segunda-feira, 18 de abril de 2011

ar leve

“Toda a sua complexa personalidade estava inteiramente à mercê do «ar leve».” A Humilhação de Philip Roth, Ed. D. Quixote, 2011.

sábado, 16 de abril de 2011

Um Take

«-Um take de quanto tempo?

-Depende de ti. Há um filme russo, uma longa-metragem, A Arca Russa, de Alexander Sokurov. Um único plano-sequência, cerca de um milhar de actores e figurantes, três orquestras, histórias, fantasias, cenas com grandes multidões, cenas num salão de baile e, a certa altura, ao fim de uma hora de filme, um empregado deixa cair um guardanapo, não há corte, não se pode cortar, a câmara voa ao longo de corredores, dobra esquinas. Noventa e nove minutos - disse eu.

-Mas isso foi um homem chamado Alexander Sokurov. Tu chamas-te Jim Finley.»

Ponto Ómega de Don Delillo, Sextante Editora, 2011

Mas já leu estes livros todos?

O número de livros que se pode ler em vida é difícil de avaliar. Há livros e livros, uns maiores e outros mais pequenos, uns fáceis de ler e outros que exigem uma leitura mais lenta. Numa biblioteca que tenha mais de 6000 livros, na melhor e raríssima hipótese de ser um grande e excepcional leitor, no máximo terá lido à volta de 2500 volumes. A possibilidade de ler 100 livros por ano, o que, em 60 anos úteis de leitura, dá à volta de 6000, parece-me um número muito exagerado, ninguém consegue manter tanta regularidade de leitura. Walter Benjamin calculava o número em cerca de 10% de livros lidos numa biblioteca de amador, ou seja, neste momento está a pensar nos milhares de livros que deseja tanto ler e certamente nunca terá tempo para os ler a todos. À eterna pergunta “Mas já leu estes livros todos?” feita de um modo geral, por quem não tem muita experiência de leitura, responda não, mas pior seria deixar de ter livros para ler.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

" A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente" ( A. Camus)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

ExtraTexto

Humphrey Bogart e Laren Bacall

sábado, 2 de abril de 2011

Indignai-vos!

Paul Klee, Angelus Novus


No texto, Stéphane Hessel remete para esta obra de Klee e para o comentário que o filósofo alemão Walter Benjamin fez sobre ela nas suas Teses sobre a Filosofia da História, escritas em 1940, sob o choque do pacto germano-soviético. Walter Benjamin foi o primeiro proprietário desta obra. Via nela um anjo a repelir «essa tempestade à qual chamamos progresso».


«uma verdadeira insurreição pacífica contra os meios de comunicação de massas que só apresentam como horizonte à nossa juventude uma sociedade de consumo, o desprezo pelos mais fracos e pela cultura, a amnésia generalizada e a competição renhida de todos contra todos.» A todos aqueles e aquelas que irão fazer o século XXI, dizemos com afecto: CRIAR É RESISTIR. RESISTIR É CRIAR.


Indignai-vos! de Stéphane Hessel, Ed. Objectiva,2011.

quarta-feira, 30 de março de 2011

A Inimizade e a Amizade

René Char et Martin Heidegger


«No nosso tempo, aprendemos a sujeitar a amizade àquilo que se chama as convicções. E mesmo com o orgulho da réctidão moral. De facto, é preciso alcançar uma grande maturidade para compreender que a opinião que defendemos é apenas a nossa hipótese preferida, necessáriamente imperfeita, provávelmente transitória, que só os indivíduos muito limitados podem fazer passar por uma certeza ou uma verdade. Ao contrário do que sucede com a pueril fidelidade a uma convicção, a fidelidade a um amigo é uma virtude, porventura a única, a suprema. Observo a foto de René Char ao lado de Heidegger. Um, celebrado como resistente contra a ocupassão alemã. O outro, denegrido por causa da simpatia demonstrada, em determinado momento da vida, pelo nazismo emergente. A foto data dos anos do pós-guerra. Estão de costas; boné na cabeça, um alto, o outro baixo, caminham na natureza. Gosto muito desta fotografia. »

Milan Kundera, Um Encontro, D.Quixote, 2011.

terça-feira, 29 de março de 2011

No Centro

«Ouve-se Downtown Train, canção de Tom Waits. Não entende o inglês, mas parece-lhe que a letra fala de um comboio que vai para o centro da cidade, de um comboio que leva os seus passageiros para fora do distante bairro onde cresceram e no qual levavam toda a vida encurralados. O comboio vai para o centro. Da cidade. É possível que vá para o centro do mundo. Para Nova Iorque. É o comboio do centro. Não pode sequer imaginar que aquela canção não fale de nenhum centro. Acreditando que aquele tema de Tom Waits fala disto, nunca se cansou de ouvi-la. Para ele, a voz de Waits tem a poesia do comboio suburbano que une o bairro da sua infância a Nova Iorque. Sempre que escuta a canção, pensa em antigas viagens, em tudo o que teve de deixar para se dedicar à edição. Agora, quanto mais velho se sente, recorda a sua antiga determinação, a sua inicial inquietação literária, a sua dedicação sem limites durante anos ao perigoso negócio da edição, um negócio tantas vezes ruinoso. Renunciou à juventude para procurar a obra honesta de um catálogo imperfeito. E o que sucede agora quando tudo terminou? Resta-lhe uma grande perplexidade e a carteira vazia. Um sentimento de para quê. Um pesar tosco durante as noites mas ninguém lhe tira que teve um empenho e que o levou longe. E isso é muito sério. No final, como dizia W.B. Yeats, tenha-se ou não sorte, a determinação deixa sempre marca.»
Enrique Vila-Matas, Dublinesca.


sábado, 26 de março de 2011

A história do livro doce como mel

"Então vi, e eis que uma mão se estendia para mim: nela havia um livro e este estava escrito por diante e por detrás. Depois disse-me:
Filho do homem, come o que achares; come este rolo, e vai, fala à casa de Israel.
Então abri minha boca: e me deu a comer o livro.
Então o comi, e era em minha boca doce como mel
."

Histórias escolhidas da Bíblia por José Tolentino Mendonça, ilustradas por Ilda David’