Filme - No Vale de Elah
domingo, 24 de fevereiro de 2008
And the Winner Is...
Filme - Promesas Perigosas
É caso para dizer, venha o diabo e escolha. Mas a minha escolha está feita. E a vossa?
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Necessário Ler

A Sala Magenta é o novo romance do escritor Mário de Carvalho.
Depois do seu último livro, Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina, surge agora o novo livro deste grande escritor português.
A partir do dia 28 de Fevereiro nas livrarias.
"Qual é o leitor para este livro?
Eu não ponho essa questão pois conto com os leitores e não com audiências. Quis que este livro fosse autêntico, não concebo o romance para ficar na gaveta, é para ser lido e comunicar com as pessoas que façam alguma coisa com ele, que reelaborem o seu livro comigo."
Mário de carvalho - Diário de Notícias
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Verdadeiramente Importante
Evento literário ibero-americano de referência, tem vindo de ano para ano a atingir dimensões importantíssimas no nosso país.Realizado na Póvoa de Varzim, acolhe este ano pela nona vez consecutiva, 62 participantes, vindos de Portugal, Espanha, Angola, Brasil, Argentina, Guatemala, Colômbia, Moçambique, Cuba, Peru e Guiné.
São quatro dias com 21 lançamentos, nove mesas redondas, sessões de poesia, música e muita conversa, tornando-se numa autêntica maratona, que conta com escritores como Mia Couto, José Eduardo Agualusa, Pepetela, Eduardo Mendonza, Francisco José Viegas, Onésimo Teotónio Almeida, Almeida Faria, Leonardo Padura, isto só para citar alguns participantes neste acontecimento ímpar em Portugal.
Parabéns à Câmara Municipal da Póvoa de Varzim entidade organizadora deste encontro.
A abertura das Correntes D’Escritas esteve a cargo do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa ,escolha perversa, numa altura em que a ausência de programas dedicados ao livro na nossa televião é total. Para mais os telejornais ignoraram por completo este acontecimento.
Ignorância pura. Quem lhes disse que os livros não têm audiências!
A abertura das Correntes D’Escritas esteve a cargo do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa ,escolha perversa, numa altura em que a ausência de programas dedicados ao livro na nossa televião é total. Para mais os telejornais ignoraram por completo este acontecimento.
Ignorância pura. Quem lhes disse que os livros não têm audiências!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Ao meu Avô II
“ – Que tem? – indaga, delicadamente, o sujeito.
– Caldeirada e bifes – foi a resposta de Daniel.
– E pescada? – pergunta, delicadamente a senhora.
– Só caldeirada e bifes.
E, assim por diante, a senhora a insistir, delicadamente, se não haveria esta ou aquela comida e Daniel, já de olho duro, a repetir a mesma breve ementa. Até que, perdida a paciência, volta-se para os clientes, num meio sorriso, exclama:
– Chiça! O que isto são de chatas, as mulheres! Vocês têm estado a ouvir? Eu a dizer que só tenho caldeirada e bifes e esta a azucrinar-me com pescadas, linguados e nem sei que mais!
De espanto, a senhora entreabriu a boca, suspensa. Alto e forte o sujeito moveu o tronco, como que a levantar-se.
Logo, calmo, dominador, recostando-se na cadeira, com voz lenta e segura, pediu delicadamente:
– Traga a caldeirada. Mas, ao menos, espero que seja boa.
A frase soou a Daniel como uma ofensa.
– Maria! – gritou ele. – Traz daí uma panela cheia!
– e para o sujeito: – Aposto que nunca comeu na sua vida uma caldeirada como as que eu preparo!
– É o senhor que as prepara? – interrogou o sujeito.
De olhos semicerrados, Daniel soltou uma gargalhada:
– E então? Que é que as mulheres além do que é próprio delas, sabem fazer bem feito? Nada!
Veio a panela. Daniel sondava, inquieto, o rosto do casal. Ao notar-lhe a expressão de agrado, voltou a gargalhar:
– Hem? Alguma vez comeram obra desta?
Foi buscar um prato, sentou-se. Dai a pouco conversavam como três velhos amigos íntimos. Daniel alegrando as frases curtas mas muito expressivas interjeições; a senhora e o senhor, sorridentes e discretos, repetindo a caldeirada.
Voltaram a aparecer todas as semanas. Cimentado o convívio em redor da caldeirada, Daniel, virado para os circunstantes, afirmava:
– Não há como uma boa comida para fazer uma boa amizade!
Os senhores sorriam, delicados. E nós, velhos comensais, concordávamos mudamente, quem come não fala, regando com branco, gelado, a bela caldeirada “Chez Daniel”.
– Caldeirada e bifes – foi a resposta de Daniel.
– E pescada? – pergunta, delicadamente a senhora.
– Só caldeirada e bifes.
E, assim por diante, a senhora a insistir, delicadamente, se não haveria esta ou aquela comida e Daniel, já de olho duro, a repetir a mesma breve ementa. Até que, perdida a paciência, volta-se para os clientes, num meio sorriso, exclama:
– Chiça! O que isto são de chatas, as mulheres! Vocês têm estado a ouvir? Eu a dizer que só tenho caldeirada e bifes e esta a azucrinar-me com pescadas, linguados e nem sei que mais!
De espanto, a senhora entreabriu a boca, suspensa. Alto e forte o sujeito moveu o tronco, como que a levantar-se.
Logo, calmo, dominador, recostando-se na cadeira, com voz lenta e segura, pediu delicadamente:
– Traga a caldeirada. Mas, ao menos, espero que seja boa.
A frase soou a Daniel como uma ofensa.
– Maria! – gritou ele. – Traz daí uma panela cheia!
– e para o sujeito: – Aposto que nunca comeu na sua vida uma caldeirada como as que eu preparo!
– É o senhor que as prepara? – interrogou o sujeito.
De olhos semicerrados, Daniel soltou uma gargalhada:
– E então? Que é que as mulheres além do que é próprio delas, sabem fazer bem feito? Nada!
Veio a panela. Daniel sondava, inquieto, o rosto do casal. Ao notar-lhe a expressão de agrado, voltou a gargalhar:
– Hem? Alguma vez comeram obra desta?
Foi buscar um prato, sentou-se. Dai a pouco conversavam como três velhos amigos íntimos. Daniel alegrando as frases curtas mas muito expressivas interjeições; a senhora e o senhor, sorridentes e discretos, repetindo a caldeirada.
Voltaram a aparecer todas as semanas. Cimentado o convívio em redor da caldeirada, Daniel, virado para os circunstantes, afirmava:
– Não há como uma boa comida para fazer uma boa amizade!
Os senhores sorriam, delicados. E nós, velhos comensais, concordávamos mudamente, quem come não fala, regando com branco, gelado, a bela caldeirada “Chez Daniel”.
Estes dois excertos foram retirados de um livro de contos de Manuel da Fonseca, em que a personagem Daniel, não é ficcionada, mas sim a mais pura da realidade. Este senhor era de facto o meu avô, e o seu restaurante Chez Daniel ainda hoje existe. Recomendo vivamente (mesmo sendo suspeita) , caldeirada, bom peixe, e bife claro.
Para quem não sabe Lagoa de Santo André fica no magnífico litoral alentejano. Façam uma boa viagem e tenham uma belissima refeição regada com um optimo vinho alentejano.







