sexta-feira, 18 de maio de 2007

Mulheres que lêem são perigosas


Histórias das mulheres que lêem encontra-se patente na pintura e na fotografia. O motivo da mulher que lê fascinou artistas ao longo de todas as épocas. No entanto, até ser permitido às mulheres ler aquilo que elas bem entendessem, passar-se-iam bastantes séculos.

Primeiro que tudo, deveriam bordar, rezar,cuidar dos filhos e cozinhar. Contudo, no preciso momento em que se aperceberam da leitura como possibilidade de trocar o estreito mundo do lar pelo ilimitado universo das ideias, da fantasia, e também do conhecimento, passaram a constituir uma ameaça.
Este empolgante capítulo da história da leitura feminina é tratado por Stefan Bollman numa edição da Quetzal.
Bollman conduz-nos numa viagem desde a Idade Média até ao presente, pertencendo a maioria dos motivos apresentados aos séculos XIX e XX. As pinturas, fotografias e desenhos escolhidas para este livro são apresentados e acompanhados por breves textos.


quinta-feira, 17 de maio de 2007

Ao Remexer no Sótão


Hoje encontrei este exemplar , Odisseia de Homero de 1938, volume I.
Desta obra tiraram-se 100 exemplares em papel Leorne, da Companhia do Papel do Prado, numerados e rubricados , pelos editores Sá da Costa. Traduzida do grego por dois padres, E. Dias Palmeira e M. Alves Correia.
Não há dúvida de que esta epopeia tal como Ilíada são os monumentos literários da língua grega.

domingo, 13 de maio de 2007

Hitchcock diálgo com Truffaut

Truffaut com Hitchcock



Truffaut - Entre aqueles que o admiram, há quem desejasse vê-lo empreender adaptações de obras importantes e ambiciosas, Crime e Castigo de Dostoievski, por exemplo.

Hitch - sim, mas eu nunca o farei, precisamente porque Crime e Castigo é a obra de outra pessoa. Fala-se frequentemente dos cineastas que, em Hollywood, deformam a obra original. Não tenho a intenção de fazer isso. Só leio uma história uma vez. Quando a ideia de base me convém esqueço completamente o livro e fabrico cinema.

Truffaut - Gostaria de lhe pedir que precisasse agora qual a diferença entre suspense e surpresa.

Hitch - É muito simples. Estamos a conversar, talvez haja uma bomba debaixo desta mesa e a nossa conversa é muito trivial, não se passa nada de especial, e de repente: bum!, explosão. O público fica surpreendido; mas, antes disso, mostraram-lhe uma cena absolutamente vulgar, desprovida de interesse. Agora, examinemos o suspense. A bomba está debaixo da mesa e o público sabe, provavelmente porque viu o anarquista colocá-lo. O público sabe que a bomba explodirá à uma hora e sabe que falta um quarto para a uma - há um relógio no décor; a mesma conversa anódina torna-se de repente muito interessante porque o público participa na cena. Tem vontade de dizer às personagens que estão no ecrã. No primeiro caso, ofereceu-se ao público 15 segundos de surpresa no momento da explosão. No segundo caso, oferecemos-lhe 15 minutos de suspense. A conclusão disto é que é preciso informar o público sempre que se possa fazê-lo, excepto quando a surpresa é um twist, quer dizer, quando o inesperado da conclusão constitui o sal da anedota.


No prefácio do livro Truffaut diz o seguinte:

"o homem estava morto, mas não o cineasta, porque os seus filmes realizados com um cuidado extraordinário, uma paixão exclusiva e uma emotividade extrema dissimulada por uma rara mestria técnica, não mais deixariam de circular, distribuídos por todo o mundo, rivalizando com as novas produções, desafiando a usura do tempo..."


Este livro foi publicado em 1987 pelas publicações Dom Quixote.

Cannes 2007


Este é o mítico festival de cinema com mais prestígio do mundo, de 16 a 27 de Maio 49 longas-metragens escolhidas para a selecção oficial, nas secções "Competição e Un Certain Regard", um programa mais classico e com a ausência de "blockbusters", comemorando o 60º aniversário.
A presença na "Croisette" dos mais prestígiados cineastas (Emir Kusturica , Tarantino, Gus Van Sant e os irmãos Coen entre outros) concorrem á Palma de Ouro. Presidirá ao júri internacional Stephen Frears fazendo parte do mesmo a actriz portuguesa Maria de Madeiros e ainda o escritor vencedor do Nobel Orhan Pamuk.
Graças ao Cine SolMar e ao seu programador será possivel visionar alguns dos filmes a concurso, mesmo que seja só no proximo ano.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

PAÍS DE MUITO MAR


Somos um país pequeno e pobre e que não tem
senão o mar
muito passado e muita História e cada vez menos
memória
país que já não sabe quem é quem
país de tantos tão pequenos
país a passar
para o outro lado de si mesmo e para a margem
onde já não quer chegar. País de muito mar
e pouca viagem.


17-5-2006


Manuel Alegre - novo livro Doze Naus

domingo, 6 de maio de 2007

Uma Menina de Ouro

Viva Vanessa Fernandes. Um orgulho nacional , o nosso obrigado.


Finalmente consigo ver na televisão algo que não se chame futebol ( com todo o respeito por aqueles que amam esta modalidade), foi uma emoção ver aquela rapariga com tanta força, e acima de tudo com tanta humildade ganhar mais uma Taça do Mundo. Para mim derrotou completamente esses , Micolis, ciganos , Ronaldos , e muitos outros com ar de importantes, carregados de brilhantina , diamantes e roupa Armani. Temos uma Grande Atleta não da área desses senhores que ganham milhões ( que chega a ser uma afronta aos pobres ), e quem fala da Vanessa muitos outros atletas que não são apoiados, nem num terço do que o futebol o é,comprendo mas não aceito e tenho direito á indignação.

Pena, muita pena, que seja preciso suar até ao tutano, e já ter ganho muitas provas lá fora, para que só agora se lembrarem da Vanessa. Mas como se diz mais vale tarde do que nunca.

E para constactar esta minha indgnação, basta que vejam os jornais desportivos de hoje e verificarem que nehum deles fala desta prova. Quem sabe amahã já devemos ter algum cabeçalho com a vitória desta menina de ouro.

Parabéns Vanessa e a toda a sua família e amigos.

sábado, 5 de maio de 2007

Ian Mcewan


Na praia de Chesil (esta a tradução de "On Chesil Beach") , assim se chama o novo romance deste escritor inglês, que vai já no seu 13º livro. Um livro pequeno , apenas com 128 páginas mas , perturbador o suficiente , e com profundidade até dizer chega.

Estamos numa noite de núpcias no início dos anos 60 , em Inglaterra, antes da revolução sexual, em que as personagens principais são, os inseguros Florence e Edward. Mcewan conta uma história de vidas transformadas por um gesto não feito ou uma palavra não dita.

Não podemos esquecer que Ian Mcewan é considerado, aos 58 anos, um dos mais brilhantes escritores britânicos da sua geração, quem não se lembra de " Expiação" ,( para mim é uma obra prima) ou ainda "Amesterdão".

Se nunca leu nenhum livro deste mágnifico escritor, tenha o prazer de o descobrir.
Boas leituras.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Acabadinha de Chegar


Mais um número da revista Egoista. Esta integralmente dedicada á escrita, e escritores , com maravilhosas fotografias de Daniel Mordzinski e Alfredo Cunha.

O rico conteúdo desta edição deve-se aos textos de Luis Sepúlveda, Richard Zimler, Mário de Carvalho, Maria Filomena Mónica , Gonçalo M. Tavares, Pedro Mexia, só para sitar alguns , e ainda uma bonita entrevista a José Saramago por Ana Sousa Dias e Hugo Neves.


" Para escrever, são precisas quatro coisas, das quais três essenciais e uma acessório. As essenciais consistem em ter-se uma ideia na cabeça, ser-se suficientemente egocêntrico para não se necessitar de companhia e viver-se numa cave escura; a acessório em possuir-se um computador, ou , na ausência deste, um papel e uma caneta. É tão simples quanto isso. Quanto a escritores, há os bons e os maus. Os primeiros é o tempo que escolhe, os outros são rejeitados pela posteridade. O que faz com que seja impossivel dizer-se quem, nos nossos dias, é ou não é escritor."


Maria Filomena Mónica no seu texto um elogio do egoismo ( pag.118 )


segunda-feira, 23 de abril de 2007

Hoje na SolMar


Com casa cheia, o lançamento do Nuno Costa Santos foi muito bom. O MELANCÓMICO como foi dito na apresentação do livro, feita pelo Pedro Arruda é o próprio Nuno.


O autor do livro disse:

"Estou muito feliz por estar na minha terra, como se costuma dizer, "com os meus", a lançar um livro que me deu tanto prazer escrever.
Termino com uma mensagem da dona Bina, já para lá dos 75, que não pôde estar presente mas que me mandou um texto hoje, logo pela manhã:

" Nuno não poderei estar presente no lançamentodo do teu livro em Ponta Delgada. O que é aborrecido, dado que já tinha organizado uma excursão com as amigas lá da junta para ir aos Açores.

Desde que, ao ver aquela novela da TVI, percebi que os Açores são só casas apalaçadas cheias de empregadas dentro que fiquei com vontade de visitar a tua terra.

Pensando melhor, se calhar até fiz bem em ficar por cá: os Açores não devem ser um sítio lá muito recomendável - só vêm das ilhas escritores e políticos. Gente que anda para ai a roubar-nos a alma e os impostos.

Um beijinho da dona Bina".

domingo, 22 de abril de 2007