.,Ed. Assirio e Alvim.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Rosa do Mundo
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Livros Para Ler nas Férias - Sugestões I

O Homem do Turbante Verde
Mário de Carvalho
Ed. Caminho,2011.
Numa altura em que o interesse pela narrativa curta se renova por todo o lado e depois da reedição muito esperada de "Contos da Sétima Esfera", surge este perturbador "O Homem do Turbante Verde". Cenários evocadores dos nossos dias enlaçam-se com os destinos de uma juventude confrontada com preplexidades e dilemas de um tempo histórico ainda recente. Percursos aventurosos numa África irreal, toda feita de caprichos literários, vão de par com histórias sombrias, cheias de inquietação e susto. A ironia afável conjuga-se com a crueldade. Uma estranheza, ora inquietante ora divertida, acompanha o delírio mais inesperado. Uma linguagem que aposta na clareza, sem fazer quaisquer concessões ao facilitismo.

Tiago Veiga - Uma Biografia
Mário Cláudio
Ed. Dom Quixote,2011.
Tiago Veiga cresceu numa aldeia do Alto Minho em 1900, e nesse mesmo lugar viria a morrer em 1988. Bisneto pelo lado paterno de Camilo Castelo Branco, e só de muito poucos conhecido ainda, Veiga protagonizaria uma singularíssima aventura poética na história da literatura portuguesa.
A sua biografia, redigida aqui por Mário Cláudio que o conheceu pessoalmente, não deixará de configurar de resto matéria de suplementar interesse pela relevância das figuras com que Veiga se cruzou, e entre as quais se destacam poetas como Jean Cocteau e Fernando Pessoa, Edith Sitwell e Marianne Moore, Ruy Cinatti e Luís Miguel Nava, políticos como Bernardino Machado e Manuel Teixeira Gomes, pensadores como Benedetto Croce, e até simples ornamentos do mundanismo internacional como a milionária Barbara Hutton.

As Luzes de Leonor
Maria Teresa Horta
Ed. Dom Quixote,2011.
Leonor de Almeida Portugal, neta dos Marqueses de Távora, uma figura feminina ímpar na história literária e política de Portugal. A escritora Maria Teresa Horta durante 13 anos, persegue-a e vigia-a nos momentos mais íntimos, atraída pela desmesura de Leonor, no seu permanente conflito entre a razão e a emoção. Acompanha-a no voo de uma paixão, que seduz os espíritos mais cultos da época, o chamado “século das luzes”, e abre as portas ao romantismo em Portugal. Um maravilhoso e apaixonante romance sobre a extraordinária e aventurosa vida da Marquesa de Alorna.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
O Pintor Debaixo do Lava-Loiças

A liberdade, muitas vezes, acaba por sobreviver graças a espaços tão apertados quanto o lava-loiças de um fotógrafo. Esta é a história, baseada num episódio real, de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro-Húngaro, que emigrou para os EUA e voltou a Bratislava e que, por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças.
-- Para ganhar uma guerra -- disse Sors --, há duas condições: não morrer e não matar. É só nesse caso que se pode sair vitorioso de uma guerra.
Matej Soucek ria-se. Estava ali sem pensar em nada e apontava para a frente, contra o inimigos, e a sua vida fazia mais sentido de cada vez que disparava.
-- No final é que vamos ver, Sors. Quando isto acabar é que vamos ver quem sai vitorioso.
terça-feira, 28 de junho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Viajar com Chaplin
" Queria umas férias emocionais. Talvez esteja a colocar, logo de início, uma condição difícil de executar, mas asseguro-vos que até os palhaços têm os seus momentos racionais e eu precisava de alguns."
Depois de sete intensos anos de trabalho em Hollywood, Charlie Chaplin encontrava-se física e emocionalmente esgotado e tinha apenas um desejo: escapar-se. Aproveitando a estreia em Londres do seu filme O Garoto de Charlot inicia uma viagem à Europa que o levará à sua terra natal, mas também a Paris e à Alemanha. Em A minha viagem pela Europa conhecemos o outro lado do mais famoso actor e realizador do cinema mudo. Ficamos a par das suas fraquezas, dos seus desejos, da sua vontade de ser amado e querido, mas também conhecemos, através do seu relato, uma Europa que acordava da guerra em todo o seu esplendor e força. Em Londres, sente-se extasiado com a recepção calorosa que recebe e revê com saudade e emoção alguns dos locais e personagens da sua infância e juventude. Conhece também personalidades interessantes como H.G. Wells, que o fascinam pela sua genial simplicidade. Em Paris, mais um banho de multidão e um mergulho no espírito de frivolidade com que a França procura esquecer a devastação da guerra. Finalmente em Berlim, Chaplin redescobre o prazer do anonimato, antes de regressar à América com uma nova visão do mundo e com a alegria de ter reencontrado a candura de espírito e a curiosidade quase infantil que sempre o caracterizaram.
Charlie Chaplin, A Minha Viagem Pela Europa, Ed. Matéria-Prima,2011.
domingo, 26 de junho de 2011
Nuances do Cinzento

As Ilhas Desconhecidas Notas e Paisagens
Raul Brandão
Edição Artes e Letras
“ Há aqui sobretudo um tom que eu quero notar, porque nunca o vi assim em parte alguma: o cinzento graduado até ao infinito, o cinzento destes dias de sol e névoa misturados, que só pertence aos Açores, onde a terra toma todas as nuances do cinzento, desde o cinzento – roxo ao cinzento – cor de chumbo, com cinzentos – claros mais afastados. Cinzento composto de névoa e sol, que paira sobre a larga paisagem humedecida. Cinzento mais próximo que se pega às árvores e que varia constantemente de cor, desde a cor pérola ao laivo quase doirado, conforme as distâncias, a aragem, as nuvens que correm e se afastam, transformado a todas as horas o quadro e fazendo da planície uma larga cena movimentada onde estão sempre a aparecer novos motivos de decoração.”
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Nervo

UM FIO SOLTO
Encontrá-lo aí mesmo, como se
pendurado no vazio. Desenredá-lo levemente
e puxar, procurando aquele ponto de tensão
sem, no entanto, o encontrar. Puxar mais e
mais, fervorosamente. Daí a nada
mais parece que é o fio que te puxa a ti.
E puxa, horrorizando-te, enquanto
imaginas que costura do teu mundo
agora se descose.
Diogo Vaz Pinto, Nervo, Averno, 2011.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Leonor
“Perecível e sem mácula, tal como te vejo de alva, musselina e mel, pescoço longo de cisne, sorriso de sobressalto। Ametistas e topázios a entrançarem-te a espiga dos cabelos, olhos já perlados de crepúsculo। E deste modo irás ser para sempre a minha vida desde agora: seguindo-te, pérola turva, numa obscura ameaça resolvida, tão logo transformada em obsessão e envenenado fascínio. Infindável loucura.”
Um romance sinfónico sobre a Marquesa de Alorna, Leonor de Almeida Portugal, neta dos Marqueses de Távora, uma figura feminina ímpar na história literária e política de Portugal. A escritora Maria Teresa Horta, persegue-a e vigia-a nos momentos mais íntimos, atraída pela desmesura de Leonor, no seu permanente conflito entre a razão e a emoção. Acompanha-a no voo de uma paixão, que seduz os espíritos mais cultos da época, o chamado "século das luzes", e abre as portas ao romantismo em Portugal
Um maravilhoso e apaixonante romance sobre a extraordinária e aventurosa vida da Marquesa de Alorna.
As Luzes de Leonor, Maria Teresa Horta, Ed.D.Quixote, 2011.
Um maravilhoso e apaixonante romance sobre a extraordinária e aventurosa vida da Marquesa de Alorna.
As Luzes de Leonor, Maria Teresa Horta, Ed.D.Quixote, 2011.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Apenas Miúdos - Patti Smith
“Finalmente, junto ao mar, onde Deus está em toda a parte, acalmei-me gradualmente. Pus-me a olhar para o céu. As nuvens tinham as cores de um Rafael. Uma rosa ferida. Tive a sensação de que fora ele próprio a Pinta-las. Hão-de vê-lo. Hão-de reconhecê-lo a sua mão. Essas palavras vieram até a mim e eu soube que um dia veria um céu desenhado pela mão do Robert. Vieram as palavras e a seguir uma melodia. Levei os mocassins na mão e fui caminhando à beira da água. Tinha transfigurado os aspectos mais retorcidos do meu luto, projectando-os como um pano brilhante, uma canção em memoria do Robert.
Pequeno pássaro esmeralda para longe quer voar.
Se eu fechar a mão, irá ele ficar?
Pequena alma esmeralda, pequeno olho esmeralda.
Pequeno pássaro esmeralda, teremos de nos despedir?
Ao longe ouvi um chamamento, as vozes dos meus filhos. Correram para mim. Nesse instante de eternidade, detive-me. Vi-o de súbito a ele, aos seus olhos verdes, às suas madeixas escuras. Ouvi a voz dele acima das gaivotas, dos risos das crianças e do rumor das vagas. Sorri para mim, Patti, como eu estou a sorrir para ti.”
Este é o primeiro livro de Patti Smith em prosa. É um livro de memórias - que começa no Verão em que Coltrane morreu, do Verão do amor livre e de todos os motins, do Verão em que conheceu a figura central deste livro - o lendário fotógrafo americano Robert Mapplethorpe. Mas é também um retrato de época - dos dias do Chelsea Hotel e de Nova Iorque no fim dos anos 1960 - e uma comovente história de juventude e amizade. Just Kids é uma fábula em que encontramos poesia, rock’n’roll, sexo e arte que começa numa história de amor e acaba numa elegia.
Apenas Miúdos, Just Kids, Patti Smith, Ed.Quetazl, 2011.
Apenas Miúdos, Just Kids, Patti Smith, Ed.Quetazl, 2011.



