sábado, 12 de fevereiro de 2011

Notas sobre a melodia das coisas

Fotografia de José Francisco Azevedo

«E nós somos como os frutos. Pendemos do alto de ramos estranhamente tortuosos e suportamos bem os ventos. O que temos é a nossa maturidade, a nossa doçura e a nossa beleza. Mas a força para tal emana de uma raiz que se propagou até cobrir mundos e mundos em todos nós. E, se quisermos testemunhar a favor do seu poder, então devemos utilizar, cada um, o nosso mais solitário sentido.
Quanto mais solitários houver, mais solene, comovente e poderosa será a comunidade
. »


Rainer Maria Rilke, Notas sobre a melodia das coisas
trad. Sandra Filipe, Ed. Averno, 2011.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

As Noites das Mil e Uma Noites


«O deserto, a noite, a Lua em quarto crescente, a rocha, os homens e os contínuos lamentos. Shahriar e o seu bastão e o ar poluído da cidade.
Misericórdia! Misericórdia! Gritou com o coração ferido, e começou a dar murros na rocha várias vezes até que correu sangue pelas suas mãos. Mas a verdade impôs-se e invadiu-o o desespero. »
Naguib Mahfouz nasceu no Cairo,é o único escritor árabe com Prémio Nobel da Literatura que recebeu em 1988.

Couraçado Potemkin




COURAÇADO POTEMKIN
(depois de ver o filme de Eisenstein)

(…)
Partiu há muito tempo. Era em Odessa,
no Mar Negro. Deu a volta ao mundo.
O mundo é vasto e vário e dividido, e os mares
são largos.
Fechem os olhos,
cerrem fileiras,
o couraçado vem.

Jorge de Sena, in Poemas com Cinema (org. Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós, Rosa Maria Martelo), Assírio & Alvim, 2010.

9500 CINECLUBE - O COURAÇADO POTEMKIN
Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011 às 21:30
CINE SOLMAR

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Imagens em Prata Cinzeladas

Fotografia de Henri Cartier-Bresson

«A fotografia é uma lição de amor e ódio ao mesmo tempo. É uma metralhadora, mas também é o divã do analista. Uma interrogação e uma afirmação, um sim e um não ao mesmo tempo. Mas é sobretudo um beijo muito cálido.»

Henri Cartier-Bresson

Revista Egoista nº 44, Especial 10 Anos.

Sophia por J. César Monteiro

Filme de J. César Monteiro, 1970.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Poema de Amor Para o Novo Egipto



Tu, minha és, meu amor,
O meu coração esforça-se para alcançar o cimo do teu
amor.
Vê, encanto, a armadilha que montei com as minhas
próprias mãos.

Vê os pássaros de Punt,
Perfume de asas
Como chuva de mirra
Caindo sobre o Egipto.

Vamos ver o trabalho que as minhas mãos fizeram,
Vamos os dois, juntos por esses campos.


Poemas de Amor Do Antigo Egipto, ed. Assírio & Alvim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Alexandra Lucas Coelho na SolMar




Alexandra Lucas Coelho nasceu em Dezembro de 1967, em Lisboa. Estudou teatro no IFICT e licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa.
Estreou-se na rádio nos anos 80. Foi jornalista da RDP de 1991 a 1998, e desde então está no Público, onde editou os suplementos «Leituras» e «Mil Folhas», co-editou a Cultura e actualmente integra a equipa Grandes Repórteres.
Em 2001 começou a viajar regularmente pelo Médio Oriente e pela Ásia Central. Em 2005-2006 esteve seis meses baseada em Jerusalém como correspondente.
Foram-lhe atribuídos prémios de reportagem do Clube Português de Imprensa, Casa da Imprensa e o Grande Prémio Gazeta 2005.
Em 2007 publicou Oriente Próximo (Relógio D’Água), narrativas jornalísticas entre israelitas e palestinianos. Na colecção de literatura de viagens coordenada por Carlos Vaz Marques (Edições tinta-da-china), publicou Caderno Afegão: Um Diário de Viagem (2009) e
Viva México (2010).
No final de 2010, mudou-se para o Brasil como correspondente do Público.

Apresentação em Ponta Delgada



«Não sei nada do México e tenho uma mochila.
Este Octavio Paz ou aquele Juan Rulfo? Os dois. Poetas mexicanos contemporâneos ou Roberto Bolãno? Poetas mexicanos contemporâneos.
Uma poeta do mesmo ano que eu: Amanhã é nunca. [...] Ninguém poderá alguma vez dizer que viu a Cidade do México. Quando a começamos ver, calamo-nos, e depois nunca mais acabamos de a ver. Às seis da tarde parece Inverno. Mas não é Inverno, é a estação das chuvas. O Verão começou ontem. O chão brilha.
Os aztecas celebravam a chuva como um deus. Também receberam Cortés como um deus, abrindo os braços ao apocalipse, e por cima do apocalipse o império espanhol ergueu esta cidade. Cinco séculos depois é a mais extensa do mundo. Os mexicanos nem a tratam como cidade. Chamam-lhe D.F. ou simplesmente México.
Tanta gente junta mete medo. […] Na saída, três barraquinhas de “táxis autorizados” competem pelo preço fixo: o equivalente a dez euros até ao centro. E os residentes mais cautelosos não aconselham a trocar pesos no aeroporto desde que um francês foi seguido e assassinado depois do câmbio. Vinha dar aulas à universidade. A Cidade do México é isto: a partir de agora somos bichos em alerta.»

Viva México de Alexandra Lucas Coelho, ed. Tinta da China.