terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Ao meu Avô I
“Ano atrás, saindo à areia, Daniel, com longo sopro num búzio, avisava a praia que o almoço ou o jantar estavam prontos. Na falta da antiga e bela forma de notícia é a fome, agora, que marca a hora das refeições.
Cada família na mesa habitual, Daniel ou a mulher, a senhora Maria, nossa comadre, ou os filhos, cunhados, sobrinhos, conforme aconteça encontrarem-se ali, distribuem as panelas de peixe, os bifes, as garrafas de vinho. A meio da refeição, Daniel, munido de prato e talher, escolhe, por simpatia de momento, uma das mesas-“ Com licença, que também preciso”- e come, de conversa com os clientes.
Pitoresco nas descrições, directo e franco na apreciação de indivíduos e de acontecimentos, é seu pendor falar de modo a que todos o oiçam. Desconhecedor de interjeições, tais como apre, cáspite, usa, público e raso de palavras de pura raiz vicentina.
Um exemplo: certo dia, almoçávamos, pára, em baixo, onde a estrada termina, já dentro da areia, um majestoso último modelo e sai, vestindo de acordo com a magnificência do carro, um casal de meia-idade. Pelo estrado sobem a “ Chez Daniel”, sentam-se na única mesa vaga, examinando, em volta, discretos mas um tanto desconfiados, pessoas e comidas.”
Cada família na mesa habitual, Daniel ou a mulher, a senhora Maria, nossa comadre, ou os filhos, cunhados, sobrinhos, conforme aconteça encontrarem-se ali, distribuem as panelas de peixe, os bifes, as garrafas de vinho. A meio da refeição, Daniel, munido de prato e talher, escolhe, por simpatia de momento, uma das mesas-“ Com licença, que também preciso”- e come, de conversa com os clientes.
Pitoresco nas descrições, directo e franco na apreciação de indivíduos e de acontecimentos, é seu pendor falar de modo a que todos o oiçam. Desconhecedor de interjeições, tais como apre, cáspite, usa, público e raso de palavras de pura raiz vicentina.
Um exemplo: certo dia, almoçávamos, pára, em baixo, onde a estrada termina, já dentro da areia, um majestoso último modelo e sai, vestindo de acordo com a magnificência do carro, um casal de meia-idade. Pelo estrado sobem a “ Chez Daniel”, sentam-se na única mesa vaga, examinando, em volta, discretos mas um tanto desconfiados, pessoas e comidas.”
Manuel da Fonseca - À Lareira Nos Fundos Da Casa Onde o Retorta Tem o Café
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Foi no VII Aniversário da SolMar

Depois de apadrinhada por Lobo Antunes na sua inauguração (1991), a figura de José Cardoso Pires foi um dos pontos mais importantes para a SolMar ( não esquecendo todos os outros que por aqui passaram ), dando grande prestígio a este espaço literário.
Por razões muito pessoais e afectivas foi com uma felicidade inexplicável que recebemos a notícia de que a estreia das Edições Nelson de Matos será feita com a publicação de inédito de Cardoso Pires
Gratificado estará qualquer livreiro que se preze pela chegada deste título "Lavagante", escrito em 1968 antes da publicação do Delfim, e agora revisto por sua filha Ana Cardoso Pires.
Por razões muito pessoais e afectivas foi com uma felicidade inexplicável que recebemos a notícia de que a estreia das Edições Nelson de Matos será feita com a publicação de inédito de Cardoso Pires
Gratificado estará qualquer livreiro que se preze pela chegada deste título "Lavagante", escrito em 1968 antes da publicação do Delfim, e agora revisto por sua filha Ana Cardoso Pires.
Editora com nome próprio digna de um dos maiores escritores portugueses da segunda metade do século XX.
Esta será a melhor forma de assinalar dez anos de saudade.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Os Melhores Livros de 2007- Selecção SolMar

Ficção
1- As Benevolentes
Jonathan Littel
D. Quixote
2- A Ponte Sobre o Rio Drina
Ivo Andric
Cavalo de Ferro
3- A Estrada
Cormac Mccarthy
Relógio D’Agua
4- Na Praia de Chesil
Ian Mcewan
Gradiva
5- Todo o Mundo
Philip Roth
D. Quixote
Não Ficção
1- A Modernidade
Walter Benjamin
Assírio Alvim
2- Shakespeare Uma Biografia
Peter Ackroyd
Teorema
3- A Historia da Pide
Irene Pimentel
Temas e Debates
4- Colecção Essencial de Fernando Pessoa
Richard Zenith
Assírio Alvim
5- Orlando Furioso
Ludovico Ariosto
Cavalo de Ferro
1- As Benevolentes
Jonathan Littel
D. Quixote
2- A Ponte Sobre o Rio Drina
Ivo Andric
Cavalo de Ferro
3- A Estrada
Cormac Mccarthy
Relógio D’Agua
4- Na Praia de Chesil
Ian Mcewan
Gradiva
5- Todo o Mundo
Philip Roth
D. Quixote
Não Ficção
1- A Modernidade
Walter Benjamin
Assírio Alvim
2- Shakespeare Uma Biografia
Peter Ackroyd
Teorema
3- A Historia da Pide
Irene Pimentel
Temas e Debates
4- Colecção Essencial de Fernando Pessoa
Richard Zenith
Assírio Alvim
5- Orlando Furioso
Ludovico Ariosto
Cavalo de Ferro
Sendo os leitores a nossa razão de existir, fica este espaço para as suas escolhas.
Destaque do Ano 2007
Ano marcado pela concentração das editoras. Grande agitação na indústria livreira portuguesa, autêntica revolução editorial.
O controle do mercado português por dois ou três grupos encabeçado por Pais do Amaral, ao qual nem a D.Quixote detentora do maior catálogo de autores portugueses com destaque para Lobo Antunes (que ameaçou deixar de publicar em Portugal), e até a Caminho editora do nosso Prémio Nobel José Saramago, não resistiu ao capital.
Negócios de milhões num país com taxas elevadas de iliteracia e hábitos de leitura abaixo do desejável. Á concentração do retalho livreiro assistiu-se ao das editoras, restando aos independentes uma palavra importante nos critérios editoriais que não se geram só pelo poder económico, mas sim pelo bom gosto e qualidade das suas edições.
O controle do mercado português por dois ou três grupos encabeçado por Pais do Amaral, ao qual nem a D.Quixote detentora do maior catálogo de autores portugueses com destaque para Lobo Antunes (que ameaçou deixar de publicar em Portugal), e até a Caminho editora do nosso Prémio Nobel José Saramago, não resistiu ao capital.
Negócios de milhões num país com taxas elevadas de iliteracia e hábitos de leitura abaixo do desejável. Á concentração do retalho livreiro assistiu-se ao das editoras, restando aos independentes uma palavra importante nos critérios editoriais que não se geram só pelo poder económico, mas sim pelo bom gosto e qualidade das suas edições.
sábado, 26 de janeiro de 2008
5 Estrelas
Ivo Andric foi Prémio Nobel de Literatura em1961.Romancista, escritor Servo-Croata uma das suas mais importantes obras entre outras é A Ponte Sobre O Drina, que tenho em destaque já à algum tempo neste blog.
Livro aclamado pela crítica, como obra incontornável, de escrita elegante e simples, vai brevemente ser adaptado ao cinema por Emir Kusturica.
Meus amigos leiam o livro e quando for possível vejam o filme.
No início o leitor encontra-se em pleno século XVI, em Visegrad, cidade na fronteira entre a Sérvia e a Bósnia. Mehmed-Paxá, Grão-vizir, sonha ainda com o dia em que, criança, foi separado da sua família cristã, obrigado a atravessar para a outra margem do rio. É essa criança que agora, décadas depois, convertido à fé do Islão, dá a ordem de construção de uma ponte sobre o rio Drina. Esta é a história épica dessa ponte, e também a dos seus habitantes. A sua edificação exigiu anos de trabalho árduo, lágrimas e sangue, sacrifícios e vítimas. Ao longo dos séculos a ponte foi local de passagem, de encontros, de conversas, de conspirações; sofreu inundações, foi encerrada para impedir o alastrar da peste, assistiu a suicídios; sobre ela transitaram exércitos em fuga e desfilaram outros vitoriosos; nela foram executados espiões, viu o desmoronar de Impérios, e o nascer de novas nações...
Romance histórico, grande épico europeu, «A Ponte sobre o Drina» uma edição Cavalo de Ferro
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Edição de Luxo

A 1 de Fevereiro de 2008 assinala-se o centenário do assassínio do rei D. Carlos I e do príncipe herdeiro, D. Luís Filipe. Dois proeminentes historiadores da nova geração - Maria Alice Samara e Rui Tavares - registam os factos da efeméride e interpretam as suas circunstâncias e consequências.No primeiro ensaio, «Memória do Atentado», de Maria Alice Samara, constrói-se o roteiro do evento que viria a alterar de forma indelével a história de Portugal, descrevendo-se o palco, as personagens e os acontecimentos, recorrendo ao testemunho dos principais escritores, políticos e jornais da época: «Certo é que até aos dias de hoje, cem anos depois, há ainda perguntas por responder. É, sem dúvida, importante procurar conhecer a verdade sobre os factos, ou, pelo menos, encontrar uma linha coerente de explicação dos mesmos. Mas, para além disso, é fundamental analisar as diferentes vozes que tomaram posições em relação a este acontecimento central, para uns, traumático, para outros, quase libertador.»Em «O Atentado Iconográfico», Rui Tavares seleccionou uma vasta colecção de imagens - fotografias e gravuras - publicadas na «Ilustração Portuguesa», usando-as como mote para um texto que explora o modo como o regicídio português foi recebido e tratado nesta importante revista, até à deflagração da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Trata-se de um guia das representações iconográficas do atentado que revela a forma como os acontecimentos foram recebidos e comunicados em Portugal e por todo o resto do mundo, e que nos dá a conhecer os modos de fazer reportagem jornalística no começo do século XX. O traço dominante: a sagacidade e subtileza de humor, mesmo nos assuntos mais inesperados: «De repente, a Europa descobria que as suas cabeças coroadas podiam ser assassinadas em plena luz do dia e que os acontecimentos andavam mais depressa do que era possível apanhá-los. Talvez fosse a isto que chamavam tempos modernos.»
Edição Tinta da China



